É necessário esperar duas horas depois de comer para entrar na água?

· 18 de fevereiro de 2019
Nas férias, todo mundo está ansioso para entrar na água, seja na piscina ou na praia. Porém, além da adrenalina e do desejo de aproveitar a temporada, sempre há algumas medidas de precaução que devemos levar em consideração antes de cada mergulho.

Chega o verão e junto com ele as tão esperadas férias que incluem, sem dúvida, horas de mergulhos na piscina ou então viagens para a praia. Esses passeios trazem alguma frustração na hora do almoço, porque sempre surge a seguinte pergunta: é necessário esperar duas horas depois de comer para entrar na água?

Do mito à realidade

Desde quando passamos a fazer uso da razão, certamente ouvimos a frase “não entre na água porque você acabou de comer”, inúmeras vezes, por parte do adulto responsável. Esse é um medo que afeta as mães e avós até hoje.

A base dessa preocupação é que existe a crença de que, se mergulharmos na água depois de comer, poderemos ser vítimas de uma congestão alimentar. Considera-se que isso poderia vir a causar até mesmo a morte.

No entanto, não foi bem isso o que causou várias perdas de vidas ao longo da história da humanidade. É por isso que devemos saber em detalhe quais são as consequências de um mergulho imediatamente depois de comer.

O corpo após uma refeição

Depois de comer, um grande fluxo sanguíneo é transferido para o trato digestivo, de modo que ocorre uma diminuição do sangue em relação ao restante do corpo. Definitivamente, a digestão não para por entrarmos na água após ingerir alimentos.

Em alguns casos ocorrem cãibras, e elas levam a uma diminuição no controle dos membros do corpo. É por essa razão que houve perdas humanas, muitas das quais causadas por um choque térmico.

 O corpo após uma refeição

O que é o choque térmico?

O choque térmico é uma síndrome que ocorre devido a mudanças bruscas de temperatura no corpo. Ou seja, estamos na praia, com um sol radiante, a pele está aquecida e, com essa temperatura no corpo, entramos na água fria. Nesse momento, ocorre essa reação devido à diferença térmica entre o corpo e o mar.

Esta alteração pode produzir um abrandamento do fluxo cardíaco. Por sua vez, isso reduz a pressão arterial, de modo que podemos ficar tontos, desmaiar, vomitar, ter desconforto gástrico e até mesmo perder a consciência, o que pode ter como resultado a morte por afogamento.

A digestão, entrando na água ou não, vai seguir o seu curso. Portanto, esperar duas horas depois de comer para entrar na água, como nos recomendaram a vida toda, é um mito.

Contudo, o que deve sim ser evitado a todo custo é se expor ao sol por longos períodos ou praticar esportes intensos e depois entrar na água fria, já que há o risco de sofrer um choque térmico.

O choque térmico reduz a pressão arterial, de modo que podemos ficar tontos, desmaiar, vomitar, ter desconforto gástrico e até mesmo perder a consciência, o que pode ter como resultado a morte por afogamento.

Dicas para evitar riscos

Depois de saber se é ou não necessário esperar para nos permitir o tão esperado mergulho depois de comer em um dia quente, deixamos aqui uma série de dicas para evitar que a diversão seja atrapalhada pela falta de conhecimento.

Depois de nos livrar do mito de esperar duas horas depois de comer para entrar na água, o que devemos fazer é o seguinte:

Seja cauteloso

Depois de passar um tempo fora da água, devemos evitar mudanças bruscas de temperatura. Especialmente durante a temporada de verão, principalmente porque é nessa época que os dias mais quentes são registrados.

Ao entrar na água fria das piscinas ou das praias, devemos fazer isso de forma gradual e ascendente. Isto é, entrar na água começando primeiramente pelos pés e seguindo até a cabeça.

Além disso, devemos seguir as instruções e regulamentos dos chuveiros antes de entrar na piscina. Isso vai permitir que o nosso corpo fique aclimatado, bem como evitar um mal-estar.

Dicas para evitar riscos

Preste atenção à qualquer reação

Devemos sair da água se começarmos a sentir sintomas tais como calafrios intensos, náuseas, vômitos, zumbidos nos ouvidos ou dificuldade para enxergar, entre outros. É igualmente necessário dar essa indicação aos nossos filhos.

Todos esses sintomas são anteriores à perda de consciência. Dessa forma, estaremos um passo à frente de qualquer imprevisto. Como já lembramos, esses são sintomas de um choque térmico. Evitá-lo a todo custo deve ser a nossa meta nos dias de diversão aquática.

Se praticamos esportes ou se ficamos esperando ao sol enquanto comemos, a temperatura da nossa pele pode aumentar, por exemplo. Por isso, é aconselhável esperar um pouco sob a sombra antes de mergulhar, pois sempre devemos evitar uma mudança brusca de temperatura.

Assim, com essas dicas valiosas, só nos resta aproveitar as férias de verão e nos esquecer de esperar duas horas depois de comer para entrar na água. Não há tempo a perder e a diversão nos espera!

  • Timperman, J. (1972). The diagnosis of drowning. A review. Forensic Science. https://doi.org/10.1016/0300-9432(72)90015-5