Células-tronco e a conservação do cordão umbilical

30 de setembro de 2019
Por que é aconselhável conservar o cordão umbilical? Vamos analisar essa e outras perguntas ao longo deste artigo sobre células-tronco.

Este não é um artigo que tem como objetivo promover a conscientização sobre a conservação do cordão umbilical, nem vender a necessidade de realizar exames genéticos extras durante a gravidez. E muito menos fazer você se sentir mal por não realizá-los.

Se você continuar lendo, é porque concorda que o importante é estar bem informada para poder tomar uma decisão coerente. Então, vamos nos aprofundar um pouco sobre este assunto: células-tronco e a conservação do cordão umbilical.

O que são as células-tronco e a conservação do cordão umbilical?

As células-tronco são as primeiras células a se formar em um organismo. Elas são caracterizadas como totipotentes, visto que são capazes de dar origem ao resto de linhas celulares com funções especializadas. Embora também possam originar outras células-tronco. Mas o que as torna tão especiais?

Características das células-tronco

Suas qualidades fazem com que sejam um dos focos mais importantes nas pesquisas atuais. Principalmente em pesquisas relacionadas a terapias gênicas e ao conhecimento do desenvolvimento humano. Além disso, podemos resumir essas características que as tornam tão especiais em 3 pontos principais:

  • Dividem-se e se renovam durante um tempo formando células-filhas.
  • Podem se diferenciar e amadurecer originando células especializadas, como neurônios, eritrócitos, etc.
  • Podem ser cultivadas em laboratório para obter linhas de células-tronco.
conservação do cordão umbilical

E as linhas de células-tronco são utilizadas como fonte de células progenitoras. Elas são geradas por uma única célula-tronco original e não podem se diferenciar. Em princípio, estão livres de defeitos congênitos e, normalmente, são usadas tanto em terapias gênicas quanto em projetos de pesquisa.

Quais são os tipos de células progenitoras?

O milagre da vida tem origem em uma única célula. Nos momentos posteriores à fecundação, esse embrião abriga em seu interior toda a informação necessária para o desenvolvimento de um organismo completo.

Passadas 24 horas, as células do zigoto se mantêm puras, são capazes de gerar um embrião completo, por isso as denominamos “totipotentes”.

Pelo contrário, a partir do sétimo dia, de acordo com o desenvolvimento embrionário, as células-tronco se diferenciam, amadurecem e perdem essa capacidade. Agora só podem originar qualquer estirpe celular, mas não um embrião completo.

Os genes responsáveis por essa possibilidade fora suprimidos. Como consequência, essas células-tronco diferenciadas são chamadas de “pluripotentes” ou embrionárias.

Onde são obtidas as células-tronco?

Atualmente, são conhecidas duas fontes de células progenitoras: os embriões em estágios iniciais, de onde obteríamos as células-tronco embrionárias, e organismos adultos. Mas o que as diferencia?

As células-tronco embrionárias

São obtidas de embriões que têm entre 4 e 7 dias. Geralmente, procedem do excedente gerado nos tratamentos de fertilização in vitro. Essa prática gera muita controvérsia, visto que supõe a destruição de um embrião saudável e viável. Raramente se consegue obter de embriões abortados ou de carcinomas – um tipo de tumor fetal.

Elas são de grande utilidade terapêutica. Como dissemos, trata-se de células pluripotentes, capazes de originar qualquer tipo celular.  Podem ser utilizadas em terapias regenerativas de tecidos ou órgãos.

No entanto, hoje em dia é complicado orientar o processo de diferenciação celular para a estirpe desejada. Isso porque esses tratamentos ainda estão sendo estudados.

As células-tronco adultas

Embora em quantidades muito pequenas, podemos encontrá-las em quase todos os tecidos do corpo. A maioria dos estudos e tratamentos se focam na obtenção de células progenitoras de medula óssea devido à sua acessibilidade.

O problema dessas linhas celulares é o seu nível de amadurecimento. Elas perderam sua capacidade de gerar qualquer tipo celular e agora são o que chamamos de “multipotentes”.

No entanto, estudos recentes, como o da doutora Catherine Verfaillie, professora e diretora do Instituto de Células-Tronco da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, sugerem que essas células multipotentes da medula óssea não são capazes de originar apenas células sanguíneas, mas também células cardíacas ou cerebrais.

Sua equipe foi capaz de gerar células cerebrais a partir de células-tronco mesenquimais cultivadas em laboratório. Essa evidência sugere que, talvez, essas células sejam mais plásticas do que pareciam.

Mas e a conservação das células-tronco do cordão umbilical?

Graças a estudos como o da Dra. Verfaille, no sangue do cordão umbilical foi possível encontrar essas células progenitoras especiais. As células-tronco mesenquimais que, mesmo sendo células adultas, ainda conservam sua capacidade de originar diferentes estirpes celulares.

O uso de nossas próprias células abre as portas da medicina regenerativa, com o objetivo de substituir as células doentes por outras saudáveis, evitando problemas de rejeição.

Essa aplicação se mostrou de vital importância em pacientes com leucemia. No entanto, ainda é necessária a realização de muitos outros estudos para aproveitar todo seu potencial em tratamentos médicos futuros.

conservação do cordão umbilical

 “Não devemos dar às pessoas a ideia de que, de repente, tudo poderá ser resolvido com as células-tronco”.

-C. Verfaillie-

Quais são as opções para conservar o cordão umbilical?

Atualmente, as companhias de seguro, por meio dos seguros médicos, e as clínicas privadas colocam à disposição dos usuários bancos privados para a criopreservação do cordão umbilical. E, consequentemente, das células-tronco que estão presentes nele, como um valor seguro ao seu futuro potencial.

No entanto, esse procedimento pode ter um custo anual elevado para as famílias sem que sua verdadeira utilidade fique clara.

De fato, os especialistas advertem para o fato de que a preservação destinada a um uso autólogo deve se manter limitado.

Ou seja, se um paciente de leucemia quiser usar suas próprias células-tronco, as chances de que estas contenham o defeito genético que origina a doença é muito alta. Certamente, sempre podemos ver se existe compatibilidade entre irmãos.

De qualquer forma, tanto a comunidade médica quanto a científica incentivam a utilização de bancos públicos por meio de doações de células-tronco que permitam seu uso, seja em pesquisas ou em terapias gênicas.

“Antes, pensávamos que nosso futuro estava nas estrelas. Agora sabemos que está em nossos genes”.

-J.Watson-

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