ABP: prática pedagógica em que o aluno é o protagonista da aprendizagem

7 de novembro de 2019
Na vanguarda das práticas pedagógicas que enfatizam a aprendizagem ativa, a ABP surge como uma nova metodologia que coloca o aluno no centro da aprendizagem por meio do desenvolvimento de projetos.

A dinâmica de alunos passivos assistindo às aulas do professor não cabe na filosofia da ABP, pois a essência dessa prática pedagógica é incentivar o aluno a ser o principal agente da própria aprendizagem.

Com a participação de todos os agentes da comunidade educacional, a ABP tem como objetivo proporcionar a autonomia e as habilidades suficientes e necessárias para os alunos por meio do desenvolvimento de projetos que possam resolver problemas do dia a dia.

Em que consiste a ABP?

A Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) é uma das práticas pedagógicas usadas no que se chama de aprendizagem ativa.

Diferentemente das demais metodologias próprias do ensino direto, na ABP entende-se que o conhecimento deve ser elaborado pelo próprio aluno, o que facilita bastante a sua motivação e, como consequência, a sua aprendizagem.

Além disso, outro aspecto que distingue a ABP do restante das metodologias é que os papéis desempenhados pelo professor e pelo aluno são muito diferentes em relação ao ensino direto.

o aluno é o protagonista da sua aprendizagem

Na ABP, o aluno deve participar ativamente da sua aprendizagem, enquanto o papel do professor consiste em ser um mero facilitador ou guia para os alunos durante a elaboração dos seus projetos.

No entanto, o segredo está na apreciação da escola como um ecossistema. Isso implica a necessidade de um envolvimento ativo por parte de todos. Da mesma forma, será necessário analisar todos os fatores que possam influenciar o desenvolvimento, uma vez que todos estão inter-relacionados.

Como elaborar um projeto ABP?

O desenvolvimento de um projeto ABP consiste em três fases:

  • Primeira fase. Os objetivos, conteúdos e atividades que darão início ao projeto serão estabelecidos. Isso deve ser delimitado pelos interesses dos alunos, de tal forma que o professor levará isso em consideração ao selecionar o tema.
  • Segunda fase. O projeto começa a ser desenvolvido e o objetivo do produto é definido. O produto será um folheto, uma campanha ou uma investigação científica, entre outros. Por meio do trabalho em equipe, os alunos farão pesquisas para obter informações e refletir sobre elas.
  • Terceira e última fase. É dedicada à autoavaliação e à avaliação do processo desenvolvido. Os alunos avaliam o seu aprendizado, o trabalho que desenvolveram e o produto final do processo.

Quais são os benefícios de usar essa prática pedagógica?

O fato de os alunos buscarem informações, desenvolverem o próprio conteúdo, iniciarem debates, refletirem sobre as informações coletadas e, finalmente, sobre o seu próprio trabalho, potencialmente aumenta a sua motivação para aprender.

Os professores Willard e Duffrin, da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, apontam que a Aprendizagem Baseada em Projetos melhora a satisfação com a aprendizagem e prepara melhor os alunos para enfrentar situações reais com as quais vão se deparar futuramente no mercado de trabalho.

ABP

“A sociedade atual precisa de uma nova concepção de ensino, de um treinamento contínuo dos professores que seja capaz de acompanhar os tempos, com o qual professor e aluno serão capazes de falar a mesma língua.”

-Yolanda Jiménez Romero-

Eduardo Rodríguez de Sandoval, professor da Universidade Nacional da Colômbia, afirma que os alunos que trabalham em projetos adquirem grande aprendizado e habilidades.

Eles aprimoram a sua capacidade de trabalhar em equipe, se esforçam mais, têm mais motivação e interesse, aprendem a expor trabalhos e melhoram o aprofundamento de conceitos.

Em suma, com a Aprendizagem Baseada em Projetos, o que se busca é uma reformulação do processo de ensino-aprendizagem que esteja no mesmo nível de desenvolvimento das nossas sociedades atuais e das novas gerações de alunos.

  • Martí, J. A. (2010). Aprendizaje basado en proyectos. Revista Universidad, EADIT, 46 (158).
  • Rodríguez de Sandoval, E. Vargas-Solano, È.M. y Luna-Cortés, J. (2010). Evaluación de la estrategia aprendizaje basado en proyectos. Educación y educadores. 13(1). 13-25- Recuperado de: https://www.redalyc.org/pdf/834/83416264002.pdf
  • Sánchez, J. (2013). Qué dicen los estudios sobre el Aprendizaje Basado en Proyectos. Actualidad pedagógica. Recuperado de: http://www.estuaria.es/wp-content/uploads/2016/04/estudios_aprendizaje_basado_en_proyectos1.pdf
  • Willard, K y Duffrin, M.W. (2003). Utilizing project-based learning and competition to develop student skills and interest in producing quality food items. Journal of Food Science Education. 2, 69, pp 69-73