Dispraxia: uma condição que afeta algumas crianças

· 11 de maio de 2017

A dispraxia é uma condição que afeta a algumas crianças e que em oportunidades passa inadvertida perante pais e professores. Se você acredita que esse pode ser o caso de seu filho, leia abaixo algumas considerações importantes.

Desenvolvimento típico

O desenvolvimento da maioria das crianças costuma ser previsível e similar a outras crianças de sua idade, ou seja, típico. Sendo assim, a maioria das crianças se senta mais ou menos na mesma idade, ou aprendem as cores mais ou menos ao mesmo tempo, sempre dentro de um intervalo que se caracteriza por ter certa amplitude. Só que algumas vezes esse período esperado não acontece.

Que exista algo dentro do desenvolvimento de uma criança que não caminhe ao ritmo necessário não é uma calamidade, mas é algo que precisa ser pensado e acompanhado, para justamente ficar esperto com uma condição conhecida como dispraxia.

 O que é a dispraxia?

A dispraxia é um transtorno que impacta no desenvolvimento da coordenação. As crianças que tem essa condição têm dificuldades para planejar e coordenar movimentos finos como escrever, cortar, amarrar os sapatos, colorir e em geral ter precisão com suas mãos.

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Também ficam evidentes as dificuldades para planejar os movimentos dos músculos orofaciais (relativos à face e à boca), implicando em dificuldades para articular palavras corretamente. Em algumas ocasiões também se notam dificuldades a nível motor, por exemplo, para se locomover nos espaços disponíveis, com quedas e perdas de equilíbrio com facilidade.

Como todas as alterações no desenvolvimento do corpo se apresentam em graus diferentes, algumas crianças podem ter uma dispraxia mais severa do que outras. Em todo caso, essa é uma condição que acompanhará seu filho por toda a vida, mas com um acompanhamento desde o começo e de qualidade ele superará boa parte dos problemas, e mesmo com as dificuldades citadas elas não vão ser um problema grande na vida adulta.

Em muitos casos a dispraxia é uma de várias condições que podem surgir no quadro médico da criança junto com déficit de atenção, dificuldades na aprendizagem e outras.

Sinais de dispraxia

Se você observa que seu filho apresenta algumas dessas características, consulte seu pediatra, um terapeuta ocupacional ou um especialista em motricidade infantil:

  • Dificuldades para pronunciar corretamente algumas palavras específicas
  • Dificuldades para organizar em sua cabeça um discurso e expressar orações largas. Com isso, é um costume da criança pular palavras ou “falar desorganizadamente”
  • Tem dificuldade em lançar uma bola ou segurá-la, pular corda, montar na bicicleta e usar os brinquedos no parque.
  • Tem dificuldades para executar algumas atividades escolares como cortar com a tesoura, colorir, unir pontos e desenhar.
  • Parecem mais “desajeitados”: tropeçam com facilidade, caem muito e se chocam com objetos e paredes.
  • Tem problemas em terminar a tempo atividades escolares que impliquem escrever.
  • Parecem desatentos.
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O que fazer?

  • A primeira coisa que deve ser feita é entender que seu filho não é desajeitado, nem descuidado ou lento na escola. Ele tem uma dificuldade real e por isso precisa de um apoio especializado que o ajude a superar do melhor jeito possível.
  • Em segundo lugar, lembre-se que apoio da mamãe é básico para as crianças, você deve se converter em sua treinadora, em seu motor e inspiração para enfrentar os desafios diários. Se você é sua fortaleza e se sua criança conta com você, ele sempre vai querer seguir tentando.
  • Procure a ajuda especializada de um terapeuta ocupacional ou um especialista em psicomotricidade. Só assim seu filho poderá ir superando a dispraxia. Quanto mais cedo você começar, melhores serão os resultados obtidos e menor será o dano à autoestima de seu filho. E menor também será o esforço que terá que fazer para superá-la.
  • Em casa evite passar tarefas que superem suas capacidades atuais. Converse com seu terapeuta ocupacional para que juntos você escolham que tipo de tarefas domésticas poderá fazer sem necessidade de frustrar-se. Por exemplo, se as capacidades atuais de seu filho não permitem que ele sirva a água de uma jarra, não passe essa tarefa para ele no jantar, já que isso pode causar uma situação embaraçosa. Isso não quer dizer que ele nunca vai poder servir a água de uma jarra, é simplesmente que agora ele não pode, mas com tratamento ele logo pode superar essa questão.
  • Evite fazer comentários em público que o deixem exposto ou ataquem seu orgulho.
  • Você já ouviu falar sobre o esforço a mais? Aqui você vai ter que testar sua paciência. Por um tempo você vai precisar dessas doses a mais para respeitar seu ritmo e entender suas dificuldades, perdoando escorregadas, derrubada de objetos e outros probleminhas. Seu filho com dispraxia precisa de sua paciência, solidariedade e calma.
  • Não o compare com outros, nem com seus irmãos, nem com amigos. Ele é único, com suas virtudes e defeitos.
  • Faz ele sentir quanto você o estima e valoriza seu esforço. Acompanhe seus progressos. Ensine sobre otimismo.
  • Reconheça e valorize seus pontos fortes: neste momento é importante que ele saiba que nem tudo que faz é errado. Destaque sua lista de virtudes para ele perceber que elas são mais importantes que os defeitos.
  • Não tenha dúvidas: ser diferente é algo comum.