Apego inseguro: características e consequências

27 de julho de 2019
O apego inseguro pode ocorrer em uma criança que se sentiu rejeitada por seus pais.

Existem vários estudos que relacionam apego inseguro ao comportamento disfuncional, em qualquer fase da vida. De acordo com Bowlby (1958), o bebê humano precisa estar perto de certas figuras que forneçam tudo o que é necessário para sua sobrevivência até que ele possa se defender sozinho.

Como resultado da proximidade e do controle que o bebê exerce sobre esses indivíduos, o vínculo de apego é produzido. Uma pessoa estabelece um apego quando, em situações de insegurança, busca contato com a figura que determina qual a melhor forma de protegê-la.

“A resposta do medo provocada pela inacessibilidade da mãe é uma reação básica de adaptação que, no curso da evolução, se tornou uma resposta essencial para a contribuição da sobrevivência da espécie”.

– Bowlby –

Criação do vínculo de apego

A maneira pela qual estabelecemos o vínculo de apego é regulada ao longo da vida, variando com base nas experiências que temos. No entanto, o período mais crítico é a infância, no qual são formadas crenças sobre:

  • O autoconceito.
  • Como são nossas figuras de apego.
  • O que podemos esperar, ou o que achamos que merecemos, dos outros?

Pankseep (1998) afirmou que o apego é regulado por um sistema neurobiológico que seria ativado a partir dos diferentes sistemas sensoriais, do sistema vestibular (posição e equilíbrio) e dos sensores hipotalâmicos de temperatura e fome.

mãe e criança na areia

Esses sistemas favorecem a abordagem da figura de referência, enquanto ativam respostas desagradáveis ​​à separação. Esse processo seria regulado pela ocitocina, prolactina e endorfinas.

Moriceau e Sullivan (2005) concluíram que a ligação seria produzida pela ativação e modificação estrutural do bulbo olfatório. Dessa forma, o sistema nervoso se adaptaria ao ambiente em que a criança está. Isso seria possível devido a:

  • O desenvolvimento pós-natal de projeções noradrenérgicas do locus coeruleus (McLean e Shipley, 1991).
  • A imaturidade da amígdala e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (Jakubs, & Sullivan, 2009).

“O tipo de apego dependerá da disponibilidade, da receptividade e do calor da mãe, bem como da conexão estabelecida com ela”.

– Botella, 2005 –

Consequências do apego inseguro

Esse padrão de apego será formado em pessoas cujos pais:

  • Não estão disponíveis emocionalmente.
  • Ignoraram os pedidos de ajuda da criança.
  • Foram incapazes de satisfazer as necessidades dos filhos.
  • Estabeleceram relações incoerentes, caóticas e instáveis.

Dentro desse perfil, e devido às deficiências sofridas, a criança tenta se adaptar a essa situação. Dependendo das ferramentas desenvolvidas por ela, dois tipos de apego podem aparecer:

  1. Apego inseguro evitativo, no qual a busca de seus cuidadores será minimizada. O pequeno aprende que ele não pode contar com ninguém e que deve ser autossuficiente.
  2. Apego inseguro ansioso ambivalente, caracterizado pela busca incessante da atenção dos outros, já que a relação se tornou imprevisível e ele não entende mais o que deve fazer.

Ambos os tipos de apegos têm consequências, que podem ser graves, por exemplo:

  • Transtornos psicológicos e de personalidade: depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno limítrofe, etc.
  • Comportamentos de dependência.
  • Desequilíbrios emocionais.
  • Perfeccionismo negativo e sensação de ineficácia.
  • Suicídio.
  • Entre outros.

Características do apego inseguro evitativo

  • Pensamento analítico, evitando envolvimento emocional.
  • Aparente desinteresse nas relações com os outros.
  • Retiro e tendência ao individualismo.
menino chorando

  • Evitação de situações que implicam certo grau de intimidade.
  • Na fase da infância, pode passar despercebido na escola, sem problemas acadêmicos. Mas, quando atinge a adolescência, pode vir a diminuir significativamente seu desempenho escolar.
  • Possível dificuldade para controlar sua agressão. Explosões de ira e raiva.
  • Possível desorganização no dia a dia.

Características do apego inseguro ansioso ambivalente

  • Tentativas contínuas de chamar atenção, através de comportamento disruptivo ou possível chantagem emocional.
  • Idealização dos outros. Embora, caso sinta-se frustrado por não ter visto suas necessidades satisfeitas, pode vir a desvalorizar quem admirava.
  • Preocupação obsessiva em saber o que os outros admiram, querem ou precisam. Sobretudo se são figuras significativas.
  • Imagens emocionais de ambivalência e ansiedade.
  • Problemas de aprendizado ou controle de atenção.
  • Tendência a ignorar as necessidades dos outros, concentrando-se apenas nas suas próprias.
  • Dificuldade para assumir a culpa, responsabilizando os outros. Tendência a distorcer certas situações.
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