Conhecer a si mesmo ajuda a conhecer os outros

07 Agosto, 2020
Os primeiros anos da infância vão marcar a personalidade dos nossos filhos. A ideia é ajudá-los a conhecer a si mesmos e, por consequência, conhecer os outros. Para isso, existem alguns pontos que os pais devem considerar.

Os seres humanos formam sua personalidade durante os primeiros oito anos de vida. O que se segue são adaptações em cada fase, mas o núcleo central é trabalhado durante a infância. Conhecer os outros é mais fácil se os pequenos se autoconhecerem, Mas em que consiste esse processo?

Trata-se de uma questão muito psicológica, interna, mas ao mesmo tempo importante. A tarefa dos pais não é apenas modelar valores, mas também entender o que move seus filhos. Mais importante ainda é ajudá-los a exercer a introspecção.

A boa notícia é que não precisamos ser psicólogos para fazer a nossa parte. Esse esforço será fundamental para o comportamento social das crianças no futuro. Então, como podemos ajudá-las?

Conhecer a si mesmo: o diálogo como base da descoberta

A comunicação entre pais e filhos é vital para que as crianças identifiquem valores e saibam o que devem fazer. Não se trata apenas de corrigi-las: devemos identificar o que as leva a agir.

Somente mantendo um diálogo rico em conteúdo, raciocínio e valores é que podemos fazer com que os nossos pequenos se reconheçam. O objetivo será fazê-los entender o conteúdo de suas ações para que formem seus próprios critérios.

Isso deve ocorrer constantemente, como parte da vida diária. Podemos, por exemplo, propor atividades didáticas para reforçar o autoconhecimento. E, no processo, devemos equipar as crianças com conceitos.

Reconhecendo o bem e o mal

Esse é um exercício realizado com frequência em sala de aula. Para fazê-lo, vamos precisar de uma cartolina, canetinhas e revistas para recortar. Primeiramente, vamos pedir para que as crianças expressem seus aspectos positivos com imagens e palavras.

Conhecer a si mesmo ajuda a conhecer os outros

Podemos dividir o cartaz em dois e separar um espaço para os aspectos negativos. Isso vai ajudá-las a visualizar suas virtudes e seus defeitos de fora para dentro. A criança só vai dizer o que pensa e, então, verá isso refletido na cartolina.

O ideal é aproveitar esse momento para explicar conceitos que a criança não conheça. Teremos que prestar atenção às reflexões que possam surgir a partir do que a criança disser.

Explorando as próprias emoções

A maneira como lidamos com as nossas emoções diz muito sobre quem somos. No caso das crianças, o correto é fornecer ferramentas para que elas possam gerenciá-las. O principal para o autocontrole é saber como nos sentimos.

Para isso, podemos usar uma atividade didática chamada por muitos de “Semáforo das emoções”. Consiste em fazer um semáforo de cartolina ou feltro e colocá-lo na porta da geladeira.

A cor vermelha deve simbolizar quando o pequeno tiver perdido a cabeça. O amarelo, assim como ocorre nos semáforos reais, indica que a criança está perto de chegar ao vermelho. Se a criança ficar com raiva, chorar ou fizer birra, o certo é aplicar uma punição. Porém, se ela estiver no amarelo e conseguir se acalmar, poderemos negociar.

Sem dúvida, o verde seria a cor para seguir em frente. Nesse estado, a criança poderia fazer solicitações e chegar a um acordo. Dessa forma, poderíamos resolver controvérsias, tais como o tempo que ela passa no parque ou a quantidade de sobremesa que ela vai comer.

“O objetivo da comunicação entre pais e filhos será fazer os pequenos entenderem o conteúdo de suas ações para que formem seus próprios critérios.”

A personalidade da criança em duas partes

Os pequenos não podem conhecer os outros se não exploraram a si mesmos. Em princípio, o autoconhecimento é formado por dois componentes: a autoimagem e a realidade da personalidade.  

A autoimagem é aquilo que a criança pensa que é. Aqui entra a subjetividade da sua percepção e as imagens que ela tem sobre o que deseja ser. Em relação à realidade, ela é formada a partir da experiência da criança em relação ao ambiente.

Isso tem a ver com suas relações sociais: quem cuida dela, seus amigos, sua escola, etc. Nesse sentido, as crianças começam a ser o que percebem do ambiente, mas elas também precisam entender que são agentes dessa realidade.

Conhecer a si mesmo ajuda a conhecer os outros

Conhecer os outros a partir de si mesmo

A premissa é simples: não podemos fazer o que não gostamos que façam conosco. Devemos ensinar aos nossos filhos que está neles a chave do certo e do errado.

Ao conhecer a si mesmos, eles poderão encontrar o tratamento necessário para os outros. Cada pessoa tem sua própria personalidade, mas existem práticas sociais e costumes comuns.

Em conclusão, conhecer a si mesmas e aos outros permitirá que as crianças tenham uma integração social relevanteO objetivo é que elas entendam que as outras pessoas vão agir de acordo com o tratamento que elas oferecerem.