Medos herdados. Como evitá-los?

· 21 de julho de 2018
Muitos de nossos medos são medos herdados. Um sentimento transmitido da mãe para o filho sem vontade e sem culpa alguma. Mas que necessariamente devem ser controlados, quando ficam evidentes.

Da mesma forma que sentimos medo por coisas que ainda não compreendemos, é possível que transmitamos essa mesma emoção para os nossos filhos.

Por mais que tenhamos medo em relação a alguma coisa, é fundamental que criemos nossos filhos de forma tranquila. Se soubermos que não existe nenhum perigo iminente, é aconselhável controlar nossas emoções e deixar que os baixinhos sintam as próprias. Nós, pais, somos a principal influência sobre os filhos. Por isso, às vezes a “herança” que deixamos é uma marca própria da nossa personalidade.

No entanto, existem fundamentos científicos que demonstram que os medos podem ser herdados? Segundo os especialistas, determinadas situações traumáticas poderiam ser transmitidas geneticamente para até as três gerações seguidas. Especificamente, o medo é gerado por uma experiência que afetou o comportamento. Contudo, essa afirmação não demonstra que a fobia está no DNA.

Quais as razões para os medos infundados?

Existem medos parecem nascer conosco, mas que se devem a reações diante de mudanças. Por exemplo, o recém-nascido que tem medo de cair ou chora por causa das sensações novas, como a variação da temperatura do ambiente.

Entretanto, não seria possível afirmar que ele herdou geneticamente o medo de cair. Porém mais para frente talvez tenha sido influenciado a ter medo de ficar sozinho ou de ver um inseto.

Em todo caso, os medos infundados não são sem causa. Infundados significa que não têm razão de ser ou que não existe justificativa para senti-lo. Mas em teoria aparecem porque preexistiu um motivo na sociedade que se disseminou entre as pessoas. De maneira que, a raiz do medo se encontra na transmissão dessa ideia ao longo dos anos.

Por outro lado, nos acostumamos a assustar as crianças com personagens inexistentes como “A Cuca” ou “O Homem do Saco”. Esse temor injustificado é gerado por nós mesmos e é desencadeador de possíveis fobias de serem abandonados, medo de insetos ou qualquer coisa desconhecida. Esses são os principais medos herdados de geração em geração, sem que exista informação genética transmitida entre elas.

medos herdados

Como evitar os medos herdados?

Se falarmos de herança genética, seria inevitável do ponto de vista científico. Mas, como já explicamos, na verdade, falamos de herança social e comportamental. Sabe-se cientificamente que os medos são aprendidos mais do que herdados. Por isso, temos total capacidade de evitá-los.

Para nos certificarmos de que nossos filhos não compartilham temores que tenham nos acompanhado por toda a vida, o principal é ter autocontrole. Embora, não exista uma maneira exata de evitar sentir medo ou de fazê-lo desaparecer, temos dentro de nós a possibilidade de desenvolver estratégias para enfrentá-lo.

Nesse sentido, esse é um dos esforços que, necessariamente, devemos considerar fazer. Se temos alguma fobia, é compreensível que não se possa controlá-la facilmente. Mas é algo que vale a pena enfrentar com coragem para proteger as crianças de se assustarem ao nos ver descontrolados.

medos herdados

Dito isso, como evitar que nossos filhos herdem os medos sociais? Muitas pessoas têm medo de cobra, por exemplo. Mas talvez alguma criança sinta curiosidade por esse animal, sem conhecer o perigo. Nesse sentido, somos, nós, adultos quem por precaução afastamos a cobra dela e horrorizados alertamos sobre o risco que corre. Nesse momento, é possível que estejamos transmitindo um novo medo ao baixinho.

Para evitar uma possível fobia, é importante controlar nosso estresse, usar uma linguagem correta e tentar fazer com que a criança faça uma reflexão, em vez de fazer com que ela se assuste. Isso é bom para que a criança tenha um aprendizado duradouro. Além disso, evitamos que seus medos se descontrolem, tornando-a emocionalmente instável.

Medos sociais

Em outros casos, os medos são totalmente transmitidos socialmente por fatores externos à emoção individual. Por exemplo, medo da criminalidade, da inflação ou de ficar solteiro. Com relação a isso, é possível que sem sentir uma emoção genuína, nos deixemos levar pelas opiniões dos outros e terminemos envolvidos em uma rede de rumores que nos afetam e, por fim, afetam nossos filhos também.

Às vezes, as experiências que são traumáticas para pessoas próximas a nós nos dão medo como se nós tivéssemos passado por elas diretamente. É o mesmo que acontece com as crianças, pois elas confiam na segurança que seus pais lhes transmitem. Portanto, quando, nós, adultos, perdemos o controle, podemos provocar, inevitavelmente, o próprio descontrole das crianças.