Como lidar com uma sessão de estudos de forma eficiente

8 de janeiro de 2020
Os bons hábitos de estudo são essenciais para que os nossos filhos superem as diferentes fases educacionais com sucesso. Começar com a forma como eles devem lidar com uma sessão de estudos fará com que se tornem autossuficientes para gerenciar as suas lições de casa.

As correntes de ensino atuais estão optando por uma educação direcionada, na qual a figura do professor é vista como a de um orientador para o processo de aprendizagem do aluno, em oposição às metodologias mais antigas nas quais a matéria era ministrada em ‘aulas expositivas’. No entanto, para isso, é necessário ensinar às crianças como elas devem lidar com uma sessão de estudos de forma eficiente. 

Existem muitas metodologias de aprendizagem que são levadas em consideração atualmente: ativa, construtivista, reflexiva…, muito alinhadas com a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. Isso mostra que não existe apenas um único método correto para ensinar ou para aprender, pois devemos adaptá-los às nossas habilidades e condições.

“Cada ser humano tem uma combinação única de inteligências. Este é o desafio fundamental da educação.”

-H Gardner-

Para saber qual é a metodologia que melhor se adapta a cada um de nós, precisamos iniciar a casa pela fundação e não pelo teto.

Por meio de um simples exercício de reflexão e autocrítica, devemos avaliar com honestidade como estamos fazendo a nossa lição de casa para obter os melhores resultados possíveis com o mínimo de esforço. Há tempo para brincar e estudar?

Planejando uma sessão de estudos eficiente

A resposta é sim. Tudo é apenas uma questão de organização. Para fazer isso, aconselhamos que os seus filhos comecem a fazer um cronograma simples com as atividades que fazem à tarde, mas apenas aquelas que não estão relacionadas às terríveis lições de casa.

Eles devem elaborar uma lista com as atividades extracurriculares que gostariam de fazer e para as quais acreditam que não têm tempo.

lidar com uma sessão de estudos de forma eficiente

A programação deve incluir desde o momento em que chegam da escola até a hora do jantar, para as crianças do ensino fundamental, e cobrir um pouco mais de tempo após o jantar, para as crianças do ensino médio. Embora vocês possam perceber que, com uma boa organização, esse tempo raramente é necessário para a lição de casa.

Então, devemos deixar registrado no cronograma semanal o tempo que vamos dedicar aos estudos, estabelecendo um número maior de horas para as tarefas mais difíceis e menos horas para as matérias com um conteúdo mais simples. Esse planejamento ajuda as crianças a obter bons hábitos de estudo e dosar o esforço.

  • As matérias mais difíceis devem receber um número maior de sessões semanais, porém mais curtas.
  • Por outro lado, podemos dedicar mais tempo por sessão às mais simples, porém com menos sessões semanais.
  • Os especialistas recomendam um período médio de estudo diário com duração entre 30 minutos e 2 horas para os alunos do ensino fundamental. E de 1,5 a 3 horas para o ensino médio. Isso pode variar se for época de provas ou se for uma semana de estudos comum.
  • É melhor não sentar para estudar depois de comer, pois isso aumenta a sensação de sono. É preferível reservar esse tempo para descansar um pouco e estar mais renovado antes de começar a estudar.

O que devemos fazer quando chegar a hora de sentar para estudar?

Os alunos são como um atleta de elite: eles precisam de um bom lugar para treinar, se aquecer, alongar e aproveitar o momento do pico de desempenho.

Estima-se que as crianças consigam se concentrar por períodos de 40 minutos a 1 hora, com intervalos de 5 a 10 minutos. E é aconselhável começar com uma tarefa simples que não leve mais do que 15 minutos, como aquecimento, e terminar com uma leitura fácil para ‘alongar a mente’. 

O local de estudos deve estar arrumado para evitar distrações. Atualmente, as informações chegam através de múltiplos canais: televisão, internet, grupos de trabalho no celular, redes sociais…

Todos esses meios podem ser usados ​​como TIC para implementar as suas sessões de estudos, mas devemos ensiná-las a serem seletivas com as informações que recebem, caso contrário, todas elas não serão nada além de uma mera distração.

O local de estudo deve atender aos requisitos que estimulam o desejo de estudar e que melhorem a concentração:

  • Deve ser bem iluminado. Claro que não há nada melhor do que a luz natural, mas podemos substituí-la por uma luminária de luz azul.
  • É necessário evitar reflexos no papel, de modo que vamos colocar o foco em uma posição central ou no lado oposto da mão com a qual escrevemos.
lidar com uma sessão de estudos de forma eficiente

  • Devemos nos lembrar de ventilar a sala durante o intervalo para recuperar as forças e oxigenar o local. Assim, vamos criar um ambiente mais saudável.
  • Não é bom estudar com música ou com o rádio, pois isso pode nos distrair do conteúdo que estivermos abordando. Porém, se forem exercícios práticos, podemos tentar estudar com música instrumental de fundo.
  • A mesa de estudo deve ter tudo o que vamos precisar: lápis, canetas coloridas, marcadores… Assim, evitaremos nos levantar muitas vezes para procurar o material e não vamos quebrar a nossa concentração.
  • Devemos nos sentir confortáveis, mas não confortáveis demais, caso contrário vamos querer tirar outra ‘soneca’. A cadeira deve ser ergonômica e a sala deve estar a uma temperatura de cerca de 22°.

Motivação e desempenho acadêmico em uma sessão de estudos

Ambos os fatores são, sem dúvida, os mais importantes para lidar com uma sessão de estudos de forma eficiente e para sermos bem-sucedidos em qualquer fase educacional. Murillo (2013) descreveu o desempenho como “a soma de fatores diferentes e complexos que atuam na pessoa que está aprendendo. É um valor atribuído ao desempenho do aluno nas tarefas acadêmicas.”

Porém, não devemos perder de vista a motivação e essas palavras inspiradoras do educador Paulo Freire: “O estudo não é medido pelo número de páginas lidas em uma noite, nem pelo número de livros lidos em um semestre. Estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las”.

  •  Mora Quintero, C. (26 de junio 2014). Entrevista a Paulo Freire; Pedagogía liberadora. Recuperado de: revista pedagógica UNIMINUTO Sur
  •  Barreno Freire, S.N. (2018). La motivación y el rendimiento académico de los estudiantes en la Universidad de Quito. [trabajo tesis doctoral]. Recuperado de. www.dialnet.unirioja.es
  •  Mata Domínguez, A. (2018). Técnicas de estudio para niveles no universitarios. Curso de la Universidad de Comillas.