Educação emocional desde o útero materno

· 17 de agosto de 2017

A vida dos seres humanos, esse milagre ou esse mistério que até hoje não pode ser explicado, começa no útero materno. Ali, na barriga de cada mamãe, um bebê recebe através da placenta e do cordão umbilical tudo o que necessita para que seus órgãos e seu corpo se desenvolvam; mas além dos nutrientes físicos, seu bebê também obtém de você os efeitos de suas emoções, daí deriva a importância de viver uma gravidez tranquila e saudável. Lembre-se que se você está bem, seu bebê também estará.

O estresse, ou os hormônios do estresse, chamados cortisol, tem muitos efeitos sobre nós seres humanos. Às vezes o efeito desse hormônio pode nos salvar como espécie porque nos mantém alerta, mas também pode nos marcar negativamente.

Tudo depende da quantidade de estresse com que lidamos normalmente, pois se é muito, este pode afetar o bebê de maneira pouco saudável. Em alguns casos, as mães que são muito ansiosas podem ter filhos hiperativos, ansiosos ou com problemas de aprendizagem.

É natural que todos os dias lidemos com um pouco de estresse, contudo submeter seu corpo aos implacáveis efeitos de altas doses de cortisol, produz danos a ambos.

Atualmente, os pediatras, obstetras, psicólogos, neurologistas, psiquiatras, entre outros especialistas, estão de acordo ao declarar que os níveis pré-natais de ansiedade na mulher grávida afetam não só a vida do bebê no útero como também seu futuro como indivíduo.

“Somos produto de nossa história de desenvolvimento no útero materno”

– Vivette Glover, psicobióloga do Imperial College London –

Uma gravidez sem ansiedade

Já a ciência, especialmente a psicoanálise, tinham descoberto que durante a primeira etapa da gravidez acontecem muitas condições que afetam a psicologia do bebê de maneira positiva ou negativa, dependendo de cada caso. E também há muitos anos se conhecia que essas condições têm efeitos potenciais a longo prazo na psicologia da criança. Porém, agora, os cientistas se deram conta de que essa interação não começa no nascimento, e sim no útero materno.

Um grupo de pesquisadores liderados por Vivette Glover, psicobióloga do Imperial College London, estudou 14.000 mulheres grávidas, nas quais foram medidos os níveis de ansiedade durante a gravidez. E assim comprovaram que as mães que registraram maior nível de ansiedade tiveram o dobro de probabilidades de conceber crianças que manifestem problemas de atenção e transtornos como a hiperatividade. Isso não é uma regra exata, contudo cada vez existem mais indícios de que o estresse afeta as crianças desde que estão no útero materno, por isso devemos focar na importância de ter uma gravidez tranquila.

A inteligência emocional de seu filho começa em sua barriga

Seu parceiro pode lhe ajudar a se sentir feliz, envolva-o no seu processo de gravidez! Muitas vezes nossa sociedade tende a deixar de lado os pais, e por isso eles se sentem ignorados; e esse sentimento – muitas vezes incompreendido – pode fazer com que a relação seja más difícil entre ambos.

Inclusive, segundo revela a investigação, muitos homens se perguntam se sua esposa os vai continuar querendo depois de que nasça o bebê, e isso talvez ocorra porque a atenção de muitas mulheres se foca com tudo relacionado ao bebê, e sem querer deixam um pouco de lado o seu parceiro.

O período da gravidez deve ser o início para formar uma equipe de, ao menos, três integrantes, se você é mãe de primeira viagem. Essa equipe deve ser formada por: você, que é a mamãe, o bebê, e também seu papai, caso você tenha um parceiro. Seu companheiro pode lhe ajudar muito a regular seus sentimentos durante sua gravidez, tal como suas amigas, seu marido pode ser um bálsamo para as pressões de seus dias.

Outra boa estratégia para cuidar de sua saúde emocional e ao mesmo tempo do seu bebê, é procurar assistência para baixar seus níveis de estresse, ansiedade ou depressão. Você deve cuidar de sua saúde de maneira integral; o importante é fazer algum exercício, comer refeições saudáveis, e alimentar seus dias com emoções positivas, as quais também alimentam seu bebê.

Quando as mulheres ficam grávidas pela primeira vez, os médicos deveriam perguntar a elas sobre o seu estado emocional, suas relações,  família, saber se a apoiam ou não. E se descobrirem que possa haver algum tipo de problema, deveriam encontrar pessoas que pudessem ajudá-las, e não simplesmente perguntar, sem tomar atitude alguma. Assim na verdade, necessitamos de  mais recursos, e de profissionais mais preparados que possam ajudar as mulheres quando seja necessário.