Dislalia: meu filho pronuncia mal as palavras

3 de outubro de 2018
Quando uma criança mostra dificuldade para pronunciar certos sons ou substitui determinadas consoantes, isso pode gerar reações exageradas e o estigma de "criança problemática", cujos pais não se esforçaram para corrigir sua maneira de se expressar.

Essa é uma teoria que pode ser derrubada pela luz da ciência. Se uma criança que tem entre 3 e 5 anos de idade pronuncia mal as palavras que tenham as letras s, r, l e d, ela pode sofrer de dislalia infantil.

À medida que uma criança cresce, ela adquire vocabulário. Sua maneira de se expressar enriquece e cada vez ela pronuncia melhor as palavras em relação a quando aprendeu a falar.

Naturalmente, haverá certos sons mais complicados de emitir. Contudo, com a correção e a estimulação correta, seu filho conseguirá pronunciar perfeitamente qualquer palavra.

No entanto, existem marcos o desenvolvimento infantil que ajudam a determinar quando a criança tem mesmo um problema, tal como a dislalia infantil.

A dislalia é um transtorno de linguagem que se caracteriza pela dificuldade que uma criança, entre os 3 e 5 anos de idade, tem para pronunciar alguns sons. Principalmente, sons que envolvem consonantes como s, r, l e d.

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Como identificar a dislalia

Esse transtorno pode consistir na omissão para simplificar uma combinação de consoantes, como trocar “globo” por “gobo”; ou a característica substituição da letra d pela letra r em certas palavras. Por exemplo, uma criança pode dizer “dosa” no lugar de “rosa”.

Também é conveniente saber que existem diferentes tipos de dislalia. Assim, quando a dislalia afeta apenas um som, como ocorre nos exemplos anteriores, é classificada como simples. Contudo, quando afeta vários fonemas, é classificada como múltipla.

Também existem casos em que a linguagem de uma criança com dislalia é tão afetada que pode se tornar incompreensível. Principalmente para quem não convive com ela e desconhece os sinais que utiliza para se comunicar com seus pais.

Outras vezes, a dislalia é múltipla e empobrece a fala, tornando difícil o diagnóstico do transtorno por parte dos especialistas.

A partir da perspectiva de desenvolvimento, esse transtorno, sobretudo, dificulta o desenvolvimento da criança na escola. Dessa forma, é provável que não conseguirão entender o que ela quer dizer.

Entretanto, as crianças com dislalia geralmente se expressam numa linguagem que se caracteriza por certa normalidade. Elas conseguem expressar suas ideias, mas se destacam ou persistem sons ou emissões fonéticas não-corretas.

Outro ponto a destacar é que esse transtorno do desenvolvimento da pronúncia se apresenta sem que haja problemas anatômicos, motores ou neurolinguísticos.

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A dislalia é superável

Também é conveniente que se saiba que a dislalia é o transtorno de linguagem mais comum nas crianças. Ele é o mais conhecido e o mais fácil de identificar. Além disso, segundo os dados da Associação Espanhola de Pediatria, a dislalia quase sempre é transitória.

O transtorno tem varias fases dentro do desenvolvimento da linguagem da criança. Ele, finalmente, termina quando a criança aprende a pronunciar corretamente todos os fonemas.

No entanto, a pronúncia errada de certos fonemas de forma persistente, após os 4 anos de vida, requer um estudo e uma abordagem específica.

Uma das recomendações para melhorar esse transtorno, é recorrer à terapia da fala.

A intervenção da terapia da fala tem como finalidade a prevenção, o diagnóstico, a previsão, o tratamento e a avaliação integral dos transtornos da comunicação humana. Sempre levando em consideração os transtornos da fala ou da linguagem.

Usualmente, a resposta ao tratamento pela terapia da fala é favorável. Entretanto, no caso de uma dislalia que persiste por mais tempo, se não impedir a nitidez da fala e se a criança buscar adaptações espontâneas, é melhor não prolongar essa terapia.

Pontos chave para cuidar da dislalia

  • O primeiro passo no processo de diagnóstico de uma criança com atraso/transtorno de linguagem é averiguar se estamos diante de um transtorno global ou limitado somente à linguagem.
  • Não é preciso esperar até os 3 anos para avaliar um atraso de linguagem. Isso porque a intervenção precoce influencia de forma positiva na posterior evolução.
  • O transtorno de linguagem se apresenta inicialmente como um atraso. Caso persista e afete a comunicação, então se classifica como transtorno.
  • Caso o problema não seja detectado na fase pré-escolar, pode afetar negativamente o aprendizado da linguagem. Posteriormente, a criança pode apresentar dificuldades no aprendizado da leitura e da escrita.
  • Os estudos demonstram que os meninos estão somente de 1 a 2 meses atrasados em relação às meninas no desenvolvimento do vocabulário e da gramática.
  • Crianças que convivem em famílias que utilizam mais de um idioma em casa podem demonstrar leves atrasos e misturar as línguas no início.