Como uma criança sobrevive em uma família disfuncional

· 15 de outubro de 2017

Alguma vez você já se perguntou o que acontece com crianças que vivem em um contexto de uma família disfuncional? Como elas sobrevivem e se desenvolvem? A seguir vamos contar a você a realidade que esses pequenos vivem.

As famílias disfuncionais são definidas por serem núcleos nos quais um ou vários dos seus membros não cumprem com as medidas de cuidado, proteção e educação necessárias para com o resto das pessoas do grupo familiar.

As causas da disfuncionalidade podem ser várias. Considera-se que essas famílias carecem dos recursos psicológicos fundamentais para que a convivência seja possível, de maneira que seus membros se deparem com vários obstáculos na hora de se desenvolverem emocional e psicologicamente.

Características da família disfuncional

Apesar das características estarem intimamente relacionadas com a problemática que causa a disfuncionalidade, elas podem ser agrupadas em:

  • Dependência excessiva. Os membros criam laços de dependência que impedem o desenvolvimento pessoal e limitam o crescimento.
  • Não pertencimento. Em famílias com membros muito afastados emocionalmente, aparece uma sensação de solidão e não pertencimento ao grupo familiar.
  • Falta de regras e limites. Ocorrem desequilíbrios de poder dentro do núcleo familiar, por isso surgem inseguranças e relações de dominância-submissão.
  • Hierarquia de poder invertida. Pais que vivem submetidos às vontades dos filhos, os quais se transformam em pequenos tiranos.

 

  • Grandes problemas de comunicação. A comunicação entre os membros é deficiente ou até mesmo nula. Essa falta de comunicação gera problemas de convivência e dificulta a capacidade de relação com outras pessoas.
  • Papéis e padrões de comportamento muito rígidos. Não há negociação nem possíveis alternativas para a resolução de problemas. O que foi estabelecido como regra é mantido aconteça o que acontecer.
  • Falta de empatia. Surgem muitas dificuldades para se colocar no lugar do outro e dar sentido às suas emoções e aos seus sentimentos.
  • Alto nível de manipulação emocional. Sentimentos de culpa, humilhações e chantagens ocorrem de maneira constante nesses contextos.

Consequências de ter uma família disfuncional para as crianças

Quando uma criança cresce em meio a uma família disfuncional, ela pode acabar adotando determinado papel que a ajude a sobreviver e a lidar com a situação. O problema é que em muitas situações esse papel acaba se estendendo ao resto dos contextos da sua vida.

A família é o primeiro cenário de socialização para qualquer pessoa. Tudo o que se aprende no meio familiar marca para o resto da vida.

Alguns dos papéis mais comuns são:

  • “Saco de pancadas”: Esse papel surge da sensação de culpa que a criança carrega. Ela foi culpada pelos problemas familiares, por isso pressupõe que vai receber as “pancadas” sempre.
  •  “Rebelde”. Não suporta nenhuma figura de autoridade, por isso nega a própria.
  •  “Guardião”. Crianças que precisaram assumir responsabilidades que deveriam ser dos adultos. Elas tiveram que resolver problemas familiares ou agir como mediadoras em conflitos entre seus pais.
  •  “Tirano”. Essa criança não conheceu regras nem limites e sempre conseguiu o que queria. Ela costuma ter modelos paternos de superproteção, o que acaba a deixando no topo da hierarquia de poder familiar.
  •  “Invisível”. Crianças excessivamente tímidas e quietas. Elas não receberam atenção emocional e por isso acabam reprimindo seus sentimentos, pois pensam que estes não merecem atenção. Elas consideram que não são dignas de serem amadas.pai conversando com filha

 

Resiliência vs. Família disfuncional

A resiliência é o poder de vencer as dificuldades que surgem e superar, assim, as circunstâncias que são adversas. É conseguir vencer as situações traumáticas e alcançar um desenvolvimento emocional e psicológico estável.

A capacidade de resiliência das crianças é enorme. Elas têm capacidade para enfrentar todo tipo de adversidade, mesmo quando o próprio núcleo familiar não lhe proporciona os recursos necessários para isso.

Como elas fazem isso? Basta terem uma pessoa que lhes sirva de base ou apoio. Se dentro da família existe pelo menos um membro que tem uma relação funcional com a criança, ela vai aproveitar esse vínculo para construir sua personalidade, selecionando as características mais positivas dessa pessoa.

Mas também não é necessário que essa pessoa faça parte do núcleo família. No colégio ou dentro do ambiente familiar mais extenso, a criança pode encontrar sua figura de apego que vai ajudá-la a reorganizar os padrões de comportamento adquiridos que dificultam seu crescimento.