Desde que você chegou, meu coração deixou de me pertencer

· 21 de setembro de 2018
Desde que você chegou, nada mais foi igual em minha vida, filho. Você invadiu meus dias para mudar sua cor e seu aroma.

Desde que você chegou, nada mais foi igual em minha vida. Você se transformou, sem mais nem menos, na música de minhas manhãs e no meu melhor sorriso toda tarde. Definitivamente, tudo mudou com a sua presença.

Desde o momento que você chegou, soube que nada mais seria igual. No entanto, pouco me importava com tudo. Pois a única coisa que desejava com todo meu coração era ter a possibilidade de te amar todos os dias. Assim como faço hoje, e como farei sempre.

E se tenho certeza de algo, é que no exato instante em que te vi pela primeira vez, compreendi que meu coração deixaria de me pertencer. Sim, pequenino, ainda que você não acredite, enquanto te senti de perto, entendi que, ainda que sem querer, você seria dono dessa parte do meu corpo.

Inclusive, para ser mais exata, devo admitir que quando soube de sua existência com aquele teste de gravidez, você se apoderou dos meus pensamentos. No dia em que comecei a sentir sua vida se agitando em meu interior, apreciei o modo em que você alterava meus sentimentos.

No dia em que você chegou, roubou meu coração

você chegou

No dia em que você chegou e que conheci seu doce rosto angelical, me apaixonei perdidamente. Ao sentir o aroma da vida que sua pele exalava e impregnava em minha vida, caí rendida diante dos seus pequeninos pezinhos. Fiz carinho em você e, ao sentir a suavidade de sua pele, compreendi que você era e seria tudo o que fosse bom em minha vida.

Você pegou minha mão com esses pequenos dedos esticados e enrugados. Por reflexo, inesperadamente, você deu seu primeiro sorriso. Foi assim que eu assumi, naquele instante, que alguém havia finalmente roubado meu coração. Por isso mesmo, eu havia deixado de ser dona do meu coração, e, pior, esse órgão só batia por e para você.

Com as primeiras cólicas, choros e vacinas, experimentei coisas que nunca havia sentido antes. Sim, seu choro me causava uma dor nunca antes sentida, nem imaginada. Seu sofrimento, mal-estar, incômodo ou dor fazia com que meu coração ficasse apertado.

Fazer você dormir em meu peito equivalia a sentir paz. Ter você em meus braços era abraçar e me apegar ao amor infinito que você tinha e ainda tem para dar. Que lindo foi conhecer de perto esse anjo que Deus me enviou para iluminar cada dia e que rega de felicidade meu lar.

Você cresceu e eu aprendi a ter meu coração fora do corpo

O tempo foi passando. E pode ser que o amor tenha se mantido em iguais dimensões, ou inclusive multiplicado por mil. No entanto, algo necessariamente mudou. Com sua independência e autonomia, chegaram suas primeiras atividades sozinho, sem a mamãe.

Os medos e as incertezas começaram a me governar. No entanto, o meu desejo de que um dia você esticasse suas asas e voasse o mais alto que pudesse me trazia tranquilidade. Foi assim que eu te deixei crescer. Sabendo que, sempre que você saía de casa, algo em meu interior se modificava.

você chegou

Todo meu organismo estava se adaptando a esse momento. Sair para brincar, ir para a escola, para a casa de um amiguinho ou ao clube para praticar esportes. Tudo dava na mesma, meu corpo sabia que eu ficaria com o coração na boca. E ali, tive que aprender a deixar ir o meu coração.

Agora, meu coração te segue

Sim, filho, meu coração te segue a cada passo. Ele vai para onde quer que você esteja. Com sua chegada, eu me acostumei ao fato de que meu coração deixasse de me pertencer. Pois já não respondia a mim, senão a tudo o que acontecesse com você. Mas conforme os anos se passaram, tudo mudou. O amor deu mais um passo a frente.

Tive que me acostumar ao fato de que meu coração se manteria fora do meu corpo. E caso você pergunte, não, não dói nada. Pelo contrário. É a coisa mais satisfatória e gratificante que pode acontecer com uma mãe. É que somente dessa maneira saberei o que realmente é a maternidade.

Somente dessa forma sentirei o alívio de estar fazendo mais do que bem meu trabalho. Ainda que às vezes eu me sinta e admita que sou imperfeita para esse papel, sei que tento fazer o melhor. Porque a maternidade vai além de uma mera função biológica. Ser mãe, meu sol, é simplesmente te amar como eu te amo, com toda a força de meu coração.