Como Albert Einstein educou seu filho?

01 Setembro, 2018
O cientista rejeitou sobretudo pelos resultados baseados em sua própria experiência, métodos como o da memorização à base de repetir a mesma frase uma e outra vez em voz alta até memorizar a informação, assim como faz com um papagaio.

Uma das mentes mais brilhantes do mundo, o cientista Albert Einstein, apostou na aprendizagem por meio da prática como método para educar seu filho.

Einstein costumava jogar baralho constantemente com seus filhos. E em uma dessas ocasiões ele confessou ao seu filho Tete que não estava de acordo com os métodos de ensino que obrigavam as crianças a repetir a informação para memorizá-la. Ainda que essa forma de aprendizagem fosse a habitual na época e funcionasse bastante bem para algumas crianças, não ocorria o mesmo com a jovem e inquieta mente do cientista. Ele, diferentemente dos demais, se aborrecia com esse tipo de metodologia.

Uma abordagem que ocorria com frequência em seus artigos era a rejeição da aprendizagem como imposição. Albert Einstein estudou sete anos no Colégio Luitpold Gymnasium de Munique, onde se aplicava o memorismo como método de aprendizagem, baseado em repetir até memorizar.

Frustrado pela experiência, ele abandonou o colégio antes de acabar. Anos depois, analisou que o ensino deveria ser passado de maneira que pudesse ser recebido como se fosse o melhor presente, e não como uma amarga obrigação. Assim ele deixou claro em um texto chamado “Minha visão do mundo”, no qual era evidente que sua passagem pela escola não havia sido das mais gratificantes para o cientista.

Albert Einstein

Os conselhos de Albert Einstein para a educação

Quando seu filho começou a ter aulas de piano, o conselho de Einstein foi o seguinte: “estou muito contente de que você encontre a alegria com o piano (…). Toque principalmente as músicas que você gosta, inclusive se o professor não as passar como lição. Essa é a maneira ideal de aprender: quando se faz algo com tanto prazer que não se nota o tempo passar. Às vezes estou tão envolvido em meu trabalho que me esqueço do almoço”, escreveu o cientista.

Podemos ver que o mais importante desse conselho é a crença profunda expressa pelo físico de que a melhor maneira de fazer uma criança aprender é que ela desfrute do trabalho que damos a ela: aproveitar tanto que nem perceba que o tempo passou.

À margem das recomendações dos demais, e inclusive dos programas acadêmicos estabelecidos, devemos fazer o que gostamos para aprender e melhorar com isso.

Einstein defendia o tipo de ensino que favorecesse a individualidade como aporte à coletividade. “Deveriam cultivar nos indivíduos e nas crianças qualidades para o bem comum. Isso não significa que (…) se transforme em um simples instrumento da comunidade, como uma abelha (…). O objetivo deve ser formar indivíduos que atuem com independência e que considerem seu interesse vital a serviço da comunidade.”

A aprendizagem mecânica, na opinião de Einstein, cria robôs e aborta o talento individual. De acordo com sua experiência, opinava que essa metodologia cria submissos: utiliza como fundamento o medo, a força e a autoridade. Esse tratamento destrói os sentimentos sólidos, a sinceridade e a confiança da criança em si mesma. Cria um ser submisso.

Albert Einstein

O gênio defendia uma educação focada em:

  • Incentivar o vigor. A memorização não desperta a produtividade porque não fazem surgir os poderes psicológicos da criança, “já que para a instituição é mais fácil utilizar o vigor e despertar a ambição individual”.
  • Ser frutífera. A escola deve estimular a inclinação da criança pela brincadeira e o desejo infantil de reconhecimento. Guiar a criança em direção aos domínios benéficos para a sociedade. A educação se tornaria, assim, uma atividade frutífera e de reconhecimento. O professor, por sua vez, seria uma espécie de artista em sua atividade.

Prática acima da teoria

Para obter a excelência, a prática deveria prevalecer diante da teoria. Grandes personalidades não são formadas com o que se ouve ou o que se diz. Mas, sim, mediante o trabalho e a atividade. Consequentemente, o melhor método educacional tem sido sempre aquele em que se pede ao aluno para realizar tarefas específicas. Isso se aplica tanto às primeiras tentativas de escrever da criança quanto a uma tese universitária, a interpretar ou traduzir um texto, a resolver um problema de matemática ou ao praticar um esporte, escreve em Minhas crenças (1939).

Precisamente, o cientista usou o esporte como analogia para explicar a diferença entre aprendizagem e educação. Se um homem jovem treinou seus músculos e sua resistência física fazendo ginástica e caminhando, mais tarde estará preparado para qualquer trabalho físico. Isso é análogo à mente (…). Albert Einstein não estava enganado quando declarou que “a educação é o que fica quando uma pessoa se esquece de tudo que aprendeu na escola”, frase do texto “Sobre a educação”, 1936.

Uma personalidade histórica, como foi esse cientista, não pode estar muito enganado e distante da realidade. Sem dúvida, ele foi um homem e um pai visionário que estava muito à frente de sua época. Seus métodos de ensino são os mais recomendados hoje em dia nas escolas para educar e manter o interesse das crianças por adquirir o conhecimento por meio da prática. Isso certamente evita que os pequenos se aborreçam e abandonem as aulas.