O direito das crianças de não dar beijos quando não querem

02 Novembro, 2017

Em muitas culturas o beijo social é utilizado como uma forma de cumprimento. Por isso alguns pais obrigam seus filhos a se socializar seguindo essa norma. O que em certos casos faz com que a criança não queira dar beijos em conhecidos ou estranhos.

Para as crianças pequenas, dar um beijo está associado a carinho. Elas aprendem a beijar seus pais como um ato espontâneo de amor. O que é completamente oposto com um desconhecido.

Antes de obrigar uma criança a dar um beijo em um estranho, ou até mesmo em um parente é conveniente perguntar se ela se sente à vontade para fazer isso. Os adultos escolhem entre cumprimentar com um beijo ou com um aperto de mão. A mesma coisa deve funcionar para as crianças.

O processo de crescimento de uma criança parte do aprendizado de conhecer e estabelecer limites. Isso também tem a ver com estabelecer limites afetivos. É importante que as crianças aprendam que elas têm o direito de decidir se querem ser íntimas de determinada pessoa.

Equivocadamente os pais acham que ao negar um beijo, seus filhos são mal-educados. Mas existem outras maneiras de mostrar educação, inclusive para as crianças pequenas. Cumprimentar ao chegar, dar as mãos ou uma palmadinha nas costas também são formas de educação aceitas.

 Não dar beijos é mais que uma atitude

menina chorando e se recusando a dar beijos

É recomendável que todos os pais tenham conversas com seus filhos sobre o carinho e a educação. O carinho deve ser uma forma espontânea de sentimento. Ao passo que, a educação demonstra respeito a terceiros.

Apesar do fato de que uma criança deve tratar com respeito os adultos, ela não é obrigada a ser carinhosa se não quiser.

A educação e o carinho não precisam necessariamente conviver em igualdade. Por isso, as crianças não devem ser obrigadas a dar beijos ou abraços sem seu consentimento. Essa pode ser a maneira com a qual elas estabelecem seus limites com o desconhecido.

Alguns especialistas concordam que a obrigação de dar beijos pode deixar as crianças vulneráveis. A maioria assume uma atitude complacente por tentar ser carinhosa ou educada. Essa atitude expõe a criança ao abuso ou ao assédio.

Em geral os abusos de crianças ocorrem com pessoas próximas a elas. Isso pode ser uma consequência da complacência da criança por ser “carinhosa”. Sendo obrigadas a dar carinho, elas não sabem dizer não ao contato físico.

Os beijos e a obediência

mãe com o seu filho no colo beijando-o

A obrigação também está associada ao termo obediência. Na sociedade o conceito de obediência se relaciona ao fato de a criança fazer o que seus pais disserem. Sem se importar se estão certas, ou não, ao beijar e abraçar.

Novamente, essa situação leva a criança a um estado de submissão ou vulnerabilidade. Antes de ensiná-las a serem obedientes, as crianças devem aprender a ter critérios próprios. Aprender a ser seletivas.

Por que é preciso respeitar a decisão das crianças de não dar beijos?

 Em primeiro lugar, se ensina à criança que ela é dona do seu corpo. Ela poderá decidir quando quer estabelecer contato físico e com quem. Além de diferenciar entre afeto e respeito.

As decisões que a criança tomar sobre seu corpo a deixarão menos vulneráveis a um assédio. Isso também se aplica a situações de bullying. A complacência pode levar a criança a aceitar piadas de mau gosto para se encaixar em um grupo.

Ensinar as crianças a tomar suas próprias decisões lhes proporcionará autoestima. Uma criança que desenvolve um critério próprio é um adulto seguro de si. O papel dos pais é acompanhar as crianças nesse processo.

criança sendo beijada por uma mulher

Por outro lado, a criança aprende a respeitar os espaços individuais. Nem todos os adultos reagem da mesma maneira à uma criança. Alguns se sentem intimidados na presença de crianças.

Não obrigar as crianças a dar beijos em desconhecidos pode livrá-las de situações desconfortáveis. Por exemplo uma situação de rejeição.

Outro fator a se considerar no ponto de vista das crianças é a confusão mental. As crianças menores são mais impulsivas. O que pode resultar em querer beijar qualquer pessoa. Dessa forma elas estarão mais expostas a situações de abuso ou rejeição.

Por fim, pode-se tratar de um tema de saúde. Obrigar as crianças a dar beijos pode deixá-las expostas a infecções virais ou doenças de contato.