O método ROPA

25 de setembro de 2019
O método ROPA é uma técnica de reprodução assistida que permite que casais de mulheres compartilhem a maternidade e o processo de gravidez.

O modelo de família está mudando. A diversidade está abrindo caminho enquanto os avanços tecnológicos nos acompanham, facilitando o sonho de muitas pessoas: serem pais. O método ROPA é um procedimento inovador de reprodução assistida destinado a casais formados por duas mulheres.

Reprodução assistida

Devido à situação sociocultural em que vivemos, cada vez mais pessoas estão recorrendo à reprodução assistida. A idade média para ser mãe vem aumentando significativamente nas últimas décadas, com as dificuldades que isso implica.

Além disso, o modelo tradicional de família está dando lugar a uma variedade de opções, tais como famílias monoparentais ou homoparentais. Os avanços tecnológicos no campo da reprodução oferecem diferentes alternativas, dependendo da situação pessoal de cada indivíduo.

As mais utilizadas são a fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial (IAD). No entanto, um novo procedimento está surgindo, oferecendo uma vantagem comparativa para os casais de mulheres que desejam ser mães.

O papel da mãe doadora

O que é o método ROPA?

Também conhecido como fertilização recíproca, o método ROPA (Recepção dos Óvulos da Parceira) é um tratamento de reprodução assistida para casais de mulheres que desejam que ambas participem do processo de gravidez.

Por meio dessa técnica, é atribuído um papel ativo às duas mulheres. Uma das mulheres será a doadora que contribuirá com os óvulos, sendo, portanto, a mãe biológica.

E a outra mulher será a receptora para quem serão transferidos os embriões, formados pelo óvulo de sua parceira e pelo sêmen de um doador. Essa segunda mulher se tornará, portanto, a mãe gestante, que ficará grávida e dará à luz o bebê.

Em quais casos o método ROPA é indicado?

  • Escolha própria. Quando as duas mulheres desejam compartilhar a maternidade e ter um papel ativo e conjunto na criação dessa nova vida.
  • Razões médicas. Quando uma das mulheres tem dificuldades reprodutivas, tais como ausência ou deficiência de ovócitos adequados, alterações nos ovários ou risco de transmissão de certas doenças hereditárias.

O papel da mãe doadora

Em primeiro lugar, a mulher que doa os óvulos deve ser submetida a um tratamento de estimulação ovariana que consiste em injeções diárias autoaplicáveis.

Por meio desse tratamento hormonal, que dura entre 10 e 20 dias, é possível que a mulher produza vários óvulos de uma só vez, em vez de apenas um, como é o natural. Isso será benéfico para conseguir realizar vários ciclos futuros de inseminação sem ter que repetir esse processo.

Após essa estimulação, e uma vez que os óvulos tenham atingido o número e o tamanho necessários, é administrada uma dose do hormônio hCG, que induz a sua maturação. 36 horas depois, será realizada a punção para remover os óvulos.

A extração é realizada por meio de um procedimento indolor, com duração de 15 minutos. É realizado em sala de cirurgia, sob sedação, e consiste na introdução de uma cânula na cavidade vaginal.

Reprodução assistida

Após a obtenção dos óvulos, eles são fertilizados, in vitro, com o sêmen de um doador e, então, a evolução dos embriões é acompanhada durante três a cinco dias, para classificá-los a fim de selecionar o mais adequado.

O papel da mãe gestante

Enquanto a parceira estiver passando pela estimulação ovariana, a mulher que vai engravidar deve ser submetida a um tratamento com estrogênio e progesterona. Isso tem como objetivo a obtenção de uma espessura endometrial correta, maximizando assim as chances de implantação do embrião.

Uma vez preparado o endométrio, o melhor embrião é transferido para a cavidade uterina. É um processo rápido e indolor, realizado através de uma cânula e que não requer anestesia ou cuidados subsequentes.

Aproximadamente 11 dias após a transferência, é feito um teste de gravidez que, se for positivo, significa o fim do procedimento. A partir de então, após um ultrassom de controle com o ginecologista habitual, que será o responsável por continuar com o acompanhamento da gravidez.

  • Marcos, C., Dolz, M., Abad de Velasco, L., & Bonilla-Musoles, F. (2006). Influencia del grosor endometrial en la aparición de gestación ectópica tras un procedimiento de fecundación in vitro-TE. Rev Iberoamericana Fertil23, 349-354.
  • Kushner-Dávalos, L. (2010). La fertilización in vitro: beneficios, riesgos y futuro. Revista Científica Ciencia Médica13(2), 77-80.