4 crenças equivocadas sobre a adolescência

23 Outubro, 2020
Para os pais, os comportamentos dos filhos adolescentes podem levar a ter crenças equivocadas sobre o que eles pensam ou sentem, mas esses comportamentos fazem parte do seu desenvolvimento.

Às vezes, os pais não sabem como interpretar alguns dos comportamentos dos filhos adolescentes. Isso é normal, pois estamos diante de novos comportamentos que não tínhamos visto até então. Contudo, esses comportamentos podem nos levar a ter crenças equivocadas sobre a adolescência.

Diante de determinados comportamentos dos nossos filhos, não devemos fazer interpretações de forma precipitada, pois podemos cair em um “viés interpretativo”, ou seja, podemos interpretá-los de acordo com as nossas necessidades.

Crenças equivocadas sobre a adolescência

Os novos comportamentos que surgem nos nossos filhos adolescentes podem nos levar a ter alguns pensamentos equivocados quanto a certos aspectos da adolescência. Vamos ver algumas dessas crenças.

crenças equivocadas sobre a adolescência

Avaliar o nosso desempenho como pais de acordo com o comportamento dos nossos filhos adolescentes

Os pais podem chegar a pensar que o filho prefere ficar com os amigos a estar com a família, que a nossa opinião não é válida porque não somos mais importantes em sua vida ou que falhamos em algo para que se comportem dessa forma. No entanto, isso não poderia estar mais distante da realidade.

Devemos eliminar esse tipo de dedução dos nossos pensamentos porque o comportamento dos nossos filhos não é causado por nós, os pais. É importante perceber que, durante essa fase da adolescência, os jovens precisam se sentir aceitos pelo seu grupo de pares e é normal que também queiram se relacionar com eles.

Durante essa etapa, ocorre o chamado “processo de diferenciação”, ou seja, o adolescente transfere seus afetos para outro grupo, diferente da sua família, e cria vínculos com pessoas geralmente da mesma idade, o que ajuda a formar sua personalidade e identidade.

Mesmo que isso aconteça, não significa que o seu filho não queira estar com a família, e sim que ele precisa se sentir independente desse núcleo familiar. Essa distância é necessária e normal para o seu desenvolvimento, embora os pais tenham dificuldade para aceitá-la.

Deduzir que a redução das demonstrações de afeto significa que os nossos filhos não nos amam mais

O fato de o nosso filho adolescente não ser mais tão carinhoso conosco como era antes não significa que ele não nos ame. Esse comportamento é normal durante essa fase do desenvolvimento, pois os jovens também buscam a independência emocional dos pais.

Então, é preciso eliminar pensamentos do tipo “como ele era carinhoso e agora não é mais…”, “Ele não nos ama mais da mesma forma” ou “antes ele nos abraçava e beijava, e agora ele não quer mais, parece que ele tem vergonha, perdemos o seu carinho”.

Acreditar que eles não são capazes de respeitar e seguir as regras, e que desafiam os adultos

Durante a adolescência, os jovens procuram a simetria nas relações com os adultos. Quando há argumentos de autoridade dos pais ou de outros adultos, eles não os aceitam e duvidam deles, pois estão tentando fazer parte das normas e limites.

Isso não significa que queiram desafiar os pais, e sim que sentem a necessidade de opinar e de se opor quando algo não parece estar certo. Diante dessa situação, é normal que os pais se sintam frustrados, mas isso não deve nos impedir de estabelecer limites lógicos e apropriados para os nossos filhos.

Embora os pais sejam a autoridade, também somos a segurança. Portanto, diante das recusas e oposições dos adolescentes, não devemos pensar que há um problema conosco, e sim que se trata da sua busca pela independência.

Acreditar que os adolescentes não estão preparados para o mundo

A preocupação dos pais quanto à segurança dos filhos é algo totalmente normal, já que nenhum pai quer que algo ruim aconteça com o seu filho. Mas é durante a adolescência que mais nos preocupamos, porque eles saem e experimentam mais, e é por isso que podem se deparar com certos riscos e perigos.

crenças equivocadas sobre a adolescência

Mesmo assim, os pais devem confiar nos filhos. Se tivermos transmitido bons valores, eles saberão como tomar as decisões corretas diante das novas situações que vão encontrar. Acima de tudo, temos que falar com eles sobre os perigos que podem ser encontrados e como eles devem ser enfrentados para que não reproduzam comportamentos de risco.

Em relação às crenças equivocadas sobre a adolescência…

Assim, como você pode ver, essas crenças equivocadas sobre a adolescência não são nada corretas e conhecê-las pode nos ajudar a controlá-las. É importante que, durante essa fase, os adolescentes se sintam compreendidos e respeitados. Dessa forma, a comunicação com eles será muito mais fácil.

Não se esqueça de que eles estão no pleno desenvolvimento de sua personalidade e em busca de sua identidade. Por isso, como pais, temos que ajudá-los a administrar todas essas emoções que estão sentindo e que, às vezes, eles não sabem como controlar.

  • Wilcox, B., & Robbins, J. (2016). Como abrazar a un erizo (1.a ed.). Urano.
  • Alberca, F. (2012). Adolescentes. Manual de instrucciones. Espasa.