Crianças que excluem outras: como agir?

É muito importante trabalhar as habilidades sociais com as crianças desde cedo para evitar comportamentos de exclusão entre os pares no futuro.
Crianças que excluem outras: como agir?

Última atualização: 25 maio, 2022

O pátio da escola pode ser um lugar cheio de brincadeiras e risadas, mas também de desentendimentos. Nesse espaço, meninos e meninas interagem, tomam decisões sobre quem gostam e quem não gostam e estabelecem suas primeiras relações sociais.

Muitas vezes, podemos ver que nas dinâmicas espontâneas há crianças que excluem outras e os adultos nem sempre sabem o que fazer. Se esse for o seu caso, você pode continuar lendo para entender mais sobre o assunto.

Crianças que excluem outras: como agir?

A seguir, vamos trazer algumas recomendações para melhor enfrentar essa situação com seus filhos.

Pergunte e ouça

É importante que você não desconsidere as razões pelas quais as crianças excluem outras da mesma idade.

Muitas vezes, os adultos pensam que sabem tudo sobre a vida ou o comportamento de seus filhos, mas na escola há muitas situações desconhecidas.

“Me parece que você nunca quer brincar com X. Há algo errado?”: isso pode ser um começo de conversa se você acha que é seu filho que exclui os outros.

Mãe conversando com a filha sobre exclusão.
Não se esqueça de encontrar um momento para perguntar aos seus filhos sobre a situação que está ocorrendo na escola ou no ambiente social.

Pense nas razões

Depois de saber o que acontece nesse contexto e por quê, pense no melhor curso de ação antes de executar seu plano.

Às vezes, as crianças decidem não se reunir com um determinado colega porque ele as intimida ou porque as ataca de alguma forma.

Descobrir que seu filho exclui um colega de classe porque ele se comporta de forma agressiva não é o mesmo que descobrir que ele o exclui porque gagueja ao falar. Em um caso, é mais uma defesa, enquanto no outro é um ato de discriminação que não deveria ser permitido.

Não force seu filho a gostar de alguém. Ensine-o a não ser desagradável

Seu filho não precisa ser amigo de todos os colegas de classe, especialmente daqueles que ele não gosta. Mas isso não significa se voltar contra alguém ou nunca participar de um jogo.

Além disso, é importante ensinar ao seu filho que existem diferentes graus de intimidade nas relações sociais, que às vezes é bom jogar em dupla, mas que também é possível se divertir naqueles jogos em grupo em que todos participam.

Incentive-o a se colocar no lugar daquele parceiro que está excluído

Incentive a empatia e peça para seu filho pensar em como ele se sentiria se ele próprio não tivesse ninguém para brincar no recreio. Você pode até ensaiar a estratégia em casa, com uma situação que lhe é familiar. Por exemplo, “Como você se sentiria se eu sempre convidasse sua irmãzinha para assistir filmes na nossa cama e deixássemos você de fora?”

Muitas vezes, e dependendo da idade, as crianças acham certos comportamentos engraçados, mas não conseguem projetar ou medir o alcance que têm ou os danos que podem causar.

Preste atenção à frequência desse evento

Não é igual quando é uma questão isolada, uma “semana ruim” no grupo, e um episódio repetido ou prolongado.

Acompanhe o tópico

Embora você ouça seu filho e tome medidas sobre o assunto, não pense que isso é suficiente. É importante que você continue perguntando como estão as coisas e se algo mudou no grupo.

A rejeição dos pares tem um grande impacto no desenvolvimento psicológico e emocional das crianças, por isso não deve ser subestimada.

Ajude-as a fazer parte

Às vezes, para as crianças fazerem parte de um grupo, temos que acompanhá-las. Por exemplo, quando elas são deixadas de fora do ambiente de pares porque as atividades extracurriculares são organizadas e nós, como adultos, não as levamos nem permitimos que elas saiam. Então elas não terão histórias para compartilhar ou não entenderão certos tópicos de conversa.

Envolva a comunidade educativa

Dependendo da gravidade do conflito, é crucial que os professores saibam que existe uma situação embaraçosa entre os pares. Às vezes, eles não percebem porque acontece no recreio e durante as brincadeiras, mas não no horário da aula.

Dessa forma, você poderá fornecer ferramentas para organizar dinâmicas de integração e estimular o desenvolvimento de habilidades sociais, que permitem que as crianças se conheçam e melhorem a convivência escolar.

Professora ensinando a seus alunos a autogestão da aprendizagem.
Promover a integração na escola e em casa é uma estratégia importante para ajudar a desenvolver a empatia e as habilidades sociais.

Quais problemas nós adultos devemos evitar?

Aqui estão algumas recomendações para manter em casa:

  • Não subestime o que acontece com seu filho. Não exagere ou torne isso pessoal, mas também não tome isso como “coisa de criança”. Pergunte e explore mais. Às vezes aparecem os primeiros sinais de uma dinâmica de exclusão muito mais complexa.
  • Não reaja mal, evite culpar. Não adianta gritar com outros pais ou professores. Tente manter a calma e pensar em como você pode ajudar. Por outro lado, evite frases que parecem buscar responsabilidade, como “Você não empresta seus brinquedos”, “Você sempre está de mau humor”. Culpar seu filho só cria mais insegurança e não o ajuda a resolver o problema. A única coisa que você consegue assim é ele não querer lhe contar mais nada.

Olhar no espelho

Talvez essa seja uma das partes mais difíceis: saber como se é e qual é o exemplo dado aos filhos.

Ao olharmos para nós mesmos, podemos descobrir que mais de uma vez temos comportamentos segregadores e nisso também comunicamos valores. Classe, religião, etnia, aparência e muito mais devem fazer parte das conversas cotidianas em casa. Se percebermos que às vezes não somos o melhor exemplo, é um bom momento para reverter isso.

A educação e a criação dos filhos é uma questão que nos toca e nos desafia.

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  • García-Bacete, Francisco-Juan; Lara Carrión, Ana; Monjas Casares, Mª Inés ¿POR QUÉ LOS NIÑOS NO QUIEREN JUGAR CON OTROS NIÑOS? UN ANÁLISIS EXPLORATORIO DE LOS MOTIVOS DE RECHAZO ENTRE IGUALES. International Journal of Developmental and Educational Psychology, vol. 1, núm. 1, 2005, pp. 257-268 Asociación Nacional de Psicología Evolutiva y Educativa de la Infancia, Adolescencia y Mayores Badajoz, España