8 dicas para gerar espaços de comunicação familiar

A importância da comunicação familiar não deve ser subestimada, pois representa um espaço de negociação, crescimento e desenvolvimento.
8 dicas para gerar espaços de comunicação familiar

Última atualização: 20 junho, 2022

Como estamos? Como nos sentimos? O que está acontecendo em nossa família? Muitas vezes, vivemos sob o mesmo teto, mas não sabemos o que acontece com os outros, o que lhes preocupa ou o que eles querem, mas não sabem especificar.

O turbilhão da vida cotidiana nos leva a supor que, se algo acontecer com nossos coabitantes, eles nos dirão. Ou ainda, podemos estar acostumados a manter conversas mais superficiais no carro a caminho do trabalho ou da escola, em meio ao caos do trânsito.

Dessa forma, minimizamos a importância do diálogo e todo o apoio, alívio e até distração que podemos encontrar nele. Vamos ver o que está faltando e começar a gerar mais espaços para a comunicação familiar.

Por que estimular o diálogo na família?

Promover o diálogo é de enorme importância para o bem-estar da família e, além disso, é a principal forma de acesso à vida dos outros. Principalmente a dos nossos filhos.

Além disso, as conversas são o antídoto para suposições, mensagens implícitas e distorções ou confusões sobre a realidade.

O diálogo nos permite crescer e pensar em nós mesmos, pois ao ouvir o outro acabamos entendendo o que antes não conseguíamos.

Crie espaços para a comunicação familiar

Hábitos saudáveis de jantar em família
A família é a primeira escola, e as crianças aprendem com ela através da observação e das rotinas diárias. Por isso, incentive espaços de diálogo para a troca de experiências.

1. Escolha momentos para conversar

Procure criar espaços onde todos possam conversar de maneira descontraída, como nos café da manhã, no jantar ou nos finais de semana. Pergunte foi o dia das outras pessoas, qual foi a coisa mais legal que aconteceu com elas e o que não foi tão legal assim.

Além disso, gere um clima de conversa agradável, não com tons declarativos, e evite pressas.

Uma recomendação útil é organizar planos familiares que ajudem a compartilhar o tempo, a se conhecer e a fortalecer os laços.

2. Mantenha uma escuta ativa

Tente promover uma troca fluída. Evite monopolizar a conversa e também os sermões ou o “eu avisei”. O pior inimigo do diálogo e da confiança é a atitude de sabe-tudo.

É preciso saber identificar os momentos certos para intervir e diferenciar daqueles em que buscamos saber como está o outro.

Por exemplo, quando você acha que algo pode estar acontecendo com seu filho ou logo após um filme revelador, use uma cena para introduzir uma pergunta ou dar um exemplo. Até para abrir o espaço para uma conversa casual.

4. Evite invalidar as emoções de seus filhos

Quando você reprime sentimentos, deixa seus filhos com a ideia de que não é certo se expressar naturalmente. Dessa forma, você fecha o espaço para dialogar e conhecer seu mundo interno.

Se seu filho não é uma pessoa muito expressiva, ajude-o a se conectar com suas emoções e compartilhe as suas com ele. Tampouco é recomendado forçar as conversas, pois é preciso saber dar espaços e deixar o caminho aberto para quando precisarem.

Outro fato importante é evitar minimizar o que eles nos dizem ou zombar de seus sentimentos.

5. Procure soluções ou façam sugestões juntos

A comunicação também é mais fluida quando quem participa se sente valorizado e ouvido. Por isso, é importante que haja espaços de negociação na família.

Por exemplo, que as crianças possam escolher algumas atividades de fim de semana, que tenham responsabilidades ou que participem no estabelecimento de certas regras.

6. Implemente uma linguagem comum para melhorar a comunicação familiar

Muitas vezes, os adultos estabelecem uma distância com as crianças porque nos movemos no “mundo dos adultos”. Por exemplo, usamos palavras “espartilhos” ou rígidas, em vez de tentar nos mover em seu universo ou usar expressões mais cotidianas e amigáveis para elas.

A empatia e a conexão com nossos filhos são condições favoráveis para um diálogo rico. Mas isso requer que os escutemos e entremos em seu mundo.

7. Incentive a honestidade

Gerar espaços de comunicação familiar implica criar um ambiente seguro, no qual possamos ser quem somos e absolutamente genuínos com os outros. É aceitar também que nem sempre vamos ouvir o que queremos ou esperamos, mas, apesar das diferenças, o respeito deve sempre prevalecer.

Pai pedindo perdão ao filho para consertar os danos causados após gritar com ele.
Ensine seu filho a ser sincero pelo exemplo de sua honestidade. Seja humilde também, reconheça seus erros e peça desculpas quando errar.

8. Não use apenas palavras

Por fim, é preciso ressaltar que o diálogo não se limita à troca de palavras. Muitas vezes não as encontramos, mas podemos acompanhá-las com um gesto, com um abraço.

Além disso, devemos estar cientes de que nossa linguagem não verbal comunica muito mais do que o que dizemos.

Pensar em nós mesmos primeiro

Muitas vezes, geramos um diálogo ou fazemos uma pergunta sem que realmente estejamos dispostos a conversar. Assim, nos encontramos com um grito desconsolado do outro lado ou com uma reivindicação para a qual não estávamos preparados, seja por falta de tempo, desejo ou enorme cansaço.

Portanto, antes de começar a conversar com seu filho, seja honesto consigo mesmo, reconheça como se sente no momento e escolha se quer ou não participar da troca. É válido e saudável reconhecer a falta de intenção, porque não há nada pior do que forçar algo.

Devemos dar à palavra o lugar e a importância que ela merece. Uma conversa não deve ser iniciada no piloto automático, pois isso pode levar a uma sensação de falso interesse. Reconhecer nossas emoções e aceitar que hoje não podemos é necessário. É cuidar de si mesmo e cuidar de todos os outros.

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  • Techera, Deborah, & Modzelewski, Helena, & Fernández, Jacqueline (2016). Educar emociones desde la familia: un caso experimental en Uruguay. Revista Latinoamericana de Estudios Educativos (México), XLVI(1),95-118.[fecha de Consulta 10 de Mayo de 2022]. ISSN: 0185-1284. Disponible en: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=27044739005