Sacroileíte na gravidez: sintomas e tratamento

Se você está grávida e sente dores na região lombar, este artigo pode ser muito interessante. Não deixe de conferir!
Sacroileíte na gravidez: sintomas e tratamento

Última atualização: 17 Novembro, 2021

A dor lombar é muito comum em mulheres grávidas, especialmente no final do segundo trimestre. Às vezes, essa dor pode ser a manifestação de uma sacroileíte da gravidez, uma vez que o estado hormonal e as alterações biomecânicas aumentam a mobilidade articular da pelve.

É importante saber que a dor lombar é esperada à medida que o bebê cresce. No entanto, a dor sacral durante a gravidez requer avaliação profissional para determinar os próximos passos.

O que é a sacroileíte na gravidez?

A sacroileíte é a inflamação da articulação do osso ilíaco com o sacro, que pode ocorrer em um ou nos dois lados. Como qualquer processo inflamatório articular, é acompanhado por uma dor geralmente muito aguda e específica.

Durante a fase final da gravidez, as dores nas costas são bastante frequentes, assim como a sensação de cansaço nas pernas ou desconforto na região do sacro. Mesmo assim, é importante saber quais são os sintomas esperados da sacroileíte para buscar auxílio médico na hora que eles aparecerem.

Dor pélvica com raios-X, inflamação sacroilíaca

Sintomas de sacroileíte

O diagnóstico de sacroileíte é clínico. Ou seja, algumas informações da entrevista e um exame clínico detalhado são suficientes para determinar o quadro. Os exames de imagem não são essenciais nessa condição.

Um dos pontos fundamentais da consulta é diferenciar a dor sacral da lombalgia, já que a abordagem é diferente.

Convidamos você a conhecer os sintomas mais frequentes da sacroileíte na gravidez:

  • Dor local: é uma dor profunda no sacro, especificamente na área articular inflamada.
  • Dor lombar: nem sempre está presente e quando ocorre é confundida com dores de origem vertebral.
  • Falsa dor ciática: às vezes, a contratura dos músculos que circundam o nervo ciático o comprimem e produzem uma sintomatologia semelhante à dor ciática.
  • Radiação da dor: a dor da inflamação das articulações pode irradiar para as nádegas ou as pernas, do lado afetado se for unilateral ou de ambos os lados se a inflamação for bilateral.
  • Dor noturna: pode até acordar a mãe durante a noite, afetando seu descanso e sua qualidade de vida.
  • Movimentos dolorosos específicos: a dor se manifesta mais claramente após passar muito tempo em pé, ao tentar subir degraus ou ao fazer o gesto de se sentar.
  • Contrações musculares: os músculos piramidais estão localizados em um plano mais profundo do que as nádegas e são os que mais são tensionados nessa condição.

Os sintomas da sacroileíte geralmente são constantes e podem se intensificar com o tempo. Portanto, a condição deve ser precocemente detectada e tratada.

Por que a sacroileíte ocorre?

As articulações sacroilíacas são projetadas para suportar e transferir o peso do corpo. Portanto, sua função principal não é o movimento.

Durante a gravidez, as articulações pélvicas ganham mobilidade graças às mudanças hormonais (como o aumento da relaxina) e ao peso do bebê dentro do abdômen. Essa mobilidade é necessária para permitir que o bebê passe pelo canal do parto.

Além disso, o aumento do peso materno, as alterações no andar e, eventualmente, a retenção de líquidos favorecem ainda mais o aparecimento da sacroileíte na gravidez.

Gravida se pesando.

Tratamento da sacroileíte

O tratamento na gravidez é conservador e feito por meio de fisioterapia. O principal objetivo dessa abordagem é reduzir o desconforto da mãe e melhorar sua qualidade de vida.

Trabalha-se por meio de técnicas que ajudam a reduzir a dor local, ao mesmo tempo que melhora a mobilidade e a consciência corporal da gestante.

Uma vez que o desconforto muscular diminui, o tratamento progride para fortalecer os músculos do assoalho pélvico. Da mesma forma, busca-se melhorar a mecânica do movimento da gestante para evitar o reaparecimento do quadro doloroso.

É importante notar que a sacroileíte pode ocorrer tanto na gravidez quanto no puerpério, pois durante as semanas posteriores ao nascimento o corpo materno volta a sofrer inúmeras modificações. Nessa fase, também podem ocorrer desequilíbrios no andar, assim como alterações hormonais e biomecânicas, capazes de predispor essas articulações à inflamação.

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