O efeito evolutivo da cesárea no corpo da mulher

· 11 de outubro de 2017

“As mulheres com uma pélvis estreita não teriam sobrevivido há 100 anos. Agora sim são capazes de sobreviver, transmitindo através de seus genes que decodificam a informação para que suas filhas desenvolvam uma pélvis estreita”Essa frase foi dita por Phillip Mitteroecker, um dos cientistas que estudou o efeito evolutivo da cesárea no corpo da mulher.

Esse estudo não tem como objetivo criticar essa intervenção cirúrgica, esclarece esse especialista, mas sim deixar claro que “teve um efeito evolutivo”, o qual se expressa nas mulheres com pélvis estreita que são capazes de dar à luz graças à cesárea.

Antes de existir a cirurgia cesariana esses genes não tinham como ser transmitidos de mãe para filha, já que ambas nesses casos morriam no parto.

Por isso, um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences conclui que a prática regular dessa cirurgia está gerando um impacto na evolução humana.

As cesáreas causam um impacto por que geram um efeito evolutivo

cicatriz da cesária

De acordo com os pesquisadores, os casos em que o bebê não cabe no canal vaginal aumentaram de 30 para cada 1.000 nos anos 1960, para 60 em cada 1.000, atualmente.

Os cientistas austríacos acreditam que, possivelmente, essa tendência continue, mas não a ponto de os partos naturais se tornarem obsoletos.

“Sem as intervenções médicas modernas esses tipos de problema costumavam ser mortais, e isso, do ponto de vista da evolução, é o mecanismo de seleção natural,” afirmou Philipp Mitteroecker, que trabalha no departamento de biologia teórica da Universidade de Viena.

O efeito evolutivo dos quadris estreitos e os bebês grandes

Os cientistas que participaram dessa pesquisa recente se perguntam por que a pélvis humana não se alargou ao longo dos anos.

A cabeça de um bebê humano é grande se a compararmos com a de outros primatas, sendo o parto muito mais difícil que, por exemplo, dos chimpanzés.

Os pesquisadores elaboraram um modelo matemático utilizando dados da Organização Mundial da Saúde e outros estudos de grande alcance sobre nascimentos.

O que encontram- garantem em um artigo publicado na BBC- foram forças evolutivas opostas. Por um lado, existe uma tendência de recém-nascidos maiores, que são também mais saudáveis.

No entanto, se crescerem demais ficam entalados durante o trabalho de parto, o qual, no passado acabava sendo fatal para a mãe e o bebê, e os genes da mãe, por fim, não eram transmitidos para a geração seguinte.

“Um lado dessa força seletiva, vamos chamá-la de tendência a dar à luz a bebês menores está desaparecendo por causa das cesáreas”, explica Mitteroecker.

Os dados levaram os pesquisadores a supor que as cesáreas tenham um efeito evolutivo duplo: o aumento do número de mulheres cujo corpo não permite um parto vaginal, e o nascimento de bebês grandes e saudáveis com maiores possibilidades de sobreviver e crescerem fortes e com saúde.

A alegria de uma mãe começa quando uma nova vida se agita no seu interior, quando escuta seu coração pela primeira vez, e quando um chutinho brincalhão lhe faz lembrar de que ela não está sozinha.

-Autor Anônimo-

Cesáreas, uma prática que continua aumentando

mulher grávida

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os nascimentos por cesárea consideradas necessárias deveriam girar em torno de 10% e 15% do total de partos, embora em muitos países superem, até mesmo, o número de partos normais.

Sem essas operações médicas modernas (cesáreas) uma mãe com um quadril estreito demais e seu filho iam morrer no parto, e, portanto, seus genes não teriam evoluído, e uma criança muito grande também teria morrido durante o parto.

Isso, do ponto de vista da evolução, se chama seleção natural, afirma Philipp Mitteroecker.

A respeito disso, a OMS declara o seguinte: “devem ser submetidas à cesárea todas as mulheres que precisarem desse procedimento cirúrgico e tentar alcançar uma taxa determinada”.

Contudo, por isso, desde então, as cesarianas se tornaram cada vez mais frequentes tanto em países desenvolvidos ,como em países em desenvolvimento.

A cesárea, argumenta a OMS, quando existe razão médica para realizá-la, é eficaz na prevenção da mortalidade materna e perinatal.

No entanto, os benefícios da cesariana não estão comprovados em mulheres ou recém-nascido que não precisam se submeter a esse procedimento cirúrgico.

Como qualquer outra cirurgia, a cesariana está associada a riscos a curto e a longo-prazo, que podem persistir por muitos anos depois da intervenção e afetar a saúde da mulher e do bebê, assim como qualquer gravidez futura.