Radiografias em crianças: o que você precisa saber

Antes de levar seu filho para fazer uma radiografia, confira tudo sobre esse exame. Conhecer os riscos e benefícios lhe permitirá tomar as melhores decisões.
Radiografias em crianças: o que você precisa saber

Última atualização: 07 Dezembro, 2021

Sem dúvida, a descoberta da radiografia foi um dos marcos mais importantes da história. A partir de 1895, as ciências médicas adotaram essa técnica inovadora para complementar as informações clínicas e chegar a diagnósticos antes impensáveis. Embora tenha sido um mero mortal quem teve essa revelação na noite de 8 de novembro de 1895, muitos cientistas da mesma época também contribuíram para essa descoberta.

O fato é que hoje, 126 anos depois, temos esse recurso praticamente na palma das nossas mãos sempre que precisamos. E como todo avanço científico, nunca é ruim em si mesmo. Cabe a nós, humanos, transformá-lo em algo grandioso ou em um verdadeiro pesadelo.

“Eu não tinha revelado nada sobre o meu trabalho a ninguém. Disse a minha esposa que estava fazendo algo que faria as pessoas, quando descobrissem, dizerem: ‘Röntgen perdeu a cabeça.'”

-Wilhelm Conrad Röntgen, janeiro de 1896-

Quais são os benefícios das radiografias para as crianças?

Como qualquer outro estudo de imagem, as radiografias permitem aprender sobre aspectos do corpo das crianças que não podemos ver a olho nu.

No pronto-socorro, uma simples radiografia ajuda a confirmar o diagnóstico de uma fratura, a presença de um corpo estranho nas vias aéreas ou definir que determinada dor abdominal requer tratamento cirúrgico.

Em outras áreas e disciplinas médicas, as radiografias trouxeram benefícios infinitos e disso podemos ter certeza. Além disso, são exames rápidos, de baixo custo, disponíveis na grande maioria dos centros de saúde e que, em geral, não requerem a realização de procedimentos de sedação ou anestesia.

No entanto, é importante fazer um uso racional e responsável das radiografias, a fim de aproveitá-las ao máximo, com o menor custo possível.

Criança sorrindo na frente da médica.

Quais são os riscos associados às radiografias em crianças?

As crianças não são pequenos adultos, pois se diferenciam deles de várias maneiras.

Em primeiro lugar, elas estão em constante crescimento e maturação de todos os seus órgãos e tecidos. Isso as torna mais propensas a desenvolver certas patologias quando são expostas a estímulos nocivos, principalmente de forma sustentada ao longo do tempo. Nesse sentido, qualquer elemento tóxico ou radiação do meio ambiente pode causar danos mais graves a um organismo em desenvolvimento do que a um adulto.

Em segundo lugar, quanto menor o tamanho, menor a dose necessária para que uma substância potencialmente prejudicial cause toxicidade. Sobre a radiação, uma dose de raios-X calculada para um exame de radiografia de um adulto pode ser muito prejudicial para o corpo de uma criança.

Por fim, em crianças é necessário considerar dois conceitos fundamentais:

  • A latência do dano produzido pela radiação: ou seja, a possibilidade de manifestação de patologias após 20 ou 30 anos da exposição.
  • Danos cumulativos ao longo da vida: os pequenos têm muitos anos pela frente e provavelmente receberão muito mais radiação ao longo do caminho.

Dessa forma, os especialistas em radiologia consideram que as crianças são especialmente radiossensíveis. Por esse motivo, é necessário ter extrema cautela ao solicitar um exame de raio-X ou semelhante para crianças e fazer isso somente quando o benefício superar o risco.

Risco de câncer em longo prazo

Hoje em dia existe certa controvérsia sobre esse aspecto. No entanto, um risco ligeiramente aumentado de câncer no futuro foi demonstrado com apenas uma única exposição à radiação ionizante durante a infância.

De qualquer forma, essa estimativa é obtida a partir de cálculos de modelos matemáticos em grande escala. Isso não significa que, se fizermos o raio-X de uma criança na infância, ela necessariamente desenvolverá uma doença maligna.

Estratégias para reduzir o risco de radiação em crianças

Em primeiro lugar e além das recomendações dos especialistas, o pediatra deve ter em mente que reduzir o risco de radiação médica em crianças é nossa responsabilidade.

Nesse sentido, é necessário limitar as indicações das radiografias aos casos que nos permitem obter uma resposta rápida, útil e simples para resolver uma questão clínica específica.

O American College of Radiology Appropriateness Criteria sugere seguir a sigla ALARA como um guia prático para o uso de radiação para fins médicos. Esta regra corresponde a As Low As Reasonably Achievable, o que significa ‘o mais baixo nível possível’.

Por sua vez, a Food and Drug Administration dos Estados Unidos estabeleceu em 2017 um regulamento para a fabricação e o uso de dispositivos ou adaptadores para equipamentos de raios-X para uso exclusivo de pacientes pediátricos.

Alguns dos regulamentos indicam que o equipamento deve ser projetado e testado para essa finalidade. Da mesma forma, devem especificar em seus rótulos se são adequados para uso por bebês, crianças ou adolescentes, de acordo com os parâmetros de peso, altura ou idade.

Sala de exame de radiografia.

Os raios-X são exames seguros para crianças

Depois de mais de um século de desenvolvimento e aperfeiçoamento dessa técnica, podemos dizer que os raios-X são um exame seguro para crianças. Contanto que se conte com o equipamento certo e profissionais especializados, os benefícios podem superar os riscos.

Além disso, por ser um exame rápido, indolor e não invasivo, é uma boa opção para uso em crianças. No entanto, como já observamos, deve ser reservado para os casos que o justifiquem.

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