Modelagem e encadeamento para ensinar habilidades

24 Abril, 2020
As crianças precisam aprender muitas novas habilidades durante os primeiros anos de vida. A modelagem e o encadeamento são duas técnicas que podem ajudá-las.
 

Como pais, somos responsáveis ​​por ajudar os nossos filhos a adquirir novas habilidades. Somos os seus mentores para a vida, assim está em nossas mãos facilitar a tarefa de aprender a falar, andar, escovar os dentes ou se vestir sozinho. A modelagem e o encadeamento são duas técnicas muito simples e eficazes para atingir esse objetivo.

Ambas são técnicas operantes baseadas no reforço, que ajudam as crianças a dominar uma habilidade ou comportamento de forma progressiva. Devido à sua facilidade de aplicação, elas podem ser usadas ​​em casa quando não houver a necessidade da intervenção de um profissional.

Modelagem e encadeamento: duas técnicas operantes

Tanto a modelagem quanto o encadeamento se enquadram na abordagem operante da modificação do comportamento, que se baseia na premissa de que as nossas ações são influenciadas pelas suas consequências. Assim, se um comportamento é recompensado (ou reforçado), a sua frequência aumentará naturalmente. Da mesma forma, se ele for punido ou ignorado, a sua incidência será reduzida.

Modelagem e encadeamento para ensinar habilidades

A partir dessa base, ambas as técnicas usam o reforço e a extinção para moldar o comportamento das crianças de uma maneira positiva. Elas podem ser usadas ​​para estabelecer novos comportamentos ou modificar os já existentes. No entanto, a modelagem e o encadeamento têm algumas especificações distintas que devem ser levadas em consideração.

 

Modelagem

A modelagem é utilizada para estabelecer, de maneira progressiva, comportamentos simples e unitários. Por exemplo, para ensinar a criança a pronunciar uma palavra ou a recortar com uma tesoura. Para isso, é utilizado o método das aproximações sucessivas, que consiste em reforçar comportamentos cada vez mais semelhantes ao ato final.

Assim, é necessário, em primeiro lugar, definir o objetivo: por exemplo, que a criança aprenda a pronunciar a palavra ‘boneca’. Em seguida, devemos conhecer a linha de base a partir da qual vamos começar, ou seja, um comportamento que já existe no repertório da criança e a partir do qual possamos trabalhar. Nesse caso, pode ser que a criança pronuncie ‘eca’ toda vez que queira a sua boneca.

A partir deste ponto, teremos que reforçar as pronúncias cada vez mais próximas do objetivo final. Assim, a princípio, será conveniente reforçar o ‘eca’, para que a criança se sinta motivada a continuar pedindo a sua boneca usando as palavras.

No entanto, posteriormente, a exigência precisa ser aumentada, de modo que vamos parar de reforçar o ‘eca’ e vamos tentar fazer a criança emitir uma pronúncia mais semelhante.

Se, por exemplo, conseguirmos que ela diga ‘noneca’, essa será a nova aproximação a ser recompensada e, portanto, vamos parar de reforçar o anterior ‘eca’. Assim, por meio da nossa atenção e elogios, levaremos a criança a uma pronúncia mais precisa até que ela consiga dizer a palavra inteira.

 
Modelagem e encadeamento para ensinar habilidades

Encadeamento

O encadeamento é usado para vincular comportamentos simples para que uma sequência seja formada. É isso que queremos alcançar, por exemplo, se quisermos que a criança aprenda a escovar os dentes. Fazer isso corretamente requer uma série de ações, uma após a outra.

No encadeamento para a frente, ensinamos para a criança a primeira etapa do processo, por exemplo, colocar a pasta de dentes na escova, e essa ação é recompensada, sendo o adulto quem vai executar o restante da sequência.

Progressivamente, serão adicionadas etapas, tais como escovar os dentes de cima, os de baixo, os molares, enxaguar… e apenas a última extensão da sequência será reforçada. Ou seja, se a criança já tiver passado pelas etapas até chegar a escovar os molares, não faria sentido reforçar o simples ato de colocar a pasta na escova.

Outra variação dessa técnica é o encadeamento de trás para a frente, no qual a sequência começa a ser adquirida pelo final e os passos anteriores são adicionados gradualmente. Por exemplo, se quisermos que a criança arrume a sala depois de brincar, podemos guardar todos os seus brinquedos, exceto um. Vamos deixar que a criança guarde o último e então vamos recompensar o seu comportamento. 

 

No dia seguinte, a criança guardará dois brinquedos, no próximo, três, e assim sucessivamente, até que ela arrume a sala sozinha. O ponto favorável dessa opção é que a criança começa a aprender a partir dos passos mais próximos da conclusão, ou seja, do sucesso. Isso pode fazer com que a sua motivação seja maior desde o primeiro dia.

Em resumo, ambas são técnicas simples e fáceis de aplicar em casa. Elas são uma alternativa muito favorável para ajudar a criança a adquirir novas habilidades a partir de uma abordagem positiva e reforçadora.