O problema do amor romântico nos casais adolescentes

09 Janeiro, 2020
Desde pequenos, por meio dos filmes, dos livros, da cultura etc., as crianças e os jovens assumem certos ideais sobre o amor. Isso pode ser muito prejudicial na hora de estabelecer as primeiras relações de casal na adolescência.

Atualmente, o amor romântico nos casais adolescentes ainda está muito presente, embora a sociedade vá evoluindo em relação a esse tema e cada vez seja mais livre e aberta.

A visão sobre o amor vai se formando com o tempo, em função das experiências vividas, das mensagens transmitidas pelo ambiente próximo e das características próprias da cultura. Assim, atualmente, muitos jovens assumem certos ideais tradicionais do amor, mantendo relações tóxicas.

“Colocar limites no amor não significa colocar limites no sentimento.”

-Walter Riso-

Mitos do amor romântico

Ao longo dos anos, foram desenvolvidos diversos mitos sobre o amor romântico. Muitos deles pertencem à época medieval, mas foram perpetuados até o dia de hoje por culpa dos meios de comunicação, dos filmes, dos livros, etc. Alguns desses mitos são:

  • Mito da compatibilidade do amor e do maltrato: crença de que as brigas e a violência entre um casal são normais. Isso está muito relacionado com a clássica frase: “quem desdenha quer comprar”.
  • Mito do ciúme: crença de que o ciúme é uma parte fundamental do amor, em outras palavras, um sinal de amor verdadeiro.
O problema do amor romântico nos casais adolescentes

  • Mito da princesa delicada e do príncipe valente: os contos tradicionais narram a história de um príncipe valente que salva e conquista uma princesa doce e delicada. Assim, é incutida a imagem dos homens como heróis e das mulheres como pessoas indefesas, que não podem agir por si mesmas.
  • Mito da mudança por amor: convicção de que uma pessoa agressiva e violenta vai mudar a sua forma de ser dentro da relação. Esse ideal leva, sobretudo, as garotas a aguentar e suportar certas atitudes intoleráveis por parte de seus parceiros, porque creem que é questão de tempo até que eles mudem.
  • Mito de que só há um amor verdadeiro na vida: a ideia de que existe um único amor na vida, que não se pode deixar escapar.
  • Mito da metade da laranja: crença de que todo mundo tem uma pessoa que a completa. Dessa forma, ao longo da vida, ela tenta encontrar esse par perfeito.

O problema do amor romântico nos casais adolescentes

Os ideais tradicionais e os mitos do amor romântico contribuem para a formação de casais desiguais e insanos. Isso é especialmente perigoso na adolescência, já que nessa época são criadas as primeiras relações e experiências amorosas.

Tais relações são determinadas pelas influências sociais e culturais que, muitas vezes, defendem a ideia do amor unido ao esforço, ao sofrimento e à dor.

Tudo isso faz com que os jovens estejam propensos a serem agressores e vítimas da violência de gênero, pois podem ter dificuldades na hora de identificar comportamentos tóxicos, tolerando, assim, condutas inadequadas.

O problema do amor romântico nos casais adolescentes

Mas, além disso, existem outros fatores de risco que podem dar lugar à violência de gênero entre os adolescentes:

  • Ter vivido experiências de abuso dentro da família.
  • Ter amigos que mantêm relações violentas com os seus parceiros.
  • Apresentar uma autoestima baixa, tanto a vítima quanto o agressor.
  • Contar com poucas habilidades sociais e um baixo nível de empatia por parte do agressor.

Nesse sentido, temos que levar em conta que as primeiras experiências amorosas são fundamentais para o desenvolvimento de relações futuras.

Portanto, devemos ficar atentos aos possíveis comportamentos inadequados que os adolescentes possam ter com os seus companheiros, corrigindo as suas condutas e ajudando-os a estabelecer relações sadias e equilibradas.

“O sofrer não depende do amor, mas sim da obsessão, do desgaste ou do apego insano que um parceiro tem por você (isso não é amor!).”

-Silvia Congost-

  • Álvarez-Casal, A. B. (2014). Mitos del amor romántico y tolerancia de conductas violentas en las relaciones de pareja jóvenes (Trabajo de fin de grado). Leioa, UPV/EHU.