O complexo de Édipo, um estágio de crescimento

· 3 de abril de 2018
O complexo de Édipo está relacionado à teoria da psicanálise, proposta pelo psicólogo austríaco Sigmund Freud no início do século XX.

O complexo de Édipo se refere a um conflito emocional. Trata-se especificamente dos sentimentos positivos e negativos que uma criança sente em relação aos pais.

A demonstração de carinho das crianças em relação à mãe são, em geral, um ato constante durante a infância. No entanto, há um momento em que esse amor se aprofunda: essa fase é conhecida como o complexo de Édipo.

Sigmund Freud descreve o complexo de Édipo como o conflito gerado pelo sentimento de atração sexual entre um indivíduo e seu progenitor do sexo oposto e o desejo simultâneo de eliminar o genitor do mesmo sexo. Este último é conhecido como parricídio ou patricídio.

Cabe destacar que o complexo de Édipo em crianças não implica que exista necessariamente o incesto.

Por que “Édipo”?

Édipo é o nome do protagonista da tragédia grega escrita por Sófocles chamada Édipo Rei. Esta história conta a história do filho do rei Laio e da rainha Jocasta.

O oráculo previu que o destino de Laio era ser morto por seu próprio filho, por isso pediu a um de seus lacaios para abandonar seu filho longe de onde viviam. Ele acreditava que dessa forma conseguiria evitar o desfecho fatal.

Seu lacaio o desobedeceu e deu o bebê a um fazendeiro que, por sua vez, entregou ao rei de Corinto, chamado Polibo. Assim, Édipo cresceu e com o passar do tempo se tornou um homem.

Édipo começou a ouvir rumores que alegavam que aqueles que o criavam não eram seus verdadeiros pais. Ele consultou o oráculo e viu que o seu destino era matar o seu próprio pai. Para escapar da tragédia, ele decidiu deixar Corinto para sempre.

No caminho, ele encontrou o rei Laio. Um de seus arautos ordenou que ele cedesse. Édipo não obedeceu e os lacaios do rei Laio mataram um dos cavalos de Édipo. Ele se rebelou e assassinou o rei e seus lacaios. Mais tarde, Édipo se casou com Jocasta, sem saber que era sua mãe.

Quando descobriu a verdade, Édipo rasgou os olhos e passou o resto da vida vagando por toda a Grécia com sua filha Antígona. Jocasta, por sua vez, cometeu suicídio.

Complexo de Édipo, amor excessivo pela mãe

Como o complexo de Édipo se manifesta?

O complexo de Édipo se manifesta da seguinte forma nas crianças:

  • Amor excessivo e idealização da mãe.
  • Competição com o pai pelo amor materno, acompanhado de sentimentos de raiva e ressentimento.
  • Busca da aceitação e da satisfação da mãe através de um comportamento exemplar.
  • Ciúme em relação ao pai quando recebe atenção da esposa.
  • Mau comportamento, birras e chiliques na presença do pai, de quem desafia a autoridade.

Embora alguns psicólogos afirmem que o complexo de Édipo pode ser usado para se referir a bebês de ambos os sexos, outros não concordam com essa ideia.

Eles argumentam que nas meninas, em vez disso, o equivalente a esse processo é o complexo de Electra. Neste caso, ao contrário do que acontece com o complexo de Édipo, as meninas competem com a mãe pelo afeto do pai.

“As emoções não expressadas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e vêm à tona de formas piores”
-Sigmund Freud-

Qual a função do complexo de Édipo?

Segundo Freud, o complexo de Édipo é um estágio natural e transitório que cumpre os seguintes estágios:

  • Aceitação da lei da proibição do incesto.
  • Introdução à genitalidade
  • Constituição das diferentes instâncias psíquicas, especialmente a do superego como produto da assimilação da autoridade paterna.
  • Aceitação do próprio sexo
Complexo de Édipo

O que os pais devem fazer?

Como já dissemos acima, a aparição desse comportamento não deve ser motivo de preocupação. É algo normal que vai passar com o tempo.

Normalmente a mãe demora mais para perceber. A mudança no modo de ser do filho não representará nenhum problema. Ela tende a ver o comportamento como demonstração normal de carinho.

O pai vai ser quem vai notar essas mudanças primeiro. Se o comportamento da criança se tornar muito agressivo ou se durar muito tempo, vai ser preciso consultar um terapeuta para fornecer o diagnóstico adequado.

Outro sinal de alerta é o aparecimento de pesadelos relacionados ao abandono, distanciamento, ou desaparecimento da mãe.

Geralmente, o complexo de Édipo se cura sozinho por volta dos cinco anos de idade. A partir desse momento os sentimentos em relação ao pai serão revertidos: a figura paterna deixará de ser uma ameaça para se tornar um exemplo.

“Um homem que foi o favorito da sua mãe carrega a sensação de conquistador por toda a sua vida ”
-Sigmund Freud-

Algumas dicas para lidar com essa fase

  • Evite alimentar o ciúme da criança por meio de expressões de amor quando ela estiver presente.
  • A criança deve ter tempo de qualidade com ambos os pais para que se sinta igualmente apreciada por ambos.
  • Compartilhar momentos de lazer com o pai para que a criança consiga esquecer seus sentimentos negativos em relação a ele.
  • Não zombar do comportamento da criança. Lembre-se de que para é completamente normal.
  • Não reforçar a competição da criança pelo amor da mãe.

Apesar de existir casos em que o complexo de Édipo se intensifica e passa do normal, é  um estágio pelo qual toda criança passa. Por isso, os pais devem ser compreensivos e responder à situação com serenidade.