Masturbação adolescente: o que os pais precisam saber

É importante normalizar a masturbação como parte da descoberta e do conhecimento sobre nosso corpo e nossos desejos.
Masturbação adolescente: o que os pais precisam saber

Última atualização: 01 julho, 2022

Talvez você tenha dificuldade em se acostumar com a ideia de que aquele menino ou menina que dormiu em seus braços ontem hoje é uma pessoa com seus próprios desejos. Talvez isso venha da educação conservadora que você recebeu ou do que não foi ensinado a você sobre o desenvolvimento da sexualidade. Se você pertence a uma certa geração, ao lembrar seus anos de infância é possível que nunca tenha conversado com seus pais sobre determinados assuntos.

No entanto, não fazer não significa que não exista, porque a sexualidade está lá, desde o momento em que nascemos até a morte. E se expressa de diferentes maneiras, dependendo da fase da vida em que nos encontramos. Mas ela sempre existe e nos atravessa como seres humanos.

Um dos momentos mais desafiadores para os pais em relação à sexualidade dos filhos tem a ver com a masturbação, pois é o momento em que surgem a curiosidade e o desejo de explorar a genitalidade. Na adolescência, esse aspecto é um fator fundamental no desenvolvimento normal e hoje vamos ajudar você a entender melhor o que é e como abordar esse assunto com seus filhos.

Quais são as implicações da masturbação na adolescência?

Às vezes, o “despertar” da curiosidade sobre os genitais e as sensações experimentadas durante a masturbação pega os adultos de surpresa. Na verdade, nem sempre eles têm as ferramentas para abordar o assunto com os filhos, seja pela própria educação, pela desinformação atual ou pela vergonha e pudor que giram em torno dessas questões. No entanto, é importante quebrar algumas barreiras e se aproximar dos jovens a fim de orientá-los nessa e em outras questões.

O desenvolvimento da sexualidade é um fenômeno natural e a masturbação faz parte de um processo fisiológico e saudável. Esse ato constitui uma forma de exploração, descoberta e entendimento em relação ao que gostamos e ao que não gostamos, com o que nos sentimos confortáveis ou desconfortáveis.

Além de ser uma questão ligada à genitalidade, a masturbação, como parte do desenvolvimento sexual, tem outras implicações. Eça está relacionada ao estabelecimento de relações afetivo-sexuais, ao respeito ao outro, ao cuidado com o próprio corpo e suas necessidades e ao autoconhecimento.

Portanto, abordar a masturbação de uma perspectiva positiva implica fornecer às crianças ferramentas úteis a fim de estabelecer bases seguras para relacionamentos saudáveis, gratificantes, respeitosos e de cuidado mútuo.

As relações afetivas entre adolescentes são importantes em uma etapa-chave do despertar sexual. Por isso, os pais devem fornecer a eles as ferramentas necessárias para que possam desfrutar de uma sexualidade plena, saudável, respeitosa e solidária.

Algumas recomendações para falar sobre masturbação na adolescência

Antes de discutir sexualidade e masturbação com seus adolescentes, confira algumas dessas dicas:

  • Discuta o que você sabe (e acha que sabe) sobre masturbação. Dessa forma, você poderá identificar quais são seus preconceitos, acabar com mitos e evitar transmitir ideias errôneas aos seus filhos.
  • Evite fazer a diferença por gênero. A masturbação não é exclusiva dos homens, pois as mulheres também a praticam. Dessa forma, evita-se gerar uma ideia errada ou diferencial entre meninas e meninos.
  • Tenha em mente que não falar sobre masturbação e sexualidade é tão prejudicial quanto fazer isso de forma inadequada. Isso significa que determinados temas são apresentados e surgem de acordo com o momento evolutivo dos jovens e que situações ou temas não devem ser forçados porque “É melhor que eles saibam mais e não menos”. A compreensão e integração da informação anda de mãos dadas com a maturidade de cada criança ou jovem e as explicações devem ser sempre graduais e claras.
  • Defina algumas regras em torno da masturbação. É necessário normalizar que as pessoas se masturbem e que não sintam nenhuma vergonha disso. No entanto, é um ato íntimo e, se for feito com outra pessoa, deve haver o consentimento de ambas as partes. Além disso, implica não dar detalhes sobre esse ato se quem o faz não quiser compartilhá-los ou seu ambiente não quiser conhecê-los.
  • O como é tão importante quanto o quê. Seus gestos, seu tom de voz, sua linguagem corporal também transmitem muitas informações, além do conteúdo em si. Tente, portanto, não contradizer o que você diz com o que você faz. Nesse sentido, se você perceber que não sabe abordar o assunto ou lhe causa desconforto, pode utilizar recursos audiovisuais.
  • Pergunte o que seus filhos sabem ou pensam. Muitas vezes, os jovens lidam com ideias erradas, que os impedem de se conectar com a sexualidade de forma saudável e os levam a vivê-la com culpa.
Pai ensinando seu filho a aumentar sua confiança e evitar a ansiedade.
Não finja saber tudo. Simplesmente, reconheça suas limitações, busque informações e aborde o assunto com seus filhos. Você pode até aproveitar séries e filmes para abrir espaço para um diálogo empático e sincero com eles.

Não tenha medo de admitir que você não sabe tudo.

Por fim, é importante que os adultos relaxem com a ideia de ter todas as respostas para todas as perguntas. Se há algo que as crianças vêm nos ensinar, é que mais de uma vez aprenderemos com elas. Por isso, o melhor é admitir suas próprias limitações, informar-se para encontrar uma resposta ou mesmo descobri-la juntos.

Se esperarmos que eles sejam especialistas antes de vivenciar sua própria sexualidade, chegaremos tarde demais. É melhor criar o espaço de troca e dar aos adolescentes a oportunidade de adquirir ferramentas úteis a tempo de desfrutar de uma vida plena.

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  • Guarín-Serrano R, Mujica-Rodríguez AAM, Cadena-Afanador LP, Useche-Aldana BI. Una mirada a la masturbación femenina: estudio descriptivo transversal en mujeres universitarias del área metropolitana de Bucaramanga, Colombia. Rev. Fac. Med. 2019;67(1):63-8. Spanish. doi: http://dx.doi.org/10.15446/revfacmed.v67n1.64125