Gengivite associada à puberdade: o que você deve saber

Quando a adolescência começa, a gengivite se torna uma possibilidade. Contamos tudo o que você precisa saber sobre esse problema e como evitá-lo.
Gengivite associada à puberdade: o que você deve saber

Última atualização: 14 junho, 2022

A inflamação e o sangramento das gengivas não é um problema apenas para adultos, pois também pode afetar crianças e adolescentes. Neste artigo, falaremos sobre a gengivite associada à puberdade.

As alterações típicas dessa fase favorecem o aparecimento do problema: falta de interesse pela higiene dental, alimentação não saudável e novos hábitos são alguns dos fatores. Além disso, as alterações hormonais fazem sua parte para promover a inflamação das gengivas.

Os adultos ainda desempenham um papel fundamental nos cuidados com a saúde bucal dos adolescentes. Assim, buscar uma solução a tempo é essencial para evitar complicações mais incômodas e graves. Leia e saiba mais.

Gengivite associada à puberdade

A gengivite é um processo inflamatório que afeta as gengivas. Nesta condição, o tecido gengival aumenta, fica vermelho, incomoda ou dói e sangra ao menor toque. Além disso, é comum que seja acompanhado de mau hálito e que se observem depósitos de placa bacteriana e tártaro nos dentes.

Se a gengivite não for tratada a tempo, pode evoluir para piorreia ou doença periodontal. Isso não é o mais comum em adolescentes, mas é uma possibilidade.

Nesse caso, a inflamação é mais profunda e é acompanhada por uma infecção que pode afetar seriamente os tecidos de suporte dos dentes. A destruição do osso e do periodonto faz com que os dentes se movam e até caiam.

A causa mais comum de gengivite é a má higiene oral. O acúmulo de placa bacteriana e a formação de tártaro nas gengivas a irrita e desencadeia o processo inflamatório como estratégia de defesa.

Mas nos adolescentes acrescenta-se um novo fator determinante: o conteúdo dos hormônios sexuais. Tanto em homens quanto em mulheres, o aumento dos níveis hormonais típicos da puberdade gera alterações nas gengivas. Além da tendência de negligenciar a higiene dental, os jovens são mais propensos a desenvolver inflamação gengival em resposta ao mínimo contato com a placa bacteriana.

De acordo com a classificação das doenças periodontais da Academia Americana de Periodontia, a gengivite da puberdade está incluída no grupo das gengivites induzidas por placa bacteriana associadas ao sistema endócrino. Por esse motivo, ao abordar essa patologia em adolescentes, não são considerados apenas os fatores locais, mas também as alterações hormonais.

Jovem adolescente com dor na boca
Dor e sangramento de pequenos traumas, como da escovação, podem sugerir gengivite da puberdade.

Causas da gengivite associada à puberdade

Já dissemos que as alterações hormonais da puberdade desempenham um papel muito importante, assim como os novos comportamentos e atitudes ligados ao descaso com a boca.

Estes são alguns dos fatores que, quando combinados, favorecem o aparecimento da gengivite associada à puberdade:

  • Hereditariedade: a genética pode desempenhar um papel. Se os pais sofrem com esse problema, seus filhos podem herdar a predisposição.
  • Alterações hormonais: o aumento radical dos hormônios sexuais desencadeia uma resposta inflamatória exagerada nas gengivas contra irritantes locais. Isso ocorre em ambos os sexos, mas nas mulheres pode se manifestar ciclicamente associado aos períodos menstruais, principalmente durante a ovulação ou devido ao uso de pílulas anticoncepcionais.
  • Placa bacteriana e tártaro: a higiene bucal inadequada permite o acúmulo de bactérias e restos de alimentos que se depositam como uma película pegajosa nos dentes e gengivas. Ao não removê-la, ela se calcifica com os minerais da saliva e se transforma em tártaro. Ambos os elementos irritam as gengivas.
  • Situações que retêm placa bacteriana: cáries, apinhamento dentário, mau posicionamento dentário e aparelhos ortodônticos favorecem a permanência e o acúmulo de placa bacteriana na boca.
  • Respiração oral: respirar pela boca e o contato com o ar exterior provoca desidratação e certas alterações nas gengivas que levam à sua inflamação.
  • Erupção dentária: a erupção dos últimos dentes permanentes pode favorecer a inflamação gengival.
  • Dieta: ao escolher o que comer, os adolescentes tendem a se ater a dietas pouco saudáveis. Alimentos ultraprocessados, refrigerantes, doces e guloseimas favorecem a proliferação de bactérias nocivas na boca.
  • Tabagismo: alguns adolescentes podem começar a fumar nessa fase. Esse hábito prejudica a saúde bucal em geral e predispõe à gengivite.
  • Piercing: a colocação de joias na boca pode ser uma escolha de alguns jovens, mas vale ressaltar que tais objetos estranhos na mucosa oral favorecem o dano gengival.

Tratamento da gengivite

A melhor maneira de tratar a gengivite relacionada à puberdade é visitar o dentista regularmente. Às vezes, os sintomas podem ser muito sutis e apenas um olho experiente pode detectar o problema.

O exame clínico e as radiografias ajudam a diagnosticar problemas nas gengivas. Mas, para reverter a situação, é importante que o jovem se comprometa a adotar bons hábitos de higiene bucal.

Escovar os dentes, passar fio dental e usar enxaguantes bucais especiais são medidas fundamentais para melhorar a saúde gengival. Além disso, o dentista pode realizar uma limpeza profissional para remover restos de placa bacteriana e tártaro. Isso ajuda a recuperar o tecido.

Em casos mais graves, onde áreas mais profundas estão envolvidas, será necessário raspagem e alisamento radicular, incluindo o uso de antibióticos e anti-inflamatórios.

Muitas vezes, quando os hormônios são a principal causa do problema, apesar da eliminação dos fatores locais, a situação não melhora ou reaparece. E, em geral, após essa fase da vida, a inflamação diminui espontaneamente (desde que os demais fatores condicionantes estejam controlados).

Como evitar a gengivite associada à puberdade

adolescente escovas lava desinfeta dentes escovando higiene dental
Os hábitos de higiene não devem ser negligenciados, pois nessa fase são adicionados outros fatores predisponentes para a doença periodontal.

As alterações hormonais típicas da adolescência não podem ser evitadas e o aparecimento de gengivite associada à puberdade é sempre uma possibilidade. De qualquer forma, você deve saber que, se os demais fatores forem controlados, a saúde bucal do seu filho pode melhorar.

Escovar os dentes e usar cremes dentais com flúor e passar fio dental todos os dias e de forma adequada são medidas fundamentais para remover a placa bacteriana. Os jovens devem ser conscientes e responsáveis pela higiene da boca. E os pais têm um papel fundamental na motivação e na insistência em cuidar da sua saúde bucal.

Cuidar da alimentação e educar os jovens quanto à escolha de alimentos saudáveis também é uma estratégia para manter a saúde, não só da boca, mas de todo o corpo. Ser capaz de comunicar e refletir sobre os riscos do tabagismo e de certas tendências, como piercings, também é muito útil.

Por fim, visitar o dentista regularmente é fundamental para cuidar das gengivas e da boca em geral. O profissional é um grande aliado da prevenção.

Portanto, a gengivite associada à puberdade pode ser evitada com educação e hábitos que promovam a saúde. Um estilo de vida saudável ajudará os jovens a desfrutar de suas bocas sem problemas.

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