Dúvidas sobre o TDAH que podem prejudicar a família

· 1 de janeiro de 2019
Uma família unida pode ser afetada simplesmente se um dos seus integrantes sofrer de um problema.

Uma criança que sofre de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) representa um desafio que toda família deve enfrentar.

No entanto, nem sempre o maior problema é o transtorno em si, e sim os mitos em torno dele e sua implicação na vida social de quem sofre dessa síndrome.

Geralmente, o TDAH se manifesta na infância. Mas infelizmente uma grande porcentagem das crianças que padecem dessa síndrome não são diagnosticadas corretamente.

Da mesma forma, são muitas as vezes que o transtorno é tratado como malcriação, falta de atenção dos pais ou elementos próprios da personalidade da criança.

Em particular, os mitos derivados da presença do TDAH na infância podem provocar sérios danos para a família, já que o problema começa a ser tratado de maneira errada e consequentemente nunca é superado adequadamente.

Falsas crenças sobre o TDAH que afetam a família

Nos deixar levar por falsas concepções sobre esse sério problema pode provocar consequências indesejadas na família, pois podemos formar uma ideia diferente e muito equivocada sobre o que está acontecendo na realidade.

Nesse sentido, o principal a se ter em mente é que nunca é demais consultar um especialista. Devemos tentar ser sinceros com nós mesmos sobre a importância da situação.

Intervir oportunamente pode prevenir que os sintomas do transtorno se tornem mais complexos e que as consequências sejam permanentes.

Os mitos mais comuns sobre o TDAH são:

1 – O TDAH não existe

o TDAH

Muitas pessoas afirmam que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade nem sequer é um transtorno.

Elas acreditam que se trataria de uma invenção comercial para apoiar o consumo de certos produtos farmacêuticos e o aumento das consultas médicas em torno disso.

Contudo, a síndrome começou a ser documentada no século XIX e nos anos seguintes já foi vinculada com alterações no cérebro.

É uma doença que pode variar o seu aspecto segundo seus sintomas de acordo com a cultura do paciente. Quando não é tratada, causa a falta do desenvolvimento profissional, propensão ao consumo de drogas, pobreza e exclusão.

2 – O tempo cura o TDAH

Não se trata de uma característica própria de uma idade específica que evolui favoravelmente. Ou seja, não se cura na adolescência e às vezes nem sequer na idade adulta.

Ainda que seja bastante provável que as crianças que sofrem desse transtorno melhoram na adolescência, existe uma grande porcentagem de indivíduos que não o superam.

Essa crença incorreta talvez seja fundamentada no fato de os sintomas dessa doença geralmente diminuírem com o tempo, chegando a se tornar quase imperceptíveis.

Isso acontece porque, ao amadurecer, o indivíduo consegue se controlar e canalizar os seus impulsos de outra forma. Além disso, o tratamento oportuno permite melhores probabilidades de uma convivência saudável.

3 – Não é TDAH, é malcriação

Geralmente, os sintomas de uma criança que sofre de TDAH são impossíveis de serem controlados por ela. Além disso, representam uma inquietação muito característica da idade.

Portanto, muitas vezes relaciona-se esse comportamento com o resultado de uma educação deficiente ou de pouco controle por parte dos pais.

No entanto, os impulsos que são gerados a nível neurológico formam parte das condições do transtorno. Por isso, não são voluntárias.

Ainda que seja conhecida a possibilidade de existir certa herança genética, o TDAH não é culpa dos pais e nem é causa de uma criação errada.

Por outro lado, é possível que pela falta de clareza no estabelecimento de regras, pela ausência do tratamento ou por ter sofrido uma experiência traumática na família, a manifestação dos sintomas se torne pior. 

4 – O tratamento farmacêutico para o TDAH é perigoso

o TDAH

Um crença difundida é que em alguns casos o remédio pode ser pior do que a doença. Nesse caso, muitos pais preferem recorrer à administração de medicamentos como último recurso.

Por isso, recorrem à terapia psicológica sem complementar com remédios, por um medo infundado de que os remédios são perigosos.

Esse mito implica que não é suficiente o apoio psicológico e familiar, que pode gerar certa frustração diante da falta de evolução do quadro do transtorno.

Remédios como a dopamina e a noradrenalina, ajudam os neurotransmissores a equilibrarem seus níveis, são seguros, eficazes e seus efeitos nocivos são mínimos.

5 – O TDAH não afeta as meninas

Esse transtorno pode afetar tanto meninos quanto meninos, mas os sintomas são diferentes em ambos os casos.

Nesse sentido, os sintomas que aparecem nos meninos são mais preocupantes. Por isso, são detectados mais facilmente e requerem maior atenção.

Nas meninas, a doença se manifesta de forma semelhante a quadros depressivos, que muitas vezes não chegam a afetar o rendimento acadêmico.

Além disso, a maioria dos casos acaba não sendo diagnosticado.

Nos meninos, o comportamento negativo exige a intervenção, tenha sido a doença diagnosticada ou não.