O que é a gravidez molar ou mola hidatiforme?

· 17 de abril de 2018
A mola hidatiforme pode complicar a situação da gestante. É imprescindível a atuação de um profissional para diagnosticar e avaliar as medidas que devam ser tomadas. Como surge este tipo de gravidez?

As molas hidatiformes são malformações gestacionais que não chegam ao final do processo. Ocorrem quando o produto da fecundação se converte em um tumor que cresce rapidamente em formato de cacho.

Tecnicamente, os trofoblastos, que são as células que formam a placenta, se reproduzem descontroladamente e formam o que se chama de mola hidatiforme.

Estas gestações atípicas podem ser completas ou parciais:

  • É completa se o tumor não inclui formação embrionária.
  • É parcial quando, além dos tumores em formato de cacho, também se encontra um embrião.
  • Também é possível que se apresentem gêmeos compartilhando o espaço com o tumor.

Este tipo de gestação normalmente acontece por problemas de ordem genética. No caso de uma gravidez molar completa, um ou dois espermatozoides fecundam um óvulo vazio, e a contribuição genética é proveniente do pai em sua totalidade.

No caso da gestação molar parcial, há material genético da mãe, porém o do pai está duplicado. O resultado final é um embrião com 69 cromossomos, ao invés do que é considerado normal, 46.

Nas gestações molares parciais, infelizmente os embriões não poderão se desenvolver, sendo vencidos pela excrescência anormal. Com que frequência acontece esta situação? Há aproximadamente entre 0,5 e 1 caso para cada 1.000 gestações.

Fatores de risco que causam uma gestação molar

São considerados fatores de risco os seguintes:

  • Gestação em mulheres com mais de 40 anos de idade. As gestações nesta faixa etária vêm mostrando maior incidência de molas hidatiformes.
  • Ter passado por uma gestação molar anteriormente.
  • Gestantes que tenham sofrido aborto espontâneo.
  • Deficiências nutricionais, como pouca proteína na dieta e falta de carotenos (vitamina A).
  • Tratamentos de reprodução assistida.
Fatores de risco, gravidez molar

Como se percebem as gestações molares e seus sintomas?

Em geral, a gestante sentirá sintomas típicos da gravidez, como a ausência da menstruação, náuseas e crescimento abdominal. Sintomas que não são típicos de uma gravidez saudável costumam começar a surgir, revelando a necessidade de controle e diagnóstico.

Alguns destes sintomas são:

  • Perda de sangue ou tecido em forma de cacho pela vagina.
  • Náuseas e vômitos.
  • Pressão alta.
  • Inchaço nas extremidades inferiores.
  • Anemia.
  • Cistos ovarianos.
  • Útero muito grande ou muito pequeno.
  • Falta de atividade fetal, como movimentos no saco gestacional ou batimentos cardíacos.

De qualquer maneira, o especialista poderá pedir um exame para identificar se há níveis elevados do hormônio da gravidez (hCG). Ao realizar um exame pélvico e através do ultrassom, ele pode detectar um tamanho anormal do útero ou a formação das molas e de um embrião.

“As gestações molares costumam acontecer devido a problemas de ordem genética”

Como são tratadas as gestações molares?

As gestações molares costumam provocar abortos espontâneos. Para evitá-los, o tumor deve ser removido cirurgicamente, com dilatação e curetagem, ou por meio de medicamentos.Em todo caso, se tratam de gestações nas quais ou não há embrião ou, caso haja, este não possui nenhuma possibilidade de sobreviver.

Depois da remoção das molas, é possível que fiquem fragmentos delas, com o risco de que possam voltar a se reproduzir. Esta proliferação do tecido anormal produz a neoplasia trofoblástica gestacional persistente. Esta situação acontece num percentual de 15 a 20% das molas completas e em 5% das parciais.

“As gestações molares costumam provocar abortos espontâneos. Para evitá-los, o tumor deve ser removido cirurgicamente, com dilatação e curetagem, ou por meio de medicamentos”

Possíveis complicações das gestações molares

A situação provocada pela gravidez molar pode se complicar:

  • Diante de possíveis complicações nestas gestações atípicas, o diagnóstico oportuno permitirá conservar a saúde reprodutiva e aumentar as possibilidades de uma gravidez normal no futuro.
  • Por um lado, a mola é capaz de penetrar profundamente no tecido uterino, provocando dor e sangramento vaginal.
Possíveis complicações da gravidez molar

  • Por outro lado, quando surge a neoplasia trofoblástica gestacional, há grande possibilidade de se desenvolver o corioadenoma destruens, um tipo de câncer. Este é tratado com quimioterapia e, dependendo da gravidade, pode ser necessária a realização de uma histerectomia.
  • A pré-eclâmpsia é outra possibilidade se, por causa da mola, a pressão arterial começar a aumentar.
  • Outra complicação rara é a afecção da glândula tireoide.

O que fazer após uma gravidez molar?

Uma mulher que tenha passado por este tipo de gestação malsucedida continua tendo a capacidade de voltar a engravidar, caso o diagnóstico e o tratamento tiverem sido oportunos, e sempre sob supervisão médica.

Em geral, o obstetra recomendará que se espere um ano, durante o qual será verificado se não restaram fragmentos da mola, preservando assim a saúde do aparelho reprodutor.