Ser mãe de uma criança com déficit de atenção

26 Janeiro, 2020
Certamente você conhece a sigla TDAH. Ultimamente, fala-se muito sobre o Transtorno do Déficit de Atenção, com ou sem Hiperatividade. Mas quais são as implicações de ser mãe de uma criança com déficit de atenção?

Em pleno século 21, estamos acostumados a ser expostos a uma infinidade de informações irrelevantes para a nossa sobrevivência. As crianças da nossa sociedade precisam aprender, desde os primeiros anos de vida, a conviver com diversos estímulos atrativos que podem causar a perda da atenção e da concentração. Portanto, não é estranho pensar que é cada vez mais comum ser mãe de uma criança com déficit de atenção.

Essas mães precisam fazer um esforço extra para entender e apoiar os seus filhos, procurando informações para atender a todas as suas necessidades adequadamente.

O que é o déficit de atenção?

Quando uma criança tem dificuldades significativas e incapacitantes de atenção, diz-se que ela tem um Transtorno de Déficit de Atenção. Este é um distúrbio do desenvolvimento que constitui um padrão de comportamento persistente, caracterizado pela desatenção, desorganização e o possível aparecimento de hiperatividade e impulsividade.

Ser mãe de uma criança com déficit de atenção

De acordo com a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), para confirmar o déficit de atenção, a criança deve reunir seis ou mais dos seguintes sintomas de desatenção durante pelo menos 6 meses, de forma frequente:

  1. Ela não presta atenção suficiente aos detalhes e comete erros devido a descuidos nas tarefas escolares.
  2. Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas ou recreativas.
  3. Ela parece não ouvir quando se fala com ela diretamente.
  4. Não segue as instruções e não termina as tarefas escolares.
  5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
  6. Evita, não gosta ou fica pouco animada para iniciar tarefas que exijam esforço mental contínuo.
  7. Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades.
  8. Ela se distrai facilmente com estímulos irrelevantes.
  9. Esquece ou é descuidada com as atividades diárias.

Ser mãe de uma criança com déficit de atenção

Atualmente, existem muitas mães que têm filhos com déficit de atenção, mas não é necessário se preocupar. Você só precisa assumir o problema e ajudar o pequeno no seu dia a dia, executando uma série de orientações educacionais e pedagógicas simples, para que seu filho possa enfrentar os problemas e alcançar um desenvolvimento evolutivo adequado.

Diretrizes para ajudar o seu filho

O déficit de atenção e a desorganização podem fazer com que a criança não consiga permanecer realizando as suas tarefas, que ela pareça não estar ouvindo ou que ela perca objetos constantemente. Esse tipo de ação pode influenciar no aparecimento de diferentes problemas de:

  • Aprendizagem
  • Comportamento
  • Habilidades sociais.

Se você tem um filho com déficit de atenção, deve ajudar a atenuar esses problemas, seguindo uma série de orientações, como as descritas a seguir.

Ser mãe de uma criança com déficit de atenção

Por um lado, uma medida principal e básica que deve ser tomada é a criação de um ambiente estruturado e organizado em casa, para que a criança possa estabelecer horários e hábitos rotineiros. Por outro lado, é necessário proporcionar jogos e atividades que estimulem a sua concentração, tais como: 

  • Quebra-cabeças.
  • Livros.
  • Labirintos.
  • Blocos de construção.
  • Caça-palavras.

Além disso, ao conversar com ela, fazer um pedido ou dar uma ordem, é necessário usar uma comunicação clara e direta. Portanto, é conveniente:

  • Chamar a criança pelo nome quando ela estiver por perto e falar com ela olhando nos olhos e com um tom calmo.
  • Explicar as instruções de forma clara e precisa. Se necessário, peça a ela para repetir o que foi dito, a fim de verificar se ela entendeu corretamente.
  • Usar frases curtas e diretas e dar as instruções uma de cada vez, sem se contradizer.
  • Manter uma distância segura e evitar o contato físico ao fazer solicitações.

Por fim, vale destacar que, quando a criança fizer as suas tarefas e apresentar um bom comportamento, é muito importante aplicar o reforço positivo por meio de elogios, abraços, beijos ou qualquer outro gesto afetivo. Assim, a criança se sentirá satisfeita e provavelmente voltará a repetir os comportamentos desejados.

  • American Psychiatric Association. (2013). Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales-DSM 5. Barcelona: Editorial Médica Panamericana.
  • Corral, P. (2011). La hiperactividad infantil y juvenil. En M. I. Comeche y M. A. Vallejo (Ed.), Manual de terapia de conducta en la infancia (cap. 13, pp. 519-549). Madrid: Dykinson.