Fracasso escolar: causas e condicionantes

· 26 de janeiro de 2018
Quando ocorre um caso de fracasso escolar, tende-se a apontar o aluno como o principal responsável. Mas há muitos outros aspectos a se levar em conta, tanto pessoais quanto familiares e culturais.

Entende-se por fracasso escolar o fato de não completar o grau acadêmico mínimo para o sistema educacional do qual se faz parte. É um fenômeno que ocorre em um nível muito alto em vários países. Analisamos algumas causas e fatores que influenciam.

Em primeiro lugar, vale a pena distinguir a diferença entre fracasso escolar e abandono ou deserção escolar. O primeiro, como explicamos previamente, significa não alcançar o nível mínimo requerido. Enquanto o abandono inclui a quem conseguiu esse nível mas não completou o ensino médio, como se denominam os anos de obrigatoriedade da educação no Brasil.

O termo “fracasso” foi questionado fortemente, visto que carreta a ideia implícita de que as pessoas que não têm o ensino médio fracassaram na vida. Além disso, dá a sensação de colocar toda a responsabilidade no aluno, quando os educadores, os pais e o Estado também desempenham um papel neste processo.

Analisaremos, a seguir, os aspectos mais importantes em relação ao fracasso escolar:

Causas do fracasso escolar

  • Falta de motivação ou desinteresse por parte do aluno. É pouco comum que aconteça nos alunos da escola primária, mas é uma realidade nos casos onde os pais não desempenham sua função de guias e mentores. As crianças podem ser facilmente tentadas por distrações pouco saudáveis se não contam com alguém que lhes ensine o caminho a seguir.
  • Déficit intelectual. Representa um grupo mínimo de estudantes que não cumprem com os requisitos mínimos do sistema educacional. Apenas 2% deles mostram deficiências em sua capacidade de processar conceitos, operações ou outro tipo de dados.
  • Problema de aprendizagem. A dislexia ou a discalculia são transtornos comuns entre as crianças na idade escolar e compõem um alto número de casos de fracasso escolar.
  • Problemas de visão. Ainda que pareça estranho, os problemas na visão são a origem de alta porcentagem das frustrações educativas.
  • Contexto familiar e sócio-cultural. As condições da vida de uma pessoa influenciam em seu rendimento escolar ou no trabalho. Porém, segundo a UNICEF, isso não implica em que os filhos de pais com maior rendimento educativo obtenham melhores resultados. Há estudos que contradizem esta teoria.
  • Falhas dos educadores. Como em todos os trabalhos e profissões, há professores bons e ruins. A clareza para transmitir conhecimento, o trato para com a criança e o manejo de grupo de um professor faz com que os resultados de seus alunos sejam melhores ou piores. Porém, se poderia considerar como uma condição secundária, já que não basta por si só para causar o fracasso escolar de uma pessoa.

Fatores condicionantes

Além das causas apresentadas antes, também há outros agentes que incidem no desenvolvimento correto do processo educativo.

Primeiro, podemos considerar as condições emocionais que uma criança desenvolve. Aqui se incluem as relações interpessoais (com a família e seus pares), o equilíbrio emocional e a contenção proporcionada.

Ainda, também influência o modo em que se impulsiona o sucesso educativo no núcleo familiar. Como pais, é necessário dar o exemplo, acompanhar a criança nesta etapa, ter empatia e valorizar suas conquistas. As crianças devem saber que o colégio não é “uma perda de tempo” como todos já pensamos um dia. Pelo contrário, demonstre como isso vai ajudar a planejar um futuro melhor.

Outra lição que os pais devem aprender é não medir a aprendizagem com base nos resultados das provas. A escola é muito mais do que isso: é aprender a conviver, socializar, raciocinar e solucionar problemas. Devemos perceber a educação como algo integral, não como um número estatístico.

Em último lugar, algo que indubitavelmente desempenha seu papel são as condições sócio-econômicas nas quais a educação ocorre. De acordo com o estudo Desigualdade: uma análise da (in)felicidade coletiva, de Richard Wilkinson e Kate Pickett, existe uma relação muito estreita entre o nível de pobreza de uma comunidade e o sucesso educativo de suas crianças.

As crianças devem saber que o colégio não é “uma perda de tempo” como todos já pensamos alguma vez.

Estatísticas do fracasso escolar

Ainda que algumas destas medições incluam também quem caiu na deserção escolar, existem pesquisas que são úteis para delimitar o panorama atual.

Estudos de organizações oficiais assinalam que na Espanha o fracasso escolar chega a 20%. Uma porcentagem que só é superada por Portugal. O lado positivo é que nos últimos dez anos este índice diminuiu em quase 10%, e isso pode nos guiar e nos levar a entender quais mecanismos adotados por estes países que são realmente efetivos e capazes de mudar o nosso próprio panorama.

Quem continua nessa escala são Malta (19,8%) e Romênia (19,1%). A Suécia, em contrapartida, reflete um invejável 7% neste aspecto. No mesmo caminho transitam a Croácia (2,8%), a Eslovênia (5%), o Chipre (5,3%) e a Polônia (5,3%). Também podemos citar países com taxas menores como Itália, Grécia, Dinamarca e França.