Eu não ajudo a minha esposa, compartilho obrigações

9 de Maio de 2018
Devo admitir, mesmo que muitas pessoas ainda não entendam. Eu não "ajudo" a minha esposa em casa, nem jamais o farei. Não sou um mero convidado, esperando em todos os momentos ser atendido e servido.

Como companheiro, entendo que eu não sou um simples espectador, observando sentado como minha esposa corre de um lado ao outro todos os dias, carregando todo o peso nas costas. Desde o primeiro dia, entendi a responsabilidade que assumiria como marido e como pai.

Entendi desde o primeiro momento que eu sou o parceiro da mulher que amo e escolhi o caminho maravilhoso de formar uma família. Com tudo que isso implica, aproveitando o bom e aprendendo a lidar com o ruim.

Eu soube, a partir desse dia, que compartilhar obrigações era o segredo. Como pai que sou, como parte da casa e, por que não, como responsável também pela própria desordem da atividade doméstica, lavo os pratos, passo roupa, troco fraldas e cozinho, e não me envergonho por nada disso.

Isso, em minha opinião, é ser mais homem do que muitos que zombam. Apesar da época em que vivemos, infelizmente a realidade de muitos lares continua sendo outra. A mulher é quem detém as rédeas e os “machos” são simplesmente espectadores que se dedicam a outras coisas. Mas se pensarmos em nossos filhos, o melhor exemplo que podemos dar a eles é o de uma família que colabora e realiza o trabalho doméstico igualmente.

Eu não ajudo a minha esposa, compartilho obrigações

É verdade que esse debate nunca sai de moda. O que é mais importante, trabalhar fora ou dentro de casa? Mas a pergunta que me faço quando estou com meus amigos é a seguinte: Nós valorizamos o trabalho de nossas mulheres, fora e dentro de casa?

“No outro dia, lavei os pratos e minha esposa não me agradeceu”, uma frase que todos já ouvimos alguma vez. Mas pensando bem, por que minha esposa deveria me agradecer por algo que contribui para melhorar a nossa vida em casa? Por que me agradecer por algo que ela mesma faz inúmeras vezes e que, entretanto, ninguém reconhece?

Por essa razão, eu considero que não ajudo a minha esposa. Ela não precisa da ajuda de ninguém. Ela é autossuficiente e extremamente capaz de fazer tudo o que se propõe, em casa e no trabalho. Mas o que ela precisa, como eu, é de um companheiro. Um complemento, ainda que ela própria valha por si mesma se necessário.

Não é que eu ajude minha esposa a limpar a casa. Somente me limito a organizar o espaço em que vivemos juntos. Desinfeto e organizo pela simples razão de que eu também moro aqui, sob o mesmo teto.

Eu não ajudo a cozinhar. Eu simplesmente colaboro e compartilho essa obrigação porque eu também consumo.

E eu não como apenas, mas com esta ação, sujo pratos e talheres. Então, por este simples motivo, sinto que me corresponde – como pai de família – trabalhar nesta tarefa. Muito menos ajudo minha esposa com seus filhos, eu cuido deles porque – na verdade – eles também são meus. São nossos.

Eu não “colaboro” em casa. Assumo minha posição no lar

Lavando, estendendo, dobrando a roupa suja de toda a família, recolhendo os brinquedos, ensinando matemática para as crianças ou arrumando o jardim. Tudo o que precisa ser feito. Eu tenho consciência de que não sou uma mera ajuda em casa, mas uma parte dela. Então eu ajo de acordo.

Nunca pensei que esse fosse um trabalho exclusivo da mulher da minha vida. E não importa o que vi enquanto crescia, o que meus pais me ensinaram ou o que aprendi na escola. Eu me sinto sortudo pela família que tenho e sei que quero ser um exemplo positivo para meus filhos

Eu quero me comportar como um companheiro para minha esposa e não como mais um convidado. E quero fazer isso porque valorizo minha esposa e tudo o que ela faz para a nossa família. Porque a respeito como tal, com suas virtudes e seus defeitos. Pois, definitivamente, é exatamente o mesmo o que ela faz comigo.