O medo na infância

· 21 de maio de 2018
O medo geralmente é uma resposta normal a um ambiente novo ou ameaçador. As crianças especialmente demonstram medo à medida que crescem e se tornam mais conscientes dos perigos explícitos e implícitos na vida cotidiana.

O medo na infância representa um fenômeno universal e onipresente em todas as culturas. A única explicação para essa regularidade é que o medo tem um importante componente de valor adaptativo para as crianças.

Em pequena escala, essas sensações de medo nas crianças sempre são desagradáveis. Apesar disso, podem cumprir uma função de sobrevivência, como pode ser o fato de se adaptar a alguma situação considerada de perigo pela criança.

Paralelamente, quando o medo não tem a ver com uma causa real, pode alterar sensivelmente a capacidade da criança de enfrentar situações cotidianas.

Não há dúvidas de que os medos são evolutivos e normais em certa idade. À medida que a criança cresce e seu sistema psicológico amadurece, a tendência natural é que os medos desapareçam de forma progressiva.

Apesar disso tudo, em alguns casos esses medos podem se manter por um tempo, podendo causar transtornos que precisam dos cuidados de um profissional.

Origens do medo na infância

1.- Padrões na família

Os pais que tendem a ser medrosos ou que têm histórico de transtornos de ansiedade costumam ter filhos com medos ou ansiedade em maior proporção do que pais que não são ou não têm esse tipo de histórico.

2.- Informações negativas

Uma informação negativa sobre alguma situação ou estímulo específico pode ser uma fonte que gera medo. A capacidade de acreditar será condicionada pelo que for mais relevante para a criança e a pessoa que emite a informação.

3.- Aprendizagem direta

Há um tipo de medo que se adquire por aprendizagem direta, como é o medo de não conseguir respirar. Esse é o caso de crianças que já sofreram ataques de asma ou que já acordaram repentinamente à noite com a sensação de não conseguir respirar.

4.- Condicionamento

Outra forma de aquisição de medos é por condicionamento. Vamos imaginar uma criança que quando era mais nova sofreu queimaduras significativas ao brincar com um rojão que explodiu em suas mãos. Provavelmente, a simples visão de um rojão ou seu barulho vai causar muito medo.

5.- Experiências desagradáveis

Por fim, incluímos como possível fonte de criação de medos outras experiências de vida desagradáveis ou traumáticas, como presenciar maus-tratos, brigas ou situações que causam impactos emocionais (acidentes, morte de algum parente, etc.).

No pior dos casos, esses medos podem causar transtornos clínicos mais graves, como fobias específicas, ansiedade generalizada ou estresse pós-traumático.

“Foi um ótimo conselho que um dia escutei uma criança receber: você sempre tem que fazer essas coisas que te dão medo”

-Ralph Waldo Emerson-

Como enfrentar o medo na infância?

Quando os medos são mais graves, persistentes e alteram significativamente o ritmo normal da vida da criança no seu meio familiar, escolar ou social, podemos estar lidando com medos que deveriam ser objeto de tratamento especializado.

Siga os seguintes conselhos para enfrentar o medo na infância:

Viva a situação com normalidade

Você não deve demonstrar preocupação ou angústia. Lembre-se de que a criança frequentemente interioriza os comportamentos e percebe o estado emocional dos pais.

Não force a criança a fazer aquilo que a faz sentir medo

Quando se trata de medos que afetam significativamente o desenvolvimento e a vida cotidiana da criança, é preciso elaborar um plano de intervenção com o objetivo de ajudá-la.

Oriente seu filho

Algumas técnicas psicológicas utilizam a chamada encenação emotiva, na qual várias aproximações da criança ao objeto ou situação que causam medo ocorrem acompanhadas por instruções prévias.

Nessas situações, a criança deve assumir o papel de ajudante ou colaborador de algum herói de ficção da sua escolha. Esse é o tratamento psicológico mais utilizado em transtornos de ansiedade, medos e fobias.

Agir segundo o modelo

Um dos pais pode realizar a conduta temida (por exemplo, ficar no quarto com as luzes apagadas) para mostrar para a criança que nada de ruim vai acontecer. No entanto, é mais eficaz quando quem é o modelo tem a mesma idade da criança.

Não ridicularize a criança

Sempre evite ridicularizar a criança pelos seus medos, especialmente na frente de outras crianças. A atenção deve ser direcionada às possíveis soluções, não às consequências punitivas.

Ansiedade

Em relação aos medos, geralmente também se fala sobre ansiedade, pois está presente em todos os processos. O termo é utilizado para destacar as importantes alterações psicofisiológicas que ocorrem no organismo das crianças quando sentem um medo intenso.

Esse estado de ativação pode ocorrer perante um estímulo específico (uma fobia) ou também na ausência de qualquer estímulo. Simplesmente, a criança sente a angústia, mas não é capaz de descrever as causas, pois são muito difusas.

Em suma, você não deve se preocupara se seu filho apresentar medos na infância, pois é normal e não deve ser motivo de preocupação sempre que não for exagerado. Utilize os conselhos acima e ajude seu filhos a vencer os medos!