4 consequências de bater nas crianças

Bater nas crianças afeta seu desenvolvimento emocional, seu comportamento e seu relacionamento com os pais. Vamos listar motivos pelos quais você não deve usar essa prática educacional.
4 consequências de bater nas crianças
Elena Sanz Martín

Escrito e verificado por a psicóloga Elena Sanz Martín.

Última atualização: 27 dezembro, 2022

Nas gerações anteriores, usar o castigo físico para corrigir os filhos era algo comum e normalizado. Ainda hoje há quem acredite que “Umas palmadas a tempo são necessárias”. No entanto, vários estudos confirmaram que esse tipo de comportamento parental afeta seriamente o desenvolvimento psicológico e emocional dos pequenos. Por isso, queremos apresentar as consequências de bater nas crianças, a fim de incentivar a busca de um estilo educativo mais adequado.

Mesmo dentro da comunidade científica, tem havido algum debate em torno desse assunto. Alguns autores afirmam que o castigo físico moderado pode ser apropriado em determinados momentos, enquanto outros propuseram eliminá-lo permanentemente em favor de outras práticas parentais mais respeitosas.

A realidade é que está comprovado que bater nas crianças (mesmo que de forma pontual e branda) pode levar a um aumento progressivo da violência contra elas. E, além disso, na maioria dos casos é produzido um dano emocional que, embora passe despercebido, é de difícil reparação. Vamos falar mais sobre isso abaixo.

Quais são as consequências de bater nas crianças?

 

Mãe levantando a mão para a filha.

Má relação com os pais

O estabelecimento de um vínculo de apego seguro com os filhos deve ser uma das prioridades de todo pai e toda mãe. Essa relação deve proporcionar aos pequenos carinho e segurança e ser baseada na confiança, no respeito e na comunicação. Se o castigo físico for usado para corrigir o comportamento das crianças, a relação entre pais e filhos será tensa, hostil e repleta de medo e ressentimento.

Embora possa parecer inofensivo, ao bater nas crianças não estamos ajudando a fazer com que elas nos percebam como figuras de referência seguras e amorosas. Portanto, a distância emocional será maior e isso também afetará a confiança e a comunicação.

Agressividade e violência

Ao bater nas crianças, mesmo que a intenção seja educá-las ou orientar seu comportamento, estamos na verdade transmitindo a elas a ideia de que a violência é aceitável como estratégia de solução de problemas.

Normalizar a agressão contra outras pessoas, mesmo dentro da própria família, significa que os pequenos podem usá-la em suas próprias relações. Assim, não só aumentamos o risco de que as crianças sejam violentas com os pais, mas também de que elas se tornem adultos agressores, exercendo essa violência com seus iguais ou seus companheiros no futuro.

Afeta o desenvolvimento da autonomia

É verdade que o castigo físico geralmente é eficaz a curto prazo para corrigir o comportamento das crianças e conseguir sua obediência. No entanto, é importante considerar se é isso que você deseja com a criação. O objetivo não deve ser desenvolver na criança uma atitude submissa, temerosa ou resignada, mas guiá-la e ajudá-la a se tornar um ser humano autônomo e emocionalmente saudável.

Para esse objetivo, bater nas crianças é totalmente contraproducente. Ao fazer isso, ensinamos nossos pequenos a seguir ordens para evitar consequências, mas não conseguimos fazer com que compreendam os motivos, desenvolvam seu raciocínio ou adquiram valores e responsabilidades.

Dificulta a aquisição do controle dos impulsos

O controle dos impulsos é um dos aprendizados fundamentais que as crianças devem adquirir, e isso é alcançado por meio do exemplo e da orientação dos adultos ao seu redor. Ao bater nos pequenos, estamos mostrando nossa própria incapacidade de lidar com a raiva, a irritação ou a frustração. Além disso, estamos representado um modelo inadequado para nossos filhos.

Criança com o punho erguido pronta para bater porque se tornou agressiva.

Da mesma forma, reagir dessa forma não nos permite acompanhá-los em seu próprio processo de regulação emocional. Não paramos para entender suas emoções e ajudá-los a entendê-las, não mostramos como eles podem regulá-las e quais são os comportamentos adequados que podem implementar. Por esse motivo, é provável que, à medida que cresçam, nossos filhos tenham dificuldade de tolerar a frustração e se relacionar de forma assertiva e empática com outras pessoas.

Bater nas crianças é prejudicial e desnecessário

Apesar de estarem cientes das consequências de bater nas crianças, algumas pessoas argumentam que essa é a única maneira de corrigir seu comportamento, que elas são muito jovens para raciocinar ou que não respondem a outros tipos de disciplina.

No entanto, foi demonstrado que as crianças respondem muito melhor ao afeto, ao respeito e à paciência. Uma criança que se sente amada e acolhida pelos pais está muito mais disposta a ouvir e colaborar do que aquela que se sente atacada.

Essa estratégia requer mais tempo, sim, é verdade. Implica ter paciência com os processos da criança, explicando, orientando e sabendo administrar as próprias emoções. No entanto, a recompensa é uma criança feliz, saudável e autônoma, com quem você terá um vínculo íntimo e afetuoso.


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