Como evitar a síndrome da criança hiper-presenteada?

22 de fevereiro de 2019
Alguns pais pretendem compensar a sua ausência em casa com presentes. Este é um erro muito comum na sociedade do século XXI.

A síndrome da criança hiper-presenteada é um fenômeno social que muitos pais não têm consciência de que criam e estimulam em seus filhos. Do ponto de vista da psicologia infantil, promove uma série de comportamentos prejudiciais. No entanto, é algo que pode ser corrigido assim que for detectado.

Afinal, em que consiste a tal síndrome? Consiste dar presentes às crianças de forma excessiva. Em geral, trata-se de objetos que elas não precisam, pois já possuem mais do que é necessário para o seu desenvolvimento.

A influência da publicidade

Ao se aproximar de datas especiais como aniversários, Natal e outras celebrações, a síndrome da criança hiper-presenteada se torna mais evidente. Isso acontece porque os estímulos publicitários são mais diretos e ocorrem em maior quantidade. Em outras palavras, o bombardeio publicitário dos brinquedos é a principal causa do desejo por mais.

Por causa da publicidade, as crianças podem considerar que a felicidade se baseia em obter tudo o que veem. A novidade e a forma como o produto é apresentado são tão chamativas que, de uma forma ou de outra, elas acham que precisam ter tudo.

Ao dar presentes ou conceder recompensas materiais em excesso para uma criança, não promovemos os valores mais apropriados. Pelo contrário, passamos a mensagem de que o importante é ter o objeto e nada mais.

Assim, as crianças se acostumam a ter muito de tudo e não dar valor ao que já possuem. Na verdade, uma vez que conseguem ter algo, logo se esquecem porque já começam a pensar em seu próximo capricho.

Dar presentes demais pode provocar a síndrome da criança hiper-presenteada.

Sinais da síndrome da criança hiper-presenteada

Alguns sinais que podem ser observados nos pequenos com síndrome da criança hiper-presenteada são os seguintes:

  • Egoísmo
  • Falta de empatia
  • Empobrecimento da imaginação.
  • Materialismo e consumismo excessivo
  • Irritabilidade e baixa tolerância à frustração.
  • Insatisfação crônica e desconsideração pelo que tem.
  • Pedido constante de objetos de todos os tipos: brinquedos, aparelhos eletrônicos, etc. Inclusive, a criança pode até começar a pedir a outros tipos de objetos em geral tais como itens de higiene pessoal. Também pode acontecer com comida.
  • Nos casos mais graves, as crianças podem desenvolver transtorno de acumulação compulsiva, entre outros.

Medidas preventivas para a síndrome da criança hiper-presenteada

Para evitar a síndrome da criança hiper-presenteada é necessário começar com o básico: controlar a quantidade de presentes materiais que damos aos nossos filhos. Por outro lado, é necessário investir tempo de qualidade para brincar com eles e ensiná-los a valorizar aspectos que vão além do material.

Devemos promover um ambiente onde o mais importante é o carinho. Certamente, também é preciso dar o exemplo e não agir de forma incoerente em casa. É inútil dizer que se deve valorizar menos os objetos se os pais ou responsáveis fizerem o oposto.

É verdade que as crianças precisam brincar e se divertir, mas a recreação não deve se limitar a um brinquedo. Elas podem colorir ou fazer artesanato, deixar a imaginação voar ou fazer atividades ao ar livre com amigos ou familiares da mesma idade.

Aprenda a evitar a síndrome da criança hiper-presenteada

Compartilhe tempo de lazer com o seu filho, com e sem brinquedos, para que ele valorize mais a ação do que o objeto em si.

Recomendações finais

Além de passar tempo de qualidade com as crianças, é necessário ensinar que as coisas materiais não são a coisa mais importante. Embora existam alguns bens necessários, nenhum deve ser o centro de nossas vidas.

Decerto, isso tem que ser ensinado com palavras e ações, em diferentes momentos e até mesmo de maneiras muito sutis. Dessa forma, vamos conseguir passar a mensagem certa.

Do mesmo modo, é necessário mostrar que há muitas crianças no mundo que são felizes com muito menos do que elas. Não se trata de manipular, mas sim de apresentar outras realidades.

Assim elas podem refletir, comparar e é até mesmo uma forma de incentivar a imitar essas crianças que sabem se divertir independente dos bens materiais.

Mais tarde, uma vez que tenham idade suficiente para entender, devemos ensinar que os objetos materiais envolvem um custo e que nem sempre é possível ter tudo. Nesse sentido, será necessário começar com o básico da educação financeira.

Se tivermos a oportunidade, é melhor proporcionar uma experiência recreativa e educativa. Um plano de férias bem divertido ou um acampamento terão mais valor do que uma longa lista de brinquedos que a criança nem vai se lembrar mais tarde.

Com certeza, as experiências e o contato humano deixarão uma satisfação muito maior a longo prazo.