6 mitos sobre a escovação dentária

Não acreditar em certos mitos sobre a escovação dentária é fundamental para cuidar da saúde bucal das crianças. Descubra aqui algumas crenças incorretas.
6 mitos sobre a escovação dentária

Última atualização: 16 dezembro, 2021

Prestar atenção à higiene bucal desde a infância é fundamental para chegar à idade adulta com uma boca saudável. Mas existem vários mitos sobre a escovação dentária que podem confundir os pais quando se trata de cuidar dos seus filhos.

A desinformação é um fator limitante e prejudicial para a saúde. Pelo contrário, ter clareza sobre o que fazer e o que evitar nos ajuda a tomar melhores decisões com consciência.

Neste artigo, vamos apresentar 6 mitos sobre a escovação dentária que você deve conhecer para cuidar melhor da boca de seus filhos. Não perca!

1. Escovar os dentes do bebê não é importante

Muitos pais acreditam que, como os dentes de leite são transitórios, não merecem ser cuidados. Na verdade, esses elementos dentários desempenham um papel muito importante no desenvolvimento e na saúde da criança.

Por outro lado, os dentes temporários servem para que a boca desempenhe suas funções sem problemas: mastigar, comer e falar. Por outro lado, sua presença na boca ajuda a reservar o espaço necessário para os dentes definitivos e ajuda a orientar sua correta erupção.

Portanto, se os dentes de leite adoecerem ou se perderem prematuramente, futuras más oclusões podem ocorrer.

Por fim, esses dentes cumprem um papel social muito importante, já que o aspecto do sorriso ajuda as crianças a interagirem com as outras sem complexos ou vergonha. Por isso, seu cuidado deve começar antes mesmo dos dentes aparecerem na boca, com a correta higiene das gengivas após a alimentação.

Depois que o primeiro dente aparecer, é hora de começar a escovar. Deve-se usar uma escova própria para crianças com cerdas macias e um creme dental com uma dose de flúor apropriada para a idade.

Os adultos são responsáveis pela limpeza dos dentes até que a criança consiga fazer isso sozinha, o que ocorre entre 6 e 8 anos. Em seguida, os pais devem acompanhar e fiscalizar se a técnica de higiene está correta.

Consultas com o odontopediatra desde o primeiro ano de vida da criança ajudam a manter a boca saudável. No encontro, o profissional vai analisar o estado da saúde bucal da criança e orientar os pais sobre os cuidados corretos com a boca em casa.

Bebê na banheira escovando os dentes.

2. Escovar uma vez por dia é o suficiente

Esse é mais um dos mitos que pode trazer problemas de saúde bucal, já que o ideal é escovar os dentes pelo menos 2 vezes ao dia: ao se levantar e à noite antes de ir para a cama.

Com 2 ou 3 escovações diárias, a placa bacteriana que se deposita nas superfícies dentais fica desorganizada. Dessa forma, evita-se o seu acúmulo e a produção dos ácidos responsáveis pelas cáries.

Além disso, a escovação dos dentes deve levar cerca de 2 minutos. Os pais podem achar útil cantar “Parabéns a você” enquanto realizam essa tarefa ou podem optar por escovas com temporizadores.

3. As crianças não devem usar pasta de dente

A crença de que as crianças não precisam usar creme dental é outro dos mitos sobre a escovação que se ouve com frequência.

Na verdade, por vários anos, foi recomendado não usar cremes dentais fluoretados em crianças com menos de 2 anos de idade. Mas, atualmente, é aconselhável começar a usar pasta de dente com flúor assim que a escovação começar. Claro, é preciso ter atenção às concentrações desse elemento no produto e colocar apenas a quantidade necessária.

O excesso de pasta de dente pode levar a problemas de fluorose, e é por isso que os adultos devem dosar a pasta de dente nas quantidades adequadas para cada idade.

De acordo com a American Dental Association (ADA), é recomendado usar o creme dental da seguinte forma:

  • Em crianças de 0 a 3 anos, deve-se colocar na escova uma pequena mancha de produto, menor que um grão de arroz.
  • Em crianças de 3 a 6 anos, a quantidade de pasta a ser usada deve ser do tamanho de uma ervilha. Nessa idade, as crianças devem ser incentivadas a cuspir todo o produto após a escovação.
  • Em crianças com mais de 6 anos, a dose de pasta a ser usada deve ser de aproximadamente 1 centímetro.

Essas são as doses geralmente sugeridas, que podem variar ligeiramente dependendo do caso. De qualquer forma, o ideal é que o odontopediatra aconselhe cada família sobre esse e outros aspectos da higiene, dependendo do risco de cárie da criança.

4. Se o enxaguante bucal for usado, não é necessário escovar os dentes

As cerdas da escova são as únicas capazes de varrer e desorganizar a placa bacteriana, por isso esse elemento é fundamental na higiene bucal.

O uso de enxaguantes bucais pode trazer alguns benefícios extras, como a redução de microrganismos ou o acréscimo de flúor na prevenção das cáries.

Contudo, o uso da escova nunca deve ser substituído pelo enxaguante bucal e, de fato, a necessidade de uso desse produto fica a critério do odontopediatra.

Kit higiene bucal para crianças.

5. A escovação limpa todas as superfícies dos dentes

É verdade que uma boa escovação deve atingir todas as faces de todos os dentes da boca. Assim, as cerdas limpam as superfícies interna, externa e oclusal. Mas as faces interdentais não podem ser alcançadas pela escova e para poder higienizá-las é necessário recorrer ao uso de fio dental ou escovas especiais para isso.

Com o fio dental, a higiene dos dentes é completada e a placa bacteriana e os restos de alimentos que se acumulam são eliminados.

6. É necessário escovar os dentes com força

Há uma crença de que quanto mais enérgicos forem os movimentos de limpeza, melhores serão os resultados. Mas não é assim.

Uma escovação rápida, forte e brusca não só não elimina corretamente as bactérias, como também desgasta a superfície dentária e traumatiza as gengivas.

Movimentos controlados, precisos e suaves são menos prejudiciais e muito mais eficazes. A escovação deve ser feita de forma consciente, para limpar adequadamente cada canto da boca e sem danificar suas estruturas.

A ajuda do odontopediatra

Cuidar da saúde bucal é uma tarefa que começa na infância. Ajudar os pequenos a incorporar hábitos saudáveis desde cedo é responsabilidade dos adultos que cuidam deles.

Por isso, é fundamental ter cuidado com as informações que vêm da internet ou de familiares e amigos. Hoje em dia, é comum encontrar remédios caseiros ou mitos sobre o cuidado com a boca que, como você viu, podem ser prejudiciais.

O segredo para proporcionar uma boa saúde bucal às crianças é consultar o odontopediatra com frequência. Com visitas ao dentista e adultos responsáveis e informados, o sorriso das crianças estará em boas mãos.

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