Psicologia pediátrica: como ela pode ajudar seu filho?

· 4 de maio de 2019
O desenvolvimento infantil, em um nível físico, mas acima de tudo anímico, é o objeto de estudo da chamada psicologia pediátrica. Em última análise, trata-se de estudar como as crianças percebem a si mesmas e o ambiente que as rodeia. 

A psicologia pediátrica se especializa no estudo dos processos psicológicos na infância, formando parte do desenvolvimento da criança.

Sua origem no século XIX foi mais biologicista. Mas no século XX o campo foi expandido com teorias como a psicanálise, a psicologia cognitiva e a construtivista. As contribuições de Jean Piaget definiram o curso da psicologia pediátrica com sua “Teoria da Aprendizagem”.

Esse psicólogo suíço dedicou-se à investigação das etapas do desenvolvimento infantil. Ele ofereceu uma descrição de como as crianças percebem a si e ao mundo, desde o nascimento até a adolescência.

Como o estudo da criança na psicologia pediátrica é abordado

Concebendo a criança em sua complexidade, essa disciplina abrange as características motoras, linguísticas, emocionais, perceptuais, físicas, cognitivas e sociais da criança.

Psicólogos pediátricos podem se basear em uma escola científica ou outra, fazendo intervenções com as contribuições de cada teoria.

Dessa forma, a psicologia pediátrica aborda a maneira como cada estágio evolucionário opera em cada criança, ou vice-versa; estabelecendo parâmetros e códigos (geralmente permitindo uma ampla gama de relatividade) dentro da saúde mental da criança.

Da mesma forma, os psicólogos pediátricos abordam cada criança em seu contexto ambiental. Naturalmente, é essencial conhecer e tratar o ambiente ao fazer um diagnóstico e tratamento.

Assim, o profissional deve estabelecer:

  • Como as variáveis ​​do contexto (família, escola) e as características da ordem biológica (genética) convergem no comportamento da criança.
  • Como as mudanças ambientais afetam a saúde mental do pequeno.
psicologia infantil

Alguns tópicos da teoria cognitiva de Piaget

Para entender a psicologia pediátrica, é preciso ter uma noção do modo como ela é colocada pelo cognitivista Jean Piaget.

Basicamente, o que esse teórico propõe é que em cada idade a criança naturalmente adquire a capacidade de resolver certos problemas: motores, cognitivos, emocionais.

Para Piaget, os estágios evolutivos são entendidos como estruturas cognitivas. Essas bases são desenvolvidas ao longo do tempo, sempre seguindo a mesma ordem.

Mas, nessa linha de pensamento não se trata de focar na idade do sujeito, mas sim no fato de que os estágios evolutivos estão acontecendo sem pular um ou outro. Ao mesmo tempo, cada estágio deve ser integrado harmoniosamente com o próximo.

As etapas do desenvolvimento infantil propostas por Jean Piaget são:

  • Estágio sensório-motor (0 a 2 anos). A criança conhecerá o mundo e suas próprias capacidades através dos sentidos.
  • Etapa pré-operacional (2 a 7 anos). A criança é capaz de pensar simbolicamente, o que permite, entre outras coisas, a capacidade de falar. No entanto, nessa fase, o pensamento permanece egocêntrico; isto é, compreende o mundo a partir de sua perspectiva.
  • Estágio de operações específicas (7 a 12 anos). A criança é capaz de aplicar deduções lógicas e princípios dedutivos. Operações comparativas como reversibilidade e seriação são algumas das aquisições dessa etapa. No entanto, esse “período escolar” ainda exclui abstrações.
  • Etapa de operações formais (12 anos em diante). É na adolescência e na idade adulta que o sujeito adquire a capacidade de fazer hipóteses, projeções e realizar operações formais.

Tendência atual em psicologia pediátrica

Atualmente, as mudanças culturais são vertiginosas e as crianças apresentam comportamentos muito diferentes das crianças de 100 anos atrás.

psicologia do desenvolvimento

Dessa forma, frases prontas como “transtorno de ansiedade” são ouvidas. Outras semelhantes são: “déficit de atenção”, “distúrbio do sono”, depressão ou, em geral, “distúrbio do espectro autista”.

Essas disfunções fazem com que as crianças não respondam a certas normas padrão. As teorias tradicionais da psicologia pediátrica devem ser constantemente atualizadas para, assim, poder oferecer atenção às necessidades das novas crianças.

A onipresença da tecnologia, a crise da família heteropatriarcal e a criação de novas formas de construção familiar precisam de abordagens teóricas inovadoras que partam da psicologia pediátrica.

Dessa forma, trata-se de diferentes formas de ver as coisas que podem evoluir, por sua vez, em direção à pedagogia, às escolas e aos centros de ensino.

Em conclusão, uma definição de infância obsoleta criará uma distância irredutível entre novas e velhas gerações. Por isso, muitos especialistas passaram a aplicar parâmetros científicos às crianças, a partir de uma abordagem mais ampla e contextual.

Dr. José Méndez-Venegas, Psic. Azareel Maya-del Moral. (2011). Psicología pediátrica. Extraído de: http://www.medigraphic.com/pdfs/actpedmex/apm-2011/apm114g.pdf

Yolanda Ferreira Arza. (2000). Psicología infantil en la actualidad. Extraído de: http://www.scielo.org.bo/pdf/rcc/n8/a18.pdf