Sou mãe e, às vezes, me sinto sozinha

· 29 de setembro de 2018
Ser mãe é um privilégio, é como ter um coração fora do corpo. Amamos nosso bebê acima de todas as coisas. No entanto, algumas vezes, certamente não conseguimos não nos sentir sozinhas.

Durante os primeiros anos de vida, o bebê exige nossa atenção durante as 24 horas do dia, e nem sempre é fácil. Disso, surgem as dúvidas, a solidão…

Se essa sensação é uma conhecida sua, você deve saber que não está sozinha. Também não devemos achar que esses pensamentos ou esse mal-estar pontual é um sintoma irrefutável de uma depressão.

Na verdade, é um processo psicológico completamente normal e associado a essa mútua dependência que estabelecemos durante os primeiros meses com nossos bebês.

Cada mulher conduz a criação do seu filho de uma maneira. Há aquelas que, efetivamente, vivem a maternidade em solidão porque assim escolheram.

Outras, precisam enfrentar longas horas sozinhas enquanto seus companheiros vão trabalhar. Famílias que moram longe e amigos que têm suas próprias responsabilidades fazem com que muitas vezes a mãe se sinta sozinha e isolada em sua ilha particular.

Convidamos você a se aprofundar nesse tema tão conhecido: a sensação de solidão durante a criação dos filhos.

Quando me sinto sozinha com meu bebê

Há alguns meses, a revista “Mamma Mía” que trata sobre temas como criação e maternidade, publicou um interessante artigo no qual relatou um caso pessoal de uma mãe australiana que havia comentado nas redes sociais ter deixado sua filha de 10 meses sozinha durante sete minutos para ir comprar algumas coisas.

A polêmica foi intensa e durou vários dias. No entanto, além do risco de deixar nossos filhos sozinhos, mesmo que por cinco minutos, evidencia, na verdade, outro problema mais sutil, mais delicado e nem sempre colocado em evidência: o problema da solidão e da dependência total e absoluta que as mães têm com seus filhos durante os primeiros anos.

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A dupla complexidade da maternidade

Na nossa sociedade, é muito comum enxergar a maternidade como a época mais plena e satisfatória de uma mulher. Sem dúvida, para a maioria das mulheres isso é verdade.

Entretanto, vamos refinar um pouco mais essa afirmação: é satisfatório, mas nem sempre é fácil. Essa felicidade não se mantém no mesmo nível todos os dias do ano durante as 24 horas do dia.

  • A maternidade nos obriga, em primeiro lugar, a assumir outro papel. Faz com que uma mulher deixe de ser sua própria prioridade para transferir toda sua energia e seu mundo emocional ao recém-nascido.
  • Em algumas situações, toda essa inversão afetiva e psíquica traz como consequência o aparecimento de dúvidas e medos. Será que eu estou agindo corretamente? O bebê está gostando ou será que está sentindo dor?
  • Essa dependência se estabelece muitas vezes durante todo o dia de forma intermitente ao longo de vários meses – ou inclusive anos.
  • As aspirações no trabalham ficam paralisadas e a maneira de se relacionar com suas amizades já não é mais a mesma. Inclusive, algumas vezes, aquela intimidade com mais liberdade que tínhamos com nossos companheiros chega até a mudar um pouco. Agora, somos pais e mães. Agora, as prioridades são outras.
  • A mamãe asfixiada não é uma mãe depressiva, nem desesperada. São situações normais que costumam ser vivenciadas com o primeiro filho.

Por esse motivo, para administrar melhor essa situação e para evitar acima de tudo que se desenvolva uma verdadeira situação de estresse ou ansiedade, é necessário fazer pequenas mudanças.

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Dividir responsabilidades e ter uma rede de apoio

Há um aspecto que devemos deixar claro: ser mãe não significa levantar muros à nossa volta. Não podemos continuar alimentando esse cordão umbilical invisível com nossos filhos em completa solidão.

Temos que entender que se nós não estamos bem, vamos projetar esse mesmo mal-estar no bebê. Para que a criação seja de qualidade, feliz e satisfatória, é preciso dividir as responsabilidades.

O papai também possui um papel fundamental. E, inclusive, nossos familiares são parte de uma ajuda inestimável no dia a dia.

Tome nota desses simples conselhos que devem ser levados em consideração.

Saia para passear. Não passe o dia todo em casa

Nossos horários são estabelecidos durante os primeiros meses com base na amamentação, no ninar, nos cochilos e nas necessidades regulares do bebê.

Apesar de saber que seguir a rotina e os hábitos adequados é algo essencial na criação dos filhos, é necessário e saudável estabelecer passeios ao ar livre, pequenos momentos de “banhos de sol” e de contatos sociais imprescindíveis ao nosso bem-estar.

Ao mesmo tempo, isso também serve para que o bebê comece a experimentar novos estímulos.

A necessidade de possuir uma rede de apoio

Tanto se você possui uma família monoparental quanto se você possui um companheiro, é preciso ter uma rede de apoio no dia a dia. Dividir responsabilidades sempre é adequado e necessário.

Da mesma forma, o fato de contar, por exemplo, com amigas que também são mamães é algo maravilhoso para sentir apoio. Além disso, podemos tirar dúvidas, descarregar tensões e diluir esses medos pontuais que podem aparecer.

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Atividades lúdicas com nosso bebê

À medida que nosso bebê cresce, aumentam as possibilidades de realizar com ele atividades divertidas que permitem amadurecer de uma melhor forma. Além disso, essas atividades nos proporcionam estreitar os vínculos com nosso pequeno.

  • Existem lugares onde podemos, por exemplo, fazer yoga com nossos bebês. 
  • A natação junto com os bebês também é uma atividade na qual podemos dividir experiências com outros pais. Além disso, melhora a psicomotricidade dos bebês.

Como você pode ver, trata-se somente de entender que, para aproveitar nossa maternidade, precisamos também do contato com nossas amizades, do apoio dos nossos companheiros e desse ambiente facilitador com o qual podemos aprender todos os dias em companhia dos nossos filhos.

É uma aventura que vale a pena. Apesar de nos sentirmos sozinhas em algumas situações, esse sentimento é normal e existem muitas opções para combater essa sensação.