O apego evitativo em crianças e suas características

Quando as crianças sentem que comunicar suas necessidades emocionais aos pais ou às pessoas com quem têm vínculos fortes não surte nenhum efeito, o apego evitativo surge. Por que isso acontece?
O apego evitativo em crianças e suas características
María Alejandra Castro Arbeláez

Revisado e aprovado por a psicóloga María Alejandra Castro Arbeláez.

Escrito por Naí Botello

Última atualização: 27 dezembro, 2022

O apego evitativo em crianças pode ser definido como uma supressão das emoções por parte da criança, que considera que ela não recebe a atenção ou a resposta esperada dos pais ou das figuras encarregadas do seu cuidado.

A partir disso, as crianças mantêm uma posição de autossuficiência e independência com relação à necessidade de atenção ou ligações externas, incluindo o amor.

Os sentimentos de apego estão presentes em crianças, adultos e também em outras espécies de mamíferos. Essa condição permite, entre outras coisas, consolidar uma sensação de segurança e estabilidade quase como uma forma instintiva de sobrevivência. Ademais, também é fundamental para criar laços sociais.

O apego evitativo em crianças e suas características

Traços de crianças com apego evitativo

De acordo com as teorias do apego evitativo desenvolvidas por Mary Ainsworth, a criação de vínculos de amor e dependência é formada em indivíduos desde a mais tenra idade e são saudáveis para os seres humanos, entendendo que somos seres sociais.

No entanto, quando uma criança percebe que as pessoas mais próximas a ela, sejam elas seus pais ou os responsáveis pelo seu cuidado, não respondem positivamente às suas expectativas de atenção ou quando elas se sentem constantemente rejeitadas, surge um sentimento de independência que as encoraja a reprimir os seus desejos de pedir ajuda, proteção ou afeto.

As crianças aprendem desde cedo que a relação que mantêm com as pessoas responsáveis por lhes dar proteção é frustrante. Então, elas literalmente tomam uma atitude de não se sentirem afetadas nem de forma positiva nem de forma negativa pela presença, ausência ou ajuda de seus pais.

Em alguns casos da pesquisa desenvolvida por Ainsworth, por exemplo, as crianças evitavam chorar para pedir comida ou uma ajuda em particular apenas para não serem rejeitadas pelos pais e poderem ficar perto deles na mesma sala.

Outra característica muito marcante das crianças com apego evitativo é que elas se abrem e são mais receptivas a se comunicar e se relacionar com pessoas que estão fora de seu núcleo mais próximo. Por isso, elas são amigáveis com estranhos.

Traços de crianças com apego evitativo

Sintomas do apego evitativo em crianças

As crianças com apego evitativo mostram certas atitudes no seu comportamento que permitem que elas sejam identificadas. Algumas dessas expressões são:

  • Ficam isoladas e tendem a não dar muitas expressões de afeto.
  • Podem ser hostis com seus colegas de classe ou com as pessoas ao seu redor.
  • As crianças com apego evitativo são aquelas que mais praticam o bullying com seus colegas.
  • Sentem-se desconfortáveis com o contato físico, entendido como abraços ou beijos.
  • Sentem-se incomodadas pelos seus professores.
  • Fazem birra com frequência.
  • Podem mostrar grande autoestima, que anda de mãos dadas com o sentimento de que os outros são inferiores a elas.

“O apego consolida uma sensação de segurança e estabilidade quase como uma forma instintiva de sobrevivência. Ademais, também é fundamental para criar laços sociais.”

Tratamentos para eliminar o apego evitativo em crianças

É importante identificar se uma criança desenvolveu o apego evitativo, porque geralmente as pessoas que sofrem dessa condição têm sérias dificuldades de se relacionar emocionalmente quando são adultas. Ainda mais prejudicial é o fato de que, se tiverem filhos, elas podem promover o mesmo tipo de apego neles.

As terapias para eliminar esse tipo de apego se concentram em tentar chegar o mais próximo possível da origem das experiências que causaram a necessidade de suprimir os sentimentos. Em seguida, procura-se ajudá-las a reconhecer por que esses eventos ocorreram e incentivá-las a aliviar a sua tristeza pelo fato.

Tratamentos para eliminar o apego evitativo em crianças

Depois que as causas são identificadas, tenta-se induzir a criança a fazer exercícios nos quais ela possa se sentir confortável sendo vulnerável, ou estimulá-la a ser capaz de confiar em outras pessoas sem ter uma predisposição para a rejeição ou o fracasso.

O especialista em psicologia que tratar a criança com apego evitativo também vai trabalhar de forma exaustiva para diminuir os seus níveis de ansiedade. Eles podem ser conscientes ou inconscientes e mantê-la constantemente alerta e estressada sobre os vínculos e interações com os outros.

O apego evitativo é uma condição que acarreta muitas frustrações na interação social, uma vez que as crianças portadoras desse distúrbio dificilmente conseguirão se desprender de seus efeitos e vão transferi-los para a idade adulta.

Por isso, se você identificar uma ou mais dessas características no seu filho, não hesite em documentar mais sobre o caso e procurar imediatamente o auxílio de um profissional.


Todas as fontes citadas foram minuciosamente revisadas por nossa equipe para garantir sua qualidade, confiabilidade, atualidade e validade. A bibliografia deste artigo foi considerada confiável e precisa academicamente ou cientificamente.


  • Barudy, J., & Dantagnan, M. (2005). Los buenos tratos a la infancia: Parentalidad, apego y resiliencia. Editorial Gedisa.
  • Garrido-Rojas, L. (2006). Apego, emoción y regulación emocional. Implicaciones para la salud. Revista latinoamericana de psicología, 38(3), 493-507. https://www.redalyc.org/pdf/805/80538304.pdf
  • Marrone, M., Diamond, N., Juri, L., & Bleichmar, H. (2001). La teoría del apego: un enfoque actual. Madrid: Psimática.
  • Mosquera D, Gonzalez, A (2009) Escala de Apego y Patrones Relacionales.
  • Mosquera, D., & González, A. (2013). Del apego temprano a los síntomas del trastorno límite de personalidad. Revista Digital de Medicina Psicosomática y Psicoterapia, 3(3), 1-33. http://www.psicociencias.com/pdf_noticias/Apego_y_TLP.pdf
  • Shaffer, D. R., & del Barrio Martínez, C. (2002). Desarrollo social y de la personalidad. Madrid: Thomson.

Este texto é fornecido apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu especialista.