Não importa se você vai mais devagar, sua mãe sempre irá no seu ritmo

· 31 de outubro de 2018
Devemos ser pacientes, artesãos do desenvolvimento, artifícios da curiosidade e um pilar afetuoso que não julga nem castiga, mas que educa com carinho, intuição e amor eternos.

Nesse mundo corrido, uma criança que vai mais devagar se sente perdida. Por isso, ela precisa que seus pais se ajustem ao seu ritmo sem exercer pressões que, mais tarde, se transformarão em medos e frustrações.

Uma das palavras que muitos pais tem em mente é ‘’quando’’. Quando meu filho deve começar a falar? Quando vai começar a andar? Quando meu filho deveria iniciar o processo de alfabetização?

Estas dúvidas são muito comuns. Contudo, deveríamos saber desde o princípio que esse ‘’quando’’ não é igual para todas as crianças.

Se nosso filho ainda vai mais devagar na realização de certos aprendizados, se percebemos que sua locomoção ainda é insegura, se sua imatura percepção ou coordenação entre mãos e olhos ainda carece de harmonia, não devemos antecipar ideias, tais como, ‘’meu filho tem uma deficiência’’ ou ‘’meu filho sofre de algum transtorno’’.

Se há algo que devemos reconhecer, é que todos nós em algum momento de nosso desenvolvimento temos problemas de aprendizagem.

No entanto, se a qualquer momento o pediatra ou psicólogo nos oferece um diagnóstico específico dessa lentidão, dessa deficiência ou imaturidade, não devemos enxergar como um problema.

Devemos ver como um desafio ou uma aventura para caminhar diariamente com nosso filho com máxima energia e motivação.

Entendemos que não há filhos com problemas, mas, sim, uma sociedade que não se adapta às necessidades de nossas crianças.

Começando por nós mesmos. Dessa forma, sejamos a mão sábia que guia no próprio ritmo para permitir levar uma vida normal, uma vida digna e feliz.

Crianças com desenvolvimento lento ou diferente

mais devagar

Judit Falk é uma especialista em educação infantil e autora de muitos livros dedicados ao desenvolvimento infantil.

Uma das perguntas que encabeçam grande parte do seu trabalho é “o que entendemos por desenvolvimento normal”.

Vivemos em uma sociedade na qual é muito comum estar sempre acelerado. Assim, uma criança que vai mais devagar, que possui um ritmo mais lento, muitas vezes, é encarada como um problema para as instituições de ensino.

Essa autora nos recomenda algo muito importante. A criança mais frágil, aquela que vai mais devagar, é aquela que mais de vínculos fortes com seus pais. Eles precisam de nós.

Como é uma criança com desenvolvimento lento?

A evolução do bebê é considerada normal quando atende às metas definidas em escalas de desenvolvimento, em tabelas e manuais de pediatria, cuidados infantis e psicologia.

Crianças com desenvolvimento lento, por sua vez, apresentam certas dificuldades em chegar a determinadas realizações como, engatinhar, andar, se comunicar e desenvolver a capacidade de atenção a estímulos verbais e de expressão.

Sem dúvida, são muitas áreas e muitos pequenos detalhes que rapidamente chamam a atenção dos pais.

Se meu filho é lento em alcançar determinadas capacidades, isso significa que tem algum tipo de atraso mental ou físico?

Antes de qualquer dúvida, problema ou dificuldade, serão sempre os nossos médicos, pediatras e psicólogos que farão uma avaliação correta.

No entanto, convém deixar claro que, não devemos ficar “obcecados” com esses índices numéricos.

Por sua vez, muitos especialistas advertem que nos últimos anos devido à prematuridade das crianças, cada vez mais há diferenças individuais e diferenças em relação à idade que devem ou não fazer tal coisa.

Portanto, em nenhum momento devemos pensar que, porque nosso filho é um pouco mais lento, ele possui algum tipo de deficiência.

Não podemos esquecer, por exemplo, que o próprio Albert Einstein foi descrito como um “aluno lento” na escola. Nenhum professor acreditava na capacidade dele.

Vou mais devagar, me dê um tempo e me acompanhe

mais devagar

Emmi Pikler foi uma eminente pediatra nos anos 30, autora de livros bem conhecidos como “Moverse en libertad” (“Mover-se livremente”, tradução livre) ou “Motricidad global” (“Habilidades motoras globais”, tradução livre).

No entanto, uma das suas obras mais conhecidas, publicada após sua morte, foi exatamente o livro “Dadme tiempo” (“Deem-me tempo”, tradução livre).

Neste livro, notamos um fato muito importante. Cada passo que a criança der mais devagar do que o resto deve ser feito com prazer e amor.

Algo que se vê frequentemente é que, depois de ter alcançado certas realizações com a ajuda de adultos, a criança perde o prazer ou o interesse de exercer as atividades adequadas ao seu nível de desenvolvimento.

Ela deixa de realizar essas atividades porque se sente pressionada. Sente o estresse de seus pais porque se sente insegura, desconfortável ou com medo.

Portanto, é preciso nunca esquecer de algo muito simples. Devemos ser os mediadores de aprendizagem, sem cuidando com carinho, respeito e amor.

Qualquer assistência prestada a partir da proximidade, e não da pressão, é absorvida mais facilmente e de forma significativa.

Sejamos, portanto, companheiros e pacientes. Sejamos sempre uma mão sabe manter o ritmo de nossos filhos.