5 dicas para prevenir transtornos alimentares em adolescentes

De casa temos que prevenir o aparecimento de transtornos alimentares em adolescentes. As rotinas familiares, o estilo parental e a comunicação são fundamentais nesse sentido.
5 dicas para prevenir transtornos alimentares em adolescentes

Última atualização: 11 fevereiro, 2022

A adolescência é uma fase crítica no desenvolvimento dos transtornos do comportamento alimentar (TCA). A pressão social, a baixa autoestima, a necessidade de se encaixar ou a dificuldade de gerenciar as emoções aumentam nesse período e podem levar a desfechos fatais. Por isso, prevenir os transtornos alimentares em adolescentes é uma das tarefas fundamentais que devem ser realizadas em casa.

A família é um agente socializador de primeira ordem: transmite valores e hábitos e influencia significativamente o modo de vida dos jovens. Atitudes aprendidas em relação à alimentação, ao próprio corpo, à imagem e à saúde física e mental podem funcionar como fatores protetores ou predisponentes para esse tipo de transtorno. Então, como podemos proteger nossos jovens? Aqui estão algumas orientações básicas.

Os transtornos alimentares em adolescentes

Os adolescentes são a população mais vulnerável em termos de desenvolvimento de transtornos alimentares.

Além de uma obsessão pela imagem corporal, nos deparamos com síndromes complexas que geram grande sofrimento emocional e colocam em risco a saúde das pessoas. Muitas vezes, esses transtornos duram anos e causam sérios problemas físicos e emocionais que podem ser irreversíveis. Portanto, a prevenção é uma prioridade.

Para evitá-los, devemos primeiro saber com o que estamos lidando. A questão é que embora os termos anorexia e bulimia sejam geralmente conhecidos, nem todos sabem em que consistem e outros tipos de transtornos alimentares são desconhecidos.

Então, se você é mãe de um adolescente, o primeiro conselho é claro: mantenha-se informada através de fontes claras e confiáveis.

Adolescentes com transtorno alimentar.

Como prevenir transtornos alimentares em adolescentes?

Além do exposto acima, é importante aplicar uma série de diretrizes e princípios desde sempre. Lembre-se de que, embora na adolescência o grupo de pares desempenhe um papel predominante, é em casa que se adquirem as ferramentas pessoais mais importantes.

1. Ajude seus filhos a desenvolver um bom relacionamento com a comida

A relação com a comida começa a se desenvolver desde o nascimento, continua com a amamentação e, posteriormente, com os alimentos sólidos. Para incentivar a criança a se desenvolver de forma positiva, é importante ensinar a ela que a comida é a “gasolina” do corpo e que comer bem é um ato de amor ao próprio corpo.

Assim, a prioridade e a linha de base devem ser a saúde e não a estética.

Nesse sentido, devemos permitir que as crianças atendam aos seus sinais de fome e saciedade, não forçá-las a comer nem chantageá-las ou suborná-las com alimentos.

Da mesma forma, as refeições devem ser momentos agradáveis e descontraídos, sem conflitos, discussões ou distrações (como o celular ou a televisão).

2. Crie rotinas e hábitos familiares

Foi demonstrado que as crianças que costumam comer em família têm um risco menor de desenvolver distúrbios alimentares do que aquelas que não comem.

A hora da mesa em família, por um lado, permite que os pais deem o exemplo de alimentação saudável. E, por outro lado, incentiva toda a família a partilhar o mesmo cardápio e impede os jovens de optarem por opções prejudiciais. Além disso, conversas agradáveis nesses momentos são muito positivas para fortalecer os laços familiares.

Também é muito benéfico fazer exercício físico em família regularmente. Dessa forma, o autocuidado e os hábitos de vida saudáveis são promovidos de forma prazerosa e natural desde os primeiros anos.

3. Construa uma forte autoestima em seus filhos

A baixa autoestima é um importante fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares na adolescência.

Seus filhos precisam desenvolver uma autoestima sólida e consistente, reconhecer suas qualidades, aceitar seus defeitos e se valorizar por quem são, além da aparência física.

Esse amor incondicional por si mesmo lhes permitirá enfrentar as pressões dos grupos próprias da idade, bem como os mandatos estéticos promulgados pela mídia e pelas redes sociais.

4. Informe-os sobre os riscos

Embora possa parecer desnecessário, é importante conversar abertamente com os adolescentes sobre o que implica um TCA. Temos que dizer a eles os sintomas, as causas e as consequências, porque eles devem saber os grandes riscos que representam para a saúde e que não é uma brincadeira.

Compartilhar essas informações com eles pode ajudá-los a reconhecer quando estão em risco e incentivá-los a pedir ajuda.

Da mesma forma, precisamos estar atentos às preocupações e às necessidades dos nossos filhos. Se estiverem preocupados com a sua imagem ou com o seu peso, devemos sempre procurar profissionais que podem ajudá-los individualmente.

5. Ensine-os a cuidar da saúde mental para prevenir transtornos alimentares

Mãe abraçando seu filho adolescente na cozinha em casa

Finalmente, devemos lembrar que os transtornos alimentares são condições psicológicas. Portanto, problemas de ansiedade ou depressão, ser vítima de bullying ou passar por um período pessoal ou familiar complicado podem atuar como gatilhos.

É essencial ensinar os nossos filhos a gerir as suas emoções, dar a eles confiança para se expressarem e contar conosco para o que quiserem. E se isso não for suficiente, procure ajuda profissional.

O estilo parental parental está relacionado com o aparecimento de transtornos alimentares. Por isso, devemos optar por uma educação democrática, em vez de um estilo autoritário, permissivo ou indiferente.

Nem sempre é possível prevenir transtornos alimentares em adolescentes

Embora os pais se esforcem para aplicar todos os princípios acima, nenhum adolescente está isento de sofrer algum transtorno alimentar em algum momento. Assim, a detecção precoce torna-se essencial.

Como pai ou mãe, é preciso estar atento aos sinais e buscar ajuda profissional desde o primeiro momento. Deixar o transtorno progredir só piorará as repercussões na saúde física e mental de seus filhos.

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