O jogo imitativo promove a empatia e a socialização

28 Outubro, 2020
Por meio da imitação, as crianças começam a entender o entorno e aprendem a funcionar nele. E tudo isso acontece naturalmente, como se fosse um jogo.

O jogo é a principal ferramenta através da qual as crianças descobrem o mundo e aprendem a funcionar nele. E, durante os primeiros anos de vida, é principalmente o jogo imitativo que cumpre essa função. Muitas mães o utilizam com os filhos instintivamente, sem conhecer ao certo os grandes benefícios que esses pequenos gestos trazem para o crescimento psicológico do bebê.

Afinal, a partir da imitação, as crianças se desenvolvem cognitivamente, começam a socializar e reforçam sua capacidade empática. E tudo isso ocorre de forma natural, a partir das interações diárias com os pais e por meio de jogos, livros ou músicas que fazem parte do dia a dia.

O jogo imitativo e a socialização

A função socializadora do jogo imitativo começa muito cedo na vida do bebê. Quando ele balbucia um som e a mãe o repete, a comunicação começa a ser estabelecida.

Mais tarde, será a criança que começará a repetir sons e gestos observados nos seres mais próximos. Por meio do reforço social (sorrisos, elogios, carinhos), os pais vão moldando a imitação da criança, que vai consolidar essas capacidades.

O jogo imitativo promove a empatia e a socialização

Assim surgem as primeiras palavras e gestos simples, tais como bater palmas ou indicar com os dedos a idade que vão completar. Desse modo, são estabelecidas as bases da comunicação social antes mesmo que o pequeno consiga usar palavras e frases.

Inicialmente, a imitação da criança será motivada pelo desejo de atrair a atenção dos adultos, mesmo sem saber realmente o que significam os sons ou gestos que produz. Mais tarde, no entanto, ela começará a atribuir significado a eles e a usá-los de maneira funcional.

Funcionamento do ambiente

O jogo imitativo também ajuda o pequeno a conhecer o mundo ao seu redor, a descobrir como funcionam os objetos e a adquirir hábitos e sequências cotidianas. Por exemplo, no início, o pequeno pode escovar os cabelos ao ver que a mãe está fazendo isso, pode espanar a poeira enquanto o pai está limpando ou pode pegar o telefone e fingir que está conversando.

A imitação, que no início era produzida simultaneamente (a mãe faz e o bebê repete), passa a ser gerada em retrospectiva. Ou seja, a criança pode começar a imitar palavras ou atos que observou em algum momento no passado, sem a necessidade de que estejam sendo produzidos por um adulto naquele exato momento.

Assim, é mais provável que a criança imite as sequências que sejam mais familiares para ela. Dessa forma, ela pode fingir que está cozinhando, trocando a fralda da sua boneca ou escovando os dentes. Por meio desse jogo, ela passa a internalizar o uso dos objetos e o estabelecimento de hábitos cotidianos.

O jogo imitativo promove a empatia

Mas, além disso, o jogo imitativo também favorece que a criança comece a desenvolver a capacidade de se colocar no lugar dos outros e de compreender os diferentes estados emocionais. Isso pode ser conseguido por meio de jogos simples, como, por exemplo, apontar os personagens de um livro e imitar suas expressões enquanto lemos com a criança.

O jogo imitativo promove a empatia e a socialização

As canções infantis também podem nos ajudar se forem acompanhadas por gestos que acompanhem a letra. Por exemplo, cerrar os punhos e esfregar os olhos quando a música falar sobre chorar.

Podemos promover essa aquisição mostrando à criança diversas expressões corporais emocionais e pedindo para que ela as repita. No entanto, é importante acompanhar essa imitação com argumentos e explicações que ajudem a criança a entender a correspondência. Livros infantis, tais como O Monstro das Cores, podem ser muito úteis nessa tarefa.

Como usar o jogo imitativo com as crianças?

O jogo imitativo ocorre de forma natural e instintiva entre as crianças e os adultos ao seu redor. No entanto, se quisermos promover seus benefícios, existem certas ações às quais podemos dedicar uma atenção especial.

Acima de tudo, é importante envolver o pequeno nas tarefas do dia a dia e permitir que ele colabore. Por exemplo, dando um pano para “limpar” a mesa conosco, oferecendo uma panela vazia com uma colher para nos “ajudar” a cozinhar… Fazer com que a criança participe das tarefas diárias permitirá que, através da imitação, ela desenvolva muitas das suas capacidades.

  • Bordoni, M., & Español, S. (2011). Moviéndonos juntos: el movimiento en el juego musical imitativo. In X Encuentro de Ciencias Cognitivas de la Música: Musicalidad Humana. Debates actuales en evolución, desarrollo, cognición e implicancias socio-culturales.
  • Rodríguez, E. M., & Costales, S. V. (2008). El juego como escuela de vida: Karl Groos. Magister: Revista miscelánea de investigación, (22), 7-22.