13 Reasons Why, uma série para adolescentes?

29 de agosto de 2019
13 Reasons Why é uma série que todos os adolescentes querem ver. Mas será que é aconselhável? Vamos fazer uma análise sobre isso, levando em conta o conteúdo.

A série 13 Reasons Why deu muito o que falar nos últimos anos e continua a fazer isso. Estamos nos referindo, naturalmente, à sua primeira temporada, que é baseada no livro do mesmo título. A segunda temporada foi uma maneira de estender a história, o que não se justifica, então não vamos falar sobre ela.

Quando 13 Reasons Why estreou na Netflix em março de 2017, foi uma das séries que mais gerou polêmica e controvérsia naquele ano. Até hoje, adolescentes do mundo inteiro estão vendo a série pela primeira vez. Por isso, a sua influência é uma questão importante que não deve ser esquecida.

Argumento de 13 Reasons Why

A série conta a história de Hannah Baker, uma garota que frequenta o ensino médio, comete suicídio e deixa treze fitas cassete para as pessoas que ela considera culpadas pelo seu ato. Hannah sente que a maneira como essas pessoas se portaram com ela é a razão pela qual ela acabou decidindo deixar de viver.

Assim, ela deixa treze lados de fitas gravados. Em cada lado, ela se dirige ao protagonista dessa razão. Ela se lembra do que aconteceu quando estavam juntos e como ela se sentiu por isso. As instruções dizem para passar as fitas para outra pessoa. Assim, todo mundo acaba sabendo o que os outros fizeram ou não fizeram.

Argumento de 13 Reasons Why
© July Moon Productions

O coprotagonista é Clay Jensen, um garoto do ensino médio que conheceu Hannah e que recebe as fitas quando chega a sua vez. Com Clay, descobrimos o que pode causar em alguém o fato de ficar sabendo sobre coisas de outra pessoa que não eram conhecidas até então.

Ficar sabendo sobre certas coisas faz Clay se rebelar contra as injustiças. Dessa forma, descobrimos como os outros o tratam por tentar se rebelar.

A série e o suicídio

O suicídio é atualmente a principal causa de morte de jovens entre 10 e 24 anos de idade. Essa informação pode ser encontrada no Guia de Prática Clínica para a Prevenção e Tratamento do Comportamento Suicida do Ministério da Saúde, Política Social e Igualdade da Espanha.

“É duro ir conhecendo Hannah na série, saber das coisas que aconteceram com ela e que, para ela, são as mais importantes do mundo, enquanto para os outros não significam nada. Ela é chamada de dramática, exagerada e seus problemas são subestimados.”

Justamente por vermos que o que aconteceu não tem solução é que a série se torna importante. Alguns dizem que o suicídio nessa série é visto como vingança. Mas, na verdade, o que mais fica claro é que o suicídio nunca é a solução, porque não há como voltar atrás.

Se um adolescente assistir a essa série, é importante que, como educadores ou pais, sejamos capazes de conversar sobre o que se passa na história. Sobre o que está acontecendo na série e as suas consequências.

Isso é muito melhor do que tentar evitar que a série seja vista (provavelmente, o adolescente acabará fazendo isso sem que fiquemos sabendo) ou subestimar a importância do assunto.

Além disso, também devemos lembrar que a série não é recomendada para crianças menores de 13 anos de forma alguma.

A Netflix fez uma nova classificação etária indicando que ela pode ser vista a partir dos 16 anos com a companhia de um adulto. Mas devemos saber que as crianças mais novas provavelmente ouvirão sobre a série por outras pessoas ou nas redes sociais e que isso pode chamar a atenção delas.

Os pais: o seu papel em 13 Reasons Why

Algo que chama bastante a atenção e que aqueles que trabalham com adolescentes todos os dias podem confirmar é a observação de como a maioria dos pais geralmente não conhece os seus filhos de forma alguma.

Na série, isso é mostrado claramente. Os pais de Hannah e dos outros jovens não sabem quase nada sobre a vida dos seus filhos, nem sabem como se aproximar deles.

Se o nosso filho adolescente ainda não viu a série, mas achamos que ele pode começar a ver, o melhor a fazer é, antes de mais nada, assistirmos nós mesmos à série. Podemos falar com eles sobre o fato de que é uma série fictícia e que isso nem sempre reflete a realidade.

As séries podem ser uma boa oportunidade para conversar com os alunos ou filhos adolescentes sobre situações reais que eles enfrentam e que são representadas na tela. Muitas situações podem ser esclarecidas e resolvidas graças a isso.

Essa série aborda tópicos como bullying (escolar e on-line), consumo de álcool por menores de idade, agressão sexual e outros assuntos que podem ser muito interessantes de tratar com um adolescente. Com 13 Reasons Why, podemos começar a nos comunicar naturalmente com os adolescentes sobre temas que, de outra forma, poderiam parecer forçados.

A série e o suicídio
© July Moon Productions

Tratar 13 Reasons Why de forma segura

Uma das coisas que ficou clara com essa série é que ela pode ser usada como uma ferramenta para adultos, professores, psicólogos, professores, pais, etc. Para os pais, assistir à série com o filho vai permitir conversar sobre os assuntos que forem aparecendo.

Assim, como pais, poderemos saber se eles mesmos, ou então seus amigos ou colegas, viveram algo semelhante. Podemos esclarecer o que precisa ser feito em cada caso, a quem recorrer e como encarar o que está acontecendo.

Como professores, o assunto é tratado com muito mais naturalidade. Às vezes, surge espontaneamente em alguma aula ou em alguma mudança de sala, e é uma boa oportunidade para ver como os adolescentes estão assimilando a série e dar as nossas opiniões como adultos. Eles geralmente ouvem atentamente e param para pensar para iniciar um debate.

Para terminar

Podemos pensar que conversar com um filho adolescente sobre alguns assuntos abordados em 13 Reasons Why não parece ser algo agradável ou simples, mas devemos enxergar isso como uma grande oportunidade.

Conversar com um adolescente nessa fase da vida é fundamental e dar a nossa visão como adultos sobre todas essas questões pode ajudar muito.

  • Ministerio de Sanidad, Política social e igualdad.(2015). Guía de Práctica Clínica de Prevención y Tratamiento de la Conducta Suicida.
  • Jay Asher. (2007). Por trece razones. RazorBill – Penguin Books.