O que o bebê ouve deixa marcas no cérebro

· 9 de outubro de 2018
Um bebê é a criatura mais receptiva do mundo. Ele precisa de estímulos, afeto, carinhos e, acima de tudo, palavras.

Todas as coisas que um bebê ouve deixa uma marca inesquecível em seu cérebro. Por isso, devemos ser os maravilhosos agentes do amor, que é absorvido por meio do tom de voz e que guia através do calor de uma voz que acalenta e estimula.

Quem acha que conversar com um recém-nascido é bobagem está enganado. Além disso, não conversar com o bebê contribui para criar carências e dificuldades no processo comunicativo da criança.

É preciso conversar com os bebês cara a cara. Assim, converse bastante, cante, conte historinhas…

Apesar de os bebês ainda não serem capazes de decifrar o mistério das palavras, eles são habilidosos tradutores de emoções e pequenos pioneiros no processos de linguagem.

Dia após dia e mês após mês, vão aprendendo o significado de algumas palavras, até que, quase sem saber como, entendem frases para, depois, eles mesmos começarem a se comunicar no próprio idioma.

Todo esse fantástico processo deve acontecer em um ambiente favorável, afetuoso e íntimo.

Porque, apesar de talvez não acreditarmos, tudo o que o recém-nascido ouve vai ser gravado em um cérebro que está se desenvolvendo com base nessa interrelação contínua.

Dessa forma, não duvide! Você está agindo corretamente. Se você é um papai ou uma mamãe que nunca deixa de conversar com seu bebê, seu filho é muito sortudo.

Vamos te explicar por quê.

As rotinas, momentos ideais para estimular a comunicação

no cérebro

Temos consciência de que um recém-nascido passa grande parte do tempo dormindo.

No entanto, ao longo das primeiras semanas e meses de vida, possuímos momentos maravilhosos com os quais dar início a esse mágico processo de estimular o desenvolvimento cerebral da criança por meio da linguagem.

  • A amamentação é, sem dúvida, o momento mais propício, mágico e significativo no qual você pode conversar com o seu bebê.
  • Preste atenção para que seu tom de voz seja caloroso, positivo e com uma entonação sempre confiante.
  • Busque o contato visual quando for trocar a fralda ou quando for trocar as roupas do seu bebê, por exemplo.
  • O banho é um momento de diversão. Nesses momentos, os bebês estão bastante receptivos tanto às vozes quanto aos gestos da mamãe e do papai.
  • Se conseguirmos colocar um sorriso no rosto do bebê, deixaremos mais uma marca de positividade e amor no cérebro da criança.

A voz da mamãe guia o bebê

A voz da mamãe tem poder e sempre esteve por perto, inclusive muito antes de o bebê chegar ao mundo. Um bebê passou 9 meses na barriga da mamãe que agora nina, cuida e alimenta esse pequeno ser.

  • Ao nascer, um bebê já reconhece a voz materna. Não podemos nos esquecer de que o líquido amniótico é um bom condutor de som. Assim, a partir do momento em que o feto desenvolve seu sentido da audição, é essa voz que o acompanha dia após dia.
  • Um bebê não entende o vocabulário que usamos, todos nós sabemos disso. Mas, assim como dissemos no começo deste artigo, ele consegue compreender a intenção e o sentido contidos em cada frase.
  • É por isso que ele presta atenção em você, dá risadas de vez em quando e se assusta quando, às vezes, subimos demais nosso tom de voz.

As mães maravilhosas e os pais excepcionais são aqueles que educam com afeto e deixam marcas de amor no cérebro dos seus filhos

As palavras devem ser acompanhadas por gestos

no cérebro

A comunicação com um bebê deve ser reforçada com gestos e um tom de voz adequado.

Dessa forma, reforçamos a linguagem verbal com a não-verbal e agimos como favorecedores de emoções positivas.

  • Nunca se esqueça de sorrir enquanto conversa com seu bebê.
  • Sempre procure encontrar o olhar dele.
  • Quando você conversar com seu bebê, lembre-se também de estabelecer pequenos tempos de resposta.
  • Espere um pouco para ele reagir, aguarde até emitir algum som, abrir os olhos, emitir um gritinho ou sorrir. Dessa forma, estabelecemos também as regras em relação ao turno da fala.

Outro dado interessante que não podemos nos esquecer é de compreender o processos comunicativo dos nossos filhos. Um bebê também faz gestos, caretas e emite sons.

Uma forma de reforçar a linguagem é imitar os gestos que o bebê faz e os sons que emite. Dessa forma, fazemos os pequenos compreender que os entendemos e que cada coisa que dizem e fazem é importante e valorizada.

As chaves do “babytalk” : uma coisa que todos fazemos, mas não percebemos

A maneira como um adulto conversa com um bebê recebe o nome de “babytalk”. Essa palavra em inglês define algo que a maioria dos pais e das mães fazem todos os dias.

  • Nenhum adulto conversa com um bebê da mesma forma como conversaria com outro adulto. Nosso cérebro, de fato, sabe como interagir com uma criança pequena para estimular o processo comunicativo.
  • Não podemos nos esquecer de que a linguagem é essa marca genética que nos distingue do resto dos primatas. Portanto, estamos preparados para conseguir fazer com que nossos filhos desenvolvam essa capacidade.
  • Falamos com voz aguda para chamar a atenção.
  • Também fazemos sons que estimulam nos pequenos sensações novas: risadas e gargalhadas.
  • Por sua vez, ninguém nos ensinou a fazer isso, mas instintivamente dizemos coisas como “ea, ea, ea…”. Verbalizações sem significante, mas com significado: proporcionar tranquilidade a um bebê.

Para concluir, você tem infinitas razões para se comunicar desde o começo com seu bebê.

Desde o primeiro momento em que seu bebê chega ao mundo e você o segura contra seu peito, pele na pele, ele precisa de você. E precisa de você também para aprender a se comunicar.

Assim, lembre-se disto: todas essas primeiras palavras vão deixar marcas no cérebro e vão abrir o caminho para o domínio de um idioma e a compreensão do mundo por meio de uma voz calorosa que sempre demonstra, a cada instante, um afeto íntimo.