Por que as crianças brincam de ser animais?

· 4 de junho de 2019
É comum as crianças desempenharem papéis diferentes como médicos ou super-heróis. Mas e quando o tempo todo elas querem assumir o papel de animais, é normal? Hoje, nos aprofundaremos nesse comportamento infantil para entender por que ele ocorre

Um passo fundamental para as crianças aprenderem sobre seu ambiente e sobre a vida são as brincadeiras. É comum ver crianças interpretando papéis do que é conhecido por elas; isto é, o pai, a mãe, o professor ou os super-heróis da televisão. No entanto, muitos pais se perguntam por que as crianças brincam de ser animais.

Devemos entender que as escolhas que a criança faz quando decide interpretar um personagem em suas brincadeiras tem muito a ver com suas afeições, interesses e sua intenção de entender o outro. Na maioria dos casos, isso está ligado à admiração. Vamos entender melhor por que as crianças brincam de ser animais.

A interpretação de personagens

O fato de as crianças brincarem de ser outra pessoa ou de pensarem que são um cachorro ou um gato é uma das ações mais comuns durante a infância. Querer ser outra pessoa faz parte do desejo de conhecer por experimentação e empatia.

Claro, essa é uma das maneiras mais simples de entender e recriar o que acontece ao redor da criança. Graças à aplicação dessa forma de brincar, os adultos podem descobrir as principais características da personalidade da criança.

Agora, brincar de ser outra pessoa não é uma ação exclusiva das crianças. Existe uma grande variedade de jogos de tabuleiro para adultos em que o objetivo da diversão está em tentar representar, da maneira mais fiel, o personagem que lhe é atribuído.

Além disso, se nos aprofundarmos no campo da psicologia, encontraremos vários exemplos de comportamentos, às vezes errados, ligados à imitação.

bebês fantasiados de animais

Por que as crianças brincam de ser animais?

É claro que brincar de imitar pessoas, habilidades, profissões e seres reais ou imaginários atrai muito os pequenos da casa. Mas o que acontece quando a escolha do pequeno é quase exclusivamente por um papel de animal?

A princípio, devemos entender que, pela ternura que os animais inspiram, os adultos estão constantemente bombardeando nossos filhos com imagens, histórias, brinquedos e até mesmo referências sobre cães, ursos, coelhos, etc.

Na verdade, algumas das primeiras palavras que ensinamos às crianças são “mamãe”, “papai” e “au au!” ou ‘piu piu!’.

Isso faz sentido se entendermos como é simples repetir as onomatopeias e, por sua vez, ensinar a criança sobre a natureza que as cerca.

Por outro lado, sabe-se que, em quase todos os programas infantis, os personagens principais são animais humanizados que falam, cozinham, vão ao trabalho e à escola.

A partir dessa estimulação, pode-se inferir que a criança idealiza os animais da mesma maneira que faz com os super-heróis. Por essa razão, ela quer recriar o que para ela são as aventuras dos seres com os quais sente uma enorme familiaridade.

“Brincar de ser um animal é uma das maneiras mais simples de entender e recriar o que acontece ao redor da criança.”

As vantagens de brincar de ser um animal

Outra razão pela qual uma criança quer brincar de ser um animal é por causa da liberdade que esse tipo de personagem oferece. Quando as crianças são ensinadas sobre boas maneiras, analogias são feitas com a desordem ou com a sujeira e o vínculo dos animais com esses comportamentos.

De repente, as crianças podem sentir-se rígidas quando precisam obedecer a regras como sentar-se direito, não gritar, não tocar o chão. No sentido contrário, ser capaz de representar um animal lhes dá essa liberdade absoluta.

menino fantasiado de leão

Se estão brincando de ser um cachorro ou um gato, elas podem pular e correr e ficar em contato com a grama. Se brincam de ser um urso, podem ficar mal-humoradas. Em suma, isso lhes dá um universo de possibilidades divertidas.

Além de diversão, as vantagens de brincar de ser um animal podem ser vistas na prática do desenvolvimento da linguagem não-verbal. Essa melhora ocorre quando se tenta comunicar como se fosse um cachorro ou um gato, o que também gera um aumento no desenvolvimento cognitivo.

Por fim, vale a pena esclarecer que, embora esteja claro que a brincadeira de fingir ser um animal traz múltiplos benefícios para o desenvolvimento da criança, se a criança assume uma atitude obsessiva e não consegue ver a diferença entre realidade e ficção da brincadeira, talvez você deva levá-la a um especialista em psicologia, para estudar seu caso de uma maneira particular.