Como prevenir a ludomania nas crianças

21 de janeiro de 2020
Os jogos de azar estão cada vez mais ao alcance dos nossos jovens. No entanto, sem um controle adequado, as consequências podem ser graves.

Nos últimos anos, aumentou o número de crianças e adolescentes que apresentam condutas problemáticas relacionadas ao jogo. A publicidade e o surgimento dos jogos on-line, aliás, só contribuíram para agravar o problema. Dessa forma, é necessário que os pais, os professores e as instituições tomem medidas para prevenir a ludomania nas crianças.

A ludomania é um transtorno de vício que reflete um comportamento relacionado com o jogo persistente e desadaptativo. Para a pessoa que sofre desse transtorno, o jogo se transforma em uma prioridade absoluta na sua vida.

Assim, ela começa a deixar de lado o resto dos seus objetivos e das suas necessidades. Além disso, fracassa em suas tentativas de parar de jogar e se mostra inquieta e irritável quando não pode jogar.

Por que os jogos viciam?

  • Estratégias visuais e auditivas. Muitos dos jogos com potencial viciante estão cheios de luzes e sons chamativos que são utilizados como atratores.
  • Reforço intermitente. Em alguns jogos, a recompensa não é obtida de forma constante, sempre que se realiza alguma ação. Pelo contrário, a recompensa aparece de forma aleatória e intermitente. Esses tipos de reforço não apenas são os mais efetivos para manter determinada conduta, mas também são aqueles que tornam mais difícil eliminá-la.
prevenir a ludomania nos menores

  • Escape da realidade. Existe outro componente importante do vício no jogo, que é a capacidade que ele proporciona de fugir da realidade. Muitas pessoas podem utilizar o jogo, então, para aliviar o seu mal-estar emocional, em vez de utilizar outras estratégias mais apropriadas.

A sorte: componente essencial para prevenir a ludomania nas crianças

Os jogos de azar e as apostas são os que mais geram vício porque a obtenção das recompensas é imprevisível. A cada dia, esses tipos de jogo estão mais disponíveis e acessíveis para as crianças e para os adolescentes, embora sejam proibidos até a maioridade.

No entanto, além disso, surgiu um novo tipo de jogo eletrônico que incorpora componentes relacionados com a sorte. Muitos desses jogos oferecem opções de compra que permitem obter conteúdos adicionais para o jogo e, muitas vezes, a recompensa a ser obtida é aleatória. Por isso, cada vez é mais difícil distinguir entre jogos eletrônicos e jogos de azar.

Essa realidade repercute negativamente nas crianças que, de uma forma pouco clara, começam a se ver imersas nesse tipo de dinâmicas viciantes. Já foi demonstrado que começar a jogar jogos de azar em idades precoces aumenta significativamente o risco de desenvolver um vício.

Como prevenir a ludomania nas crianças

Normalização do jogo

A publicidade transmitida nos canais abertos em horários voltados para as crianças é incessante. Foi dado ao jogo o status de um passatempo aceitável e socialmente desejado. Nós normalizamos por completo a existência desses anúncios, na televisão e na internet, assim como a proliferação de casas de apostas nos nossos bairros.

Temos que proteger os nossos pequenos da exposição a essas mensagens que exaltam o jogo patológico como um entretenimento válido. No entanto, é muito difícil evitar que uma parte dessa publicidade chegue a eles.

Por isso, a família é fundamental. As atitudes familiares em relação ao jogo têm um impacto nas crenças da criança. Temos que tentar expressar para elas o perigo e a seriedade desses comportamentos, tanto com as nossas palavras quanto com as nossas ações. Além de instruir com o exemplo, é muito importante conversar com os nossos jovens.

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Informá-los sobre os riscos e os mecanismos do vício no jogo vai ter um efeito preventivo. Portanto, quando negarmos o acesso ou a compra de alguns jogos, é importante que também apresentemos argumentos que expliquem por que não concordamos com aquilo.

Alternativas de lazer

O jogo se mostrou como uma das atividades de lazer preferidas entre os jovens. Para evitar que eles desenvolvam condutas relacionadas ao jogo inadequadas ou abusivas, é importante oferecer alternativas para eles.

Temos que fomentar outros tipos de entretenimento, como, por exemplo, praticar esportes, passar o tempo ao ar livre ou sair para socializar com os amigos. Além disso, incluir as crianças em grupos nos quais elas possam realizar o seu hobby é uma boa opção para empregar o tempo livre.

Disponibilidade

A chegada da internet e dos smartphones fez com que as crianças tivessem milhares de opções de jogos disponíveis. Dessa forma, temos que adequar o uso desses dispositivos à idade dela. Devemos supervisionar o tempo que elas passam on-line e, especialmente, os conteúdos que acessam.

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  • Brieva, J. (2006). Ludopatía: el otro lado del juego. Revista Índice19(9), 9-11.