Segredos para ser uma mãe com grande capacidade emocional

· 17 de junho de 2018
Ficou para trás a ideia de que a disciplina autoritária ou a permissiva são as únicas duas opções para criar nossos filhos. Hoje em dia todos sabemos da importância de assumir a educação emocional de nossas crianças.

Atualmente, contamos com grande quantidade de informação que reforça a ideia da disciplina autorizada como a mais adequada. Mas em que se diferenciam umas e outras? O que podemos destacar?

Como é evidente, o melhor será aquilo que nos ofereça maior equilíbrio. Vejamos as características de cada disciplina:

  • Disciplina autoritária: estabelecem-se limites rigorosos e normas estritas. Parte-se do princípio de que as crianças não devem expressar suas opiniões e se exerce um forte controle sobre elas. Isso gera crianças infelizes, inseguras e com baixa autoestima.
  • Disciplina permissiva: esse tipo de educação demonstra maior aceitação e conforto. Contudo, através desse tratamento os pais se tornam muito passivos na hora de firmar limites ou de responder às desobediências. Será mais difícil para a criança compreender seu caminho, já que não sabe qual direção deve seguir.
  • Disciplina autorizada: esse tipo de pais geralmente equilibra os limites claros com um ambiente estimulante no lar. Isto é, orientam ao mesmo tempo em que rejeitam a possibilidade de exercer controle. Além disso, oferecem à criança explicações de tal maneira que a envolvem na tomada de decisões.

O ideal é tentar valorizar a independência de nossos filhos ao mesmo tempo em que criamos a necessidade de compromissos tanto familiares quanto sociais. Devemos confortar e elogiar a competência com o objetivo de promover a confiança em si mesmos, sua capacidade imaginativa e sua inteligência emocional.

capacidade emocional

Desenvolver a atenção positiva como base de apoio emocional

Tudo isso parece muito bonito no papel. Mas como conseguimos desenvolver uma atenção positiva e emocional em nossos filhos? Quais são os segredos para nos tornarmos mães com grande capacidade emocional?

Em primeiro lugar, devemos saber que preocupar-se com os filhos e mimá-los são coisas muito diferentes. Oferecer atenção positiva aos nossos filhos significa oferecer conforto e apoio emocional à criança de maneira que ela os reconheça.

Ou seja, devemos ir mais além do abraço, do elogio e dos beijos de boa noite. Devemos participar ativamente na vida emocional de nossos filhos. Vamos ver como fazer isso:

Crianças com menos de nove anos

Os especialistas sugerem definir, pelo menos, três momentos de “tempo especial” a cada semana, no qual vamos participar de brincadeiras ou de qualquer tipo de atividade lúdica com nossos filhos. Durante esse período, devemos criar uma atmosfera sem julgamentos em que a criança sinta interesse e aceitação plena. Para isso, devemos:

  • Elogiar nossos filhos de maneira precisa, concreta e sincera, evitando a adulação excessiva. Além disso, com os elogios é importante comemorar ações, e não atribuições. Ou seja, devemos dizer: “que torre grande você está construindo!“, em vez de “que lindo e inteligente você é!“. Não use rótulos tanto para o bem quanto para o mal se quiser evitar que a criança pense ser mais ou menos valioso conforme seus erros ou ganhos.
  • Demonstrar interesse pelo que o filho faz brincando ou em outra atividade, descrevendo o que vemos e refletindo os sentimentos e emoções que percebemos. Ou seja: “parece que você gosta que os dois carrinhos batam, mas você não parece nervoso, por isso acho que você está se divertindo…
  • Não faça perguntas nem dê ordens, somente observe e reflita o que vê sem controlar ou guiar.

Crianças com mais de nove anos

Para as crianças com mais de nove anos, devemos buscar oportunidades durante um período parecido, que nos sirva para desenvolver atividades sem emitir julgamentos e prestando toda atenção em nossos filhos.

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Segredos da disciplina positiva

É impossível conseguir que nossos filhos apresentem boas capacidades emocionais se não os educamos com a coerência e o apoio emocional. Por isso, é importante compreender e integrar o gerenciamento de nossas emoções, princípios e valores em um mesmo enigma para ir implementando cada ponto na etapa evolutiva que corresponda.

Para isso, devemos:

  • Estabelecer regras e limites claros. Devemos nos focar neles e fazer com que seja cumpridos.
  • Avisar a criança de quando ela estiver começando a se comportar mal e o que é que está nos mostrando isso. Assim, estimulamos o autocontrole.
  • Definir o comportamento positivo e reforçar a boa conduta com elogios e carinho. Do mesmo modo, devemos ignorar aqueles comportamentos que só buscam chamar a atenção.
  • Falar com a criança sobre suas emoções e favorecer a comunicação emocional. Devemos saber que as palavras só favorecem 10% da comunicação emocional que conduzimos. É indispensável mostrar para a criança como suas emoções se manifestam através do tom da voz, da linguagem corporal, da postura e das expressões faciais.
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  • Ser compreensivos com seus sentimentos e suas emoções. Ou seja, se a criança chora, tem que perceber que sabemos que está machucada ou que está angustiada por algo. Por isso, devemos evitar dizer “não é nada”. Porque é sim. Não devemos invalidar suas emoções e precisamos mostrar para a criança que estamos ao seu lado.
  • Empregar o tempo explicando às crianças por que as expectativas, os valores e as normas são tão importantes.
  • Prevenir os problemas antes que aconteçam. Temos que saber identificar aqueles antecedentes que podem gerar uma má conduta.
  • Ser coerentes quando se viola uma norma ou um limite de maneira intencional. Nesses casos, deve-se aplicar o castigo adequado, sendo coerentes com o que dissemos que faríamos.
  • Castigar de maneira congruente com a má conduta ou a infração. Assim, devemos nos sentir confortáveis com o castigo que pensamos aplicar e não nos comportar nunca de maneira agressiva. Os mais comuns são:

1. As repreensões. Repreender nossos filhos da maneira correta é muito importante. Não devemos nos comportar de forma agressiva. Devemos nos mostrar sérios e dispostos a dialogar, mas, ao mesmo tempo, determinados.

2. Consequências naturais. Outra opção é deixar que a criança experimente as consequências de sua má conduta. Exemplo: se uma criança perde tempo quando sua mãe o apressa para pegar o ônibus escolar, pode-se fazer com que ela vá para a escola caminhando e tenha que explicar o porquê de seu atraso. 

“Contudo, é necessário ter cuidado na hora de assumir as consequências naturais. Não podemos deixar que a criança brinque com fogo ou que corra na rua, pois as consequências podem ser fatais.”

3. O cantinho. Trata-se de colocar a criança em um lugar neutro em que não tenha nenhum bônus. Devemos usar isso por um tempo breve, um minuto para cada ano da idade da criança a partir dos cinco anos (se ela for menor, a duração deve ser um minuto).

4. Tirar um privilégio. Quando as crianças são mais velhas para ir para o cantinho de pensar ou isso já tenha perdido o efeito, pode-se eliminar um privilégio, como ver televisão, brincar com o videogame ou reduzir o tempo de uso do celular.

Nesse sentido, deve-se evitar remover privilégios que possam ser experiências importantes para o filho. Por exemplo, para um adolescente é melhor estabelecer uma hora mais cedo para chegar em casa que proibir de ir para uma viagem escolar.

5. A hipercorreção. Essa técnica é recomendada frequentemente para conseguir uma mudança rápida no comportamento. Exemplo: se a criança chegou em casa, jogou sua camisa no chão e não cumprimentou ninguém, pode-se pedir que ela volte e entre em casa 10 vezes da maneira correta.

6. Sistema de pontos. Para problemas crônicos se pode utilizar um sistema em que as crianças ganhem pontos por comportamentos positivos e percam por mau comportamento. Em seguida, os pontos obtidos podem ser trocados por alguma experiência combinada e pontuada previamente.

“Se compreendermos todos esses pontos e os adaptarmos às nossas rotinas, conseguiremos vincular a educação com os sentimentos da criança. Ao mesmo tempo, garantiremos o melhor de nós mesmas, oferecendo-lhes ensinamentos congruentes que conectam emoções, pensamentos e condutas.”

Fonte de consulta: Inteligência Emocional – Uma nova vida para o seu filho, de Lawrence Shapiro