Más influências: é possível controlar esse aspecto?

As más influências podem afetar permanentemente o desenvolvimento de uma pessoa. Porém, como pais, o importante não é estabelecer limites rígidos, mas conversar e mostrar outros pontos de vista.
Más influências: é possível controlar esse aspecto?

Última atualização: 10 Julho, 2021

As más influências na vida dos filhos é uma preocupação dos pais que não é recente, mas se intensifica principalmente quando eles chegam à adolescência.

Como a própria palavra revela (palavra latina derivada do verbo adolescere: crescer, desenvolver), a adolescência é uma época de muitas mudanças e questionamentos sobre muitas áreas da vida e, portanto, de uma maior suscetibilidade a outras influências que não a dos pais.

A primeira coisa que pode ser útil questionar é por que determinadas influências são consideradas más influências. Às vezes pode ser um simples preconceito. Comumente guiados por estereótipos, nós apresentamos uma tendência a, por exemplo, generalizar e enquadrar uma pessoa com base em sua aparência, mesmo sem ao menos ter conversado com ela antes.

Mas por que tanto medo das más influências? Não deveríamos confiar em nossos filhos?

Aqui, as razões geralmente derivam de duas situações.

Por um lado, há a adolescência (suponho que as más companhias comecem a nos preocupar a partir dessa fase, pois é quando nossos filhos ganham independência para escolher seus amigos e passam a sair só com eles). A adolescência é uma época de muitas mudanças. É quando nossos filhos ganham mais autonomia, o que por sua vez os preenche com a sensação de que já estão crescidos e capazes de tomar decisões.

 

A infância sempre nos foi retratada como a idade da pureza e da alegria, mas sabemos que não é bem assim. Essa fase das nossas vidas pode ter um lado muito difícil: podemos nunca mais ouvir tantos “não” novamente.

Além disso, na era das “vidas de apartamento”, não é só isso: não bagunçar, não brincar com água, não correr, não fazer barulho porque tem vizinhos. Tudo isso deve ser difícil para uma criança.

Portanto, a adolescência pode ser vivida como a primeira sensação de libertação da criança: ela pode sair sozinha, seus pais não controlam suas amizades, seus corpos passam por mudanças muito extremas e a sexualidade aflora.

Nossos filhos experimentam uma espécie de aperitivo da vida adulta. Aperitivo porque tudo isso acontece enquanto ainda moram com os pais e, portanto, ainda precisam se submeter às suas orientações sobre a vida. É aqui que os conflitos começam.

Por outro lado, não temos muito confiança em nossos filhos. Por que sentimos isso? Claro, é algo muito pessoal e cada um deve se perguntar o porquê.

É verdade que os filhos sempre nos trazem surpresas. Não temos como controlar tudo o que acontece com eles, obviamente, e não temos essa intenção.

Há quem tente, mas já sabemos que, além de ser um fracasso, o que conseguimos é afastar ainda mais os nossos filhos do convívio familiar. A medida entre controlar e dar liberdade é algo que cada um de nós terá que encontrar e que aprenderemos à medida que avançarmos.

Quanto ao sentimento de desconfiança, podemos achar que nossos filhos vão nos enganar ou não saberão se defender diante de uma situação que os coloque em risco, simplesmente porque passamos pouco tempo com eles, porque temos poucas conversas com eles ou porque sabemos pouco sobre eles.

Nesse caso, é claro que teremos medo das más influências. Esse medo pode vir exatamente do fato de que os influenciamos muito pouco. Você tem que dedicar algumas horas às crianças. O problema é que cada vez mais a estrutura social é montada para que nos separemos delas, e o mais rápido possível.

É algo quase malvisto desaprovado quando dizemos que somos apenas mães, parece que essa escolha passou a ser uma questão de “a que classe pertencemos”, já que o comentário é sempre: “se você pode arcar com isso”.

Ninguém pensa que quem vive assim geralmente lidar com um orçamento menor e que deixou aquela hipoteca para depois, etc. A conversa em família é algo cultivado. Saborear uma refeição juntos, comentar sobre as coisas, interpretar o mundo, indicar referências por onde começar, fazer julgamentos, enfim, criar versões da vida.

 

Mae e filha conversando sobre as más influências.

Obviamente, para que nossos filhos queiram ouvir o que dizemos, temos que ser um exemplo para eles como pessoas interessantes.

Uma coisa que acontece muitas vezes é que na adolescência nossos filhos não nos amam mais porque somos seus pais, como acontece quando são pequenos. Temos que oferecer a eles outras coisas.

E para isso, uma coisa é certa, a provocação funciona muito mais do que a “pedagogia”. Trazer um novo livro para casa e deixá-lo um pouco fora do lugar ou assistir a um filme sem convidá-los. Tudo isso pode fazer com que eles venham até nós e se tornem mais interessados em seus pais, não se deixando levar pelas más influências.

Uma coisa é certa, nossos filhos são extremamente curiosos e isso nos dá muitas possibilidades.

Por isso, quando desconfiarmos de seus amigos ou pensarmos que nossos filhos estão acompanhados por más influências, devemos procurar oferecer a eles outras possibilidades mais interessantes, tornando nossas próprias vidas mais interessantes também.

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  • Greenwood, R. (2011). Suelta a Nuestros Hijos: Pasos para liberar a sus hijos de las malas influencias y el acoso demoniaco. Charisma Media.
  • Castro, M. T. G. (1988). El niño en edad escolar y las malas influencias (Doctoral dissertation, 211).