Limites e normas, através do medo ou do amor?

· 30 de julho de 2018
Toda mãe deve necessariamente estabelecer limites e normas no sentido de garantir a melhor educação para seus filhos. Mas devemos implementá-las através do medo ou através do amor?

Estabelecer limites e normas é parte das obrigações dos pais em relação às obrigações parentais. No entanto, a forma como implantamos faz diferença: estabelecemos limites e normas através do medo ou do amor?

Pois quando impomos às crianças limites e normas claras e saudáveis, não nos tornamos pais autoritários que anulam, suprimem ou negam a liberdade e as capacidades dos nossos filhos. Pelo contrário, nós proporcionamos segurança e educação para construir o melhor futuro possível.

Assim se forja uma personalidade confiante e firme, capaz de atravessar com tranquilidade as dificuldades do dia a dia com autoestima elevada e confiança plena em suas habilidades e competências. Mas, principalmente, com a plena consciência do “quão longe se pode chegar sem criar conflitos”.

Em suma, implementar limites e normas vai trazer benefícios relativos a estabilidade emocional da criança. Ela vai se sentir amada e valorizada pelos pais. Portanto, é conveniente nos questionarmos se devemos transmiti-los através do medo ou através do amor.

Limites e normas infantis: os benefícios

Embora as crianças resistam e não gostem da implementação de limites e normas com o objetivo de autoafirmar sua própria personalidade, não é ruim estabelecê-las nem lhes prejudica respeitá-las e cumpri-las. Seja paciente e insista com firmeza. Assim, os pequenos acabarão por reconhecê-las.

Isso ocorre porque os limites e as normas proporcionam à criança ordem e segurança. Essa sensação a envolve em uma espécie de guia a respeito do que deve fazer. Ao mesmo tempo, também é importante para o que é terminantemente proibido a fim de evitar problemas e favorecer a convivência boa e harmoniosa, tão necessária para o desenvolvimento pessoal.

Por esse motivo, fala-se de estabelecer limites e normas através do amor. Devemos utilizar o que é chamado “firmeza amorosa”, em vez de infundir medo e despertar temor. Dessa forma, você irá realizar o seu papel de mãe com a autoridade necessária, mas de uma forma saudável e com maior paciência.

Não é uma explicação suficiente a clássica formula paterna de “porque eu digo” ou “é assim e ponto, acabou”. A criança não chega a uma compreensão profunda dos motivos pelos quais não pode fazer determinadas ações. Ela não compreende efeitos e consequências. Nada é melhor do que oferecer os porquês oportunos.

Limites e normas

Pais, estabeleçam limites e normas com amor

O estabelecimento de limites e normas se tornou há vários anos a preocupação de pais e educadores. Eles passaram anos tentando descobrir como corrigir sem serem autoritários. E, ao mesmo tempo, evitando serem “moles” e assim cair em uma permissividade excessiva.

Infelizmente, as palavras disciplina e limite nos levam a pensamentos e emoções erroneamente negativos, pois foram usados em outros tempos de forma ditatorial. Os limites equivaliam a uma restrição ou proibição. A disciplina se referia à rigidez autoritária.

No entanto, ficou demonstrada a imperiosa necessidade de estabelecer limites e normas claras e coerentes. Pois é pouco benéfico dizer sim a tudo o que a criança desejar, incluindo aquelas ações contra sua saúde e bem-estar.

Então não se aflija se, ocasionalmente, você precisar dizer “NÃO” para seu filho. No fundo, embora ele fique chateado com essa situação, vai se sentir querido e protegido. Por sua vez, esse amor que sentir vai ajudar a ganhar um pouco de autocontrole.

Então, a implementação de limites e normas incide necessariamente no desenvolvimento de toda criança. Na verdade, passa a ser o centro do debate em uma simples questão de meios pelos quais devemos apostar no carinho. E não na crueldade e rigorosidade.

Consequentemente, a pergunta que tanto pais quanto educadores deveriam se questionar teria que ser: realmente sabemos estabelecer limites e normas capazes de desenvolver autoestima, estabilidade emocional e autonomia nas crianças?

Como estabelecer “referências” através do amor?

Por um lado, tememos perder autoridade ou mimar. Assim, acabamos falando coisas pouco agradáveis como “ou você faz o que eu mando ou você vai apanhar”, “melhor chorar do que ficar mal-acostumado” ou “coma tudo o que eu coloquei para você”.

Contrariamente, para evitar ferir, frustrar ou desapontar seu filho, evitamos colocar limites fundamentais. E aqui aparecem frases indesejáveis como as anteriores: “deixe-o fazer o que quiser, senão fica nervoso”, “dê mais doces senão ele chora”, “eu não digo ‘não’ por medo de meu filho não me amar mais”.

Limites e normas

No entanto, especialistas no assunto sinalizam que, no momento de estabelecer limites e normas, é preferível se apoiar no amor antes de basear suas ações no medo. Alguns especialistas, então, preferem falar de “referências” em vez de limites ou normas.

No que todos concordam é que as crianças precisam receber referencias corretas por parte dos seus pais. Eles têm que fixá-las necessariamente com amor e não com terror. Preferencialmente por meio de explicações e não por meio de imposições para o bem-estar da criança, e não para o nosso conforto.

Medo vs Amor

Os pensamentos que geram a imposição de limites e normas através do medo são: a preocupação com a saúde do pequeno, a autoridade da figura materna, o medo do desenvolvimento de uma personalidade infantil rebelde, o sofrimento ou a frustração da criança, ser uma mãe ruim, a educação da criança, a opinião dos outros, etc.

No lado oposto, os sentimentos que experimentam aquelas mães com uma motivação para fornecer referências através do amor são mais agradáveis. Nesse caso, as mães têm maior flexibilidade e uma maior aceitação do erro.

Quando os limites e as regras são ensinados através do medo, as mensagens recebidas pela criança demonstram uma mãe autoritária sem capacidade de escutar para atender as necessidades e demandas da criança. Assim, consequentemente, os pequenos sentem tristeza, raiva e tédio.

E o que interpreta uma criança quando as referências são fornecidas através do amor? Ela sente que é valorizada pela mãe, se sente amada e protegida, além de ouvida. Além disso, essa atitude afetiva gera felicidade e intensifica o vinculo entre mãe e filho.