Famílias separadas: quais são as consequências emocionais?

17 Setembro, 2020
Quais são as consequências emocionais para as famílias separadas? Vamos tentar explicá-las e sugerir orientações para regular as emoções adequadamente.

Existem muitas famílias separadas. Provavelmente, alguns de vocês que estão lendo este artigo já tiveram que viver fora do seu núcleo familiar. Ficar afastado das pessoas qua amamos não é fácil para ninguém, ainda mais em uma situação forçosa que está totalmente fora do controle de cada um.

As famílias separadas por uma condição forçosa acham a situação ainda mais insuportável e inaceitável. Por isso, nas linhas a seguir, vamos tentar explicar as consequências emocionais para essas famílias.

Além disso, também vamos sugerir algumas orientações para lidar com esse período da melhor maneira possível. Se conseguirmos estabelecer uma boa regulação emocional, seremos capazes de alcançar o bem-estar que fica desestabilizado quando estamos afastados das pessoas que amamos.

Famílias separadas: quando você fica afastado das pessoas que mais ama

Por questões profissionais, por exemplo, há momentos nos quais não temos outra escolha a não ser passar pelos obstáculos e ficar separados das nossas famílias. Ou, talvez, tenha sido outra circunstância externa que nos afastou das pessoas que mais amamos.

Independentemente de qual seja essa circunstância, quais são as consequências emocionais que surgem? Como podemos lidar com os nossos estados emocionais? Ou, em outras palavras: o que podemos fazer para alcançar uma regulação emocional adequada nessa situação?

Famílias separadas: as consequências emocionais

“Nossas emoções existem para serem sentidas, não para dominarem nossa vida, cegarem nossa visão, roubarem nosso futuro ou apagarem nossa energia porque, no momento em que fizerem isso, se tornarão tóxicas”.

-Bernardo Stamateas-

Consequências emocionais de viver separado do núcleo familiar

Para as pessoas separadas de suas famílias, não poder tocar, abraçar ou beijar aqueles que mais amam pode piorar a situação de solidão que estão enfrentando. Assim, elas devem aceitar um ritmo de vida diferente e aproveitar a oportunidade para entrar em contato com os outros de uma maneira diferente da que normalmente faziam.

Dessa forma, se tivermos que ficar separados das nossas famílias durante um período prolongado, podemos planejar o contato on-line com elas regularmente e criar uma rotina diária.

A oportunidade oferecida pelas tecnologias para estar em contato em tempo real por meio das chamadas de vídeo, por exemplo, pode tornar a situação mais suportável. Assim, podemos reduzir a sensação de isolamento ou solidão.

Além dos sentimentos de solidão, a tristeza também vai nos afetando ao longo dos dias. Prolongada no tempo, ela pode levar à depressão. O estresse ao qual somos submetidos apenas pelo fato de como a separação forçosa irrompe em nossas vidas nos desestabiliza completamente.

Sentir essa alta carga de estresse em pouco tempo pode desencadear um transtorno de estresse pós-traumático. Pode acontecer tudo isso nos casos mais extremos. E também podem aparecer a raiva ou a ira. Então, o que podemos fazer para impedir que isso aconteça?

“Seja o dono da sua atenção. O preço da liberdade é a vigilância permanente. Lembre-se de que, para onde sua atenção for, também irão suas emoções e sua energia. Onde você colocar sua atenção sempre se tornará mais real para você.”        

-Mario Alonso Puig-

Famílias separadas: as consequências emocionais

Famílias separadas: orientações para uma regulação emocional adequada

Uma das maneiras de alcançar uma regulação emocional adequada é a prática do mindfulness. Programas como o MBSR incluem uma seção sobre regulação emocional com base na meditação. Embora a primeira pessoa a introduzir esse programa tenha sido Jon Kabat Zinn, há cada vez mais intervenções baseadas na introspecção que incorporam sessões para trabalhar a regulação emocional.

Os programas baseados no mindfulness buscam a regulação emocional através do corpo. Assim, uma vez que a emoção se manifesta no corpo, podemos identificá-la para, posteriormente, fazer sua regulação. Dessa forma, conseguimos evitar o diálogo interno sobre a emoção.

Ou seja, se conseguirmos regular a emoção colocando a nossa atenção no nosso corpo, poderemos eliminar as emoções desnecessárias  geradas automaticamente pelos pensamentos sobre a emoção inicial.