Síndrome de Peter Pan: quando as crianças não querem crescer

· 6 de novembro de 2018
Seu filho se recusa a abandonar comportamentos infantis? Tem dificuldades em assumir responsabilidades e depende de você para tudo? Nesse caso, é provável que ele esteja desenvolvendo a síndrome de Peter Pan. Nós te contaremos tudo sobre isso.

Você já ouviu falar sobre a síndrome de Peter Pan? É um termo usado para se referir às tentativas de uma pessoa para não abandonar a proteção dos pais e, assim, evitar assumir as responsabilidades correspondentes à sua idade.

Especificamente, esta síndrome não é considerada uma patologia psicológica. Ela é descrita mais como uma alteração de comportamento. Além disso, pode ocorrer conscientemente ou não.

Em todos os casos, quem a apresenta tem um comportamento egoísta, imprudente e procura apenas alcançar o próprio bem-estar.

O termo “síndrome de Peter Pan” foi cunhado pelo psicólogo americano Dan Kiley em 1983, quando o explicou em seu livro Síndrome de Peter Pan (originalmente em inglês, The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up).

Por que Peter Pan?

Peter Pan é um personagem fictício criado por James Matthew Berrie. Era um menino de dez anos que não queria crescer, pois odiava o mundo dos adultos.

Com a ajuda de sua fada Sininho, eles vivem muitas aventuras na Terra do Nunca.

Como indicamos anteriormente, a síndrome de Peter Pan não é uma doença mental, mas sim uma forma de comportamento específico.

Falando de fixação, Sigmund Freud detectou sintomas muito semelhantes que impediam a evolução normal do homem.

Geralmente é mais frequente em homens. Um caso com repercussão mundial da síndrome de Peter Pan foi o do famoso cantor Michael Jackson.

Aqueles que o diagnosticaram argumentaram que ele apresentava um comportamento egocêntrico e narcisista. Da mesma forma, tinha um interesse “excessivo” pelos personagens da Disney.

De fato, o próprio Jackson comentou publicamente que se sentia um ‘Peter Pan no coração’. Ele também fez clipes musicais com tema idêntico a essa famosa história. Especificamente, fez isso em sua canção “Childhood”.

síndrome de Peter Pan

Como detectar a síndrome de Peter Pan?

As pessoas que sofrem da síndrome de Peter Pan se caracterizam por apresentar os seguintes comportamentos:

  • Falta de maturidade: comportam-se de maneira irresponsável, não cumprem suas obrigações e não se comprometem.
  • Comportamento infantil: continua a ter interesses próprios da infância. Além disso, seu modo de se divertir é muito semelhante ao das crianças.
  • Rebeldia: uma vez que lhes falta um senso de responsabilidade, geralmente se desviam de algumas regras e vivem em uma busca constante do benefício pessoal.
  • Relações sociais quase inexistentes: em geral, esses indivíduos não têm empatia, o que os impede de construir um relacionamento com seus pares.

Além disso, em relação ao último ponto da lista, também é digno de nota que os adultos com síndrome de Peter Pan tendem a ter medo da rejeição e da solidão.

Eles se preocupam em não serem aceitos e até se sentem incompreendidos. Por isso, eles também não fazem muito esforço para construir relacionamentos com os outros.

Sua própria postura pode ter um efeito contraproducente. Sendo pessoas bastante fechadas, geralmente se isolam e parecem frias.

Como resultado dessa atitude, não recebem esse afeto de que tanto precisam. Além disso, seu comportamento pode estar ligado a sintomas mais profundos, como:

  • Angústia.
  • Depressão.
  • Baixa autoestima.
  • Crise de ansiedade.

“Esta síndrome não é considerada uma patologia psicológica. Ela é descrita como uma alteração de comportamento”

O que a causa e como é tratada?

Uma possível origem da síndrome de Peter Pan pode ser uma criação com uma superproteção muito acentuada.

Isso pode causar um sentimento de dependência dos pais muito intenso, que impedirá superar essa fase quando chegar a hora.

Por outro lado, também pode ter como motivo uma infância feliz, que fica idealizada na mente do indivíduo, por mais contraditório que isso possa parecer.

Em contrapartida, uma infância com muitas deficiências também pode encorajar esse desejo de aproveitar essa etapa no momento em que for possível.

Em última análise, os profissionais também afirmam que certos traços de personalidade característicos de cada indivíduo contribuem para essa síndrome; não tanto em sua origem, mas, sim, em sua manutenção.

Será quase impossível para os pais ou parentes ‘tratar’ o indivíduo em questão por conta própria.

Muitos negam o sofrimento desses comportamentos não correspondidos. Essa falta de aceitação, por sua vez, realmente complica as possibilidades de tratamento.

É por isso que a opção mais indicada é procurar um profissional. Em geral, os mecanismos usados para tratar esse comportamento infantil se assemelham aos de qualquer outra neurose.

síndrome de Peter Pan

Pode ser evitada?

A forma de educar que os pais adotam está muito relacionada com a prevenção desse comportamento.

Assim, é importante que, desde cedo, as crianças assumam responsabilidades e enfrentem desafios por conta própria.

Os pais não devem resolver tudo: em vez disso, devem fornecer o apoio para que as crianças aprendam a resolver as situações que surgirem.

Desta forma, então, possibilitarão o amadurecimento mental correspondente a esta etapa.

Portanto, o segredo é combinar proporcionalmente a contenção com a liberdade e a autonomia.